Yasuke – Análise

No dia 29 de abril entrou no catálogo da Netflix o anime Yasuke, uma série com animação que foi entregue ao estúdio MAPPA (Yuri!!! on Ice, Kakegurui), LeSean Thomas (Children of Ether, Cannon Busters, The Boondocks) é o diretor e a música é da Flying Lotus. A direção de animação é de Satoshi Iwataki (A Certain Magical Index, Dororo), a direção de arte é de Junichi Higashi (Cowboy Bebop, Kingdom) e a direção do 3D CG é de Yuki Nomoto (Dorohedoro).

A série possui em seu elenco japonês Jun Soejima como Yasuke, Takehiro Hira como Nobunaga Oda, Kiko Tamura como Saki, Yoshiko Sakakibara como Yami no Daimyо̄, Fusako Urabe como Natsumaru, Shigeru Ushiyama como Abraham, Yu Kamio como Morisuke, Eri Kitamura como Ishikawa, Kenji Kitamura como Achо̄ja, Shunsuke Kubozuka como Hart, Hiroki Nanami como Nikiita e Rie Tanaka como Ichika.

O elenco inglês é composto por Lakeith Stanfield como Yasuke, Takehiro Hira como Nobunaga Oda, Maya Tanida como Saki, Amy Hill como Yami no Daimyо̄, Ming-Na Wen como Natsumaru, Don Donahue como Abraham, Paul Nakauchi como Morisuke, Dia Frampton como Ishikawa, William Christopher Stephens como Achо̄ja, Julie Marcus como Nikiita e Gwendoline Yeo como Ichika.

Sinopse de Yasuke:

Num Japão feudal devastado pela guerra com mechas e magia, um ronin aposentado deve pegar na sua espada quando é encarregado da tarefa de transportar uma criança misteriosa que as forças das trevas querem eliminar.

O protagonista da história é baseado na figura histórica Yasuke, um samurai de origem africana que serviu sob Oda Nobunaga durante o período dos Estados Guerreiros do Japão no século XVI.

Diferente do que estava achando, Yasuke segue para uma linha completamente mágica ao mesmo tempo que possui um pé no chão com a parte histórica do personagem principal. Isso deu a oportunidade para a série contar uma história que consiga conversar com o público que deseja apenas assistir um anime para se divertir. Outro ponto a favor é a série aborda o período em que não existe mais histórias do Yasuke real, dando a oportunidade para trabalhar melhor o personagem de uma forma mais livre. Por outro lado, esse lado mais mágico acaba sendo um ponto estranho dentro da própria história da série. No lugar de uma história sobre Samurais acabamos vendo diversos seres mágicos e Mechas jogados dentro da história e isso acabou fazendo com que o anime me lembrasse mais uma outra versão do universo de Sengoku Basara, algo que acaba sendo um ponto negativo pois a série acaba não ganhando um diferencial próprio.

O desenvolvimento da história de Yasuke ocorre em volta da prisão que a mente dele está em relação ao seu passado e a toda a história envolvendo Saki é uma muleta para impulsionar a saída da prisão em que o protagonista se encontra e que envolve os remorsos que ele possui em seu passado. Apesar do plot envolvendo a garota ser aparentemente simples, ele funciona bem para trabalhar o desenvolvimento necessário para que o público possa conhecer o suficiente da história passada de Yasuke. Algumas outras informações sobre a história do personagem são reveladas através de diálogo e esse artifício funciona no momento em que ele é utilizado.

Um dos assuntos abordados no decorrer da série é sobre formas de prisões, no decorrer da história vemos sobre a abordagem deste assunto através da forma com que os Samurais servem a um senhor da guerra. Nos momentos do passado vemos esse assunto sendo abordado através de diversas ações que Yasuke realiza e as consequências que ele passa a carregar no presente e que levam ele a ficar preso mentalmente ao passado. A prisão também é abordada de outras formas e através de outros personagens e isso acaba colocando um espelho para mostrar que existem outras formas de “prisão”.

Outra questão principal abordada dentro da série é o embate entre o tradicional e o moderno. Isso fica bem claro quando a série possui mechas, seres e poderes mágicos e ao mesmo tempo mostra pessoas que possuem mentalidade em que a tradição tem que ficar acima das outras coisas. Este embate entre o tradicional e o moderno fica mais evidente nos momentos em que vemos o passado de Yasuke como membro do exercito de Oda Nobunaga, nestes momentos vemos o preconceito que o personagem sofre por ser negro e por ser de outra nação. Na série também temos uma versão diferente de Oda Nobunaga, em diversas mídias o grande general é retratado como um vilão violento, já esta versão do personagem é retratada com uma pessoa com uma mente aberta e como isso acaba causando incômodo em algumas pessoas pela forma como Oda aceita pessoas e coisas de outras nações desde que eles tragam benefícios para que ele tenha ganho em suas conquistas. Isso bate bem com a parte histórica do personagem, que aderiu a armas de fogo estrangeiras que lhe ajudaram em muitas de suas conquistas.

A animação produzida pelo estúdio MAPPA para esta série é bastante satisfatória e visualmente bonita em diversos momentos, as cenas de batalha são medianas mesmo diante dos momentos violentos e o ponto fraco acaba sendo os momentos em que os mechas e alguns pontos da cena aparecem em tela e fica bem visível o uso de CGi. Cada personagem possui um visual único e a ambientação para cada cena é bastante diferente em cada local. 

Creio que você tenha se questionado os motivos para eu ter incluído no texto o elenco de voz japonês e inglês. Apesar da série anime possuir um grande elenco de voz em língua japonesa, a base do texto original da história acabou sendo o inglês, isso fica claro em uma cena do primeiro episódio quando Yasuke faz uma citação a um provérbio em língua japonesa e o texto da cena acaba fazendo sentido apenas para quem está assistindo ao anime em inglês. Em outras palavras, ao assistir o anime em japonês o texto desta mesma cena acaba ficando estranha. Portanto recomendo que você assista a série em inglês, que também possui um bom elenco de voz.

Seguindo em uma linha segura, Yasuke consegue abordar o famoso Samurai Negro de uma forma satisfatória ao seguir para uma historia mostrando um período em que não existem registros históricos do personagem. Ao mesmo tempo, a série mostra a história real do personagem através de questões como as prisões que o mantém no passado e o embate entre o tradicional e o moderno. Ao trazer um lado mágico o anime possibilita agradar quem deseja apenas um bom anime de ação, porém a série acaba não ganhando um diferencial e ainda acaba lembrando uma popular franquia de jogos. A animação é bastante satisfatória e com personagens de visuais únicos, porém o ponto fraco acaba sendo o CGi em alguns momentos. No geral, Yasuke é um anime que possui muitos mais acertos do que erros e isso possibilita que ele venha a se tornar uma franquia em potencial no futuro.

Um fã de animes, cinema, games, séries e com um gosto musical incomum. Membro brasileiro do OtakuPT e estudante de Processos Fotográficos.