Entrevista com a escritora do livro Sob a Capa Vermelha

O OtakuPT teve a oportunidade de entrevistar a jovem escritora brasileira Mariana Vitória, autora do livro Sob a Capa Vermelha. A obra do gênero young adults, ou jovens adultos, foi publicada no Brasil pela editora Galera Record.

O livro conta a história de Norina, que inicia uma jornada sombria ao viajar para o outro lado do mundo com o objetivo de salvar a sua mãe Ros. A personagem sempre temeu os “Indomados”, mesmo sem nunca ter saído de casa e visto um deles. Apesar disso, precisará sair em uma missão em busca de sua mãe.

Nor (Norina) terá que se passar por uma princesa que está morta chamada Rhoesemina, garota que dada como desaparecida pela família. A proposta foi feita pela vilã Viira – também chamada de Rainha das Rainhas – que pretende usar essa esperança para o seu bem e encontra na inocência de Nor a peça que faltava para o seu plano. Em troca, a protagonista terá a sua mãe de volta, caso leve a filha de Viira para casar com o príncipe de Gizamyr.


Primeiramente, nos fale um pouco sobre como começou o seu gosto pela escrita e de como surgiu a oportunidade de você lançar o livro Sob a Capa Vermelha pela editora Galera Record.

Desde que me entendo por gente, sempre gostei de contar e ouvir histórias, de todas as maneiras possíveis: teatro, música, arte, todo e qualquer veículo me fascinava, mas o que realmente ganhou meu coração foi a escrita. Aprendi a ler muito cedo e a escrever histórias também, e acho que esse é o meio que me permitiu me expressar mais satisfatória e plenamente, então desde os oito anos falava para quem quisesse ouvir que ia virar escritora quando crescesse!

O Sob a Capa Vermelha é um projeto que comecei em 2013, aos meus catorze anos. Em 2017, o selo jovem da editora Record comemorava seus dez anos com o concurso “Sua História nos Dez Anos da Galera”, em que escritores podiam enviar suas obras para consideração de uma banca de jurados, e o vencedor ganharia a publicação. O tempo coincidiu, eu estava justamente terminando de escrever o Sob a Capa Vermelha; corri feito doida para terminar e revisar e enviei, cheia de ansiedade mas também muito animada…e o resto é história (com final feliz!).

Com o advento da internet e das redes sociais a oportunidade para novos escritores serem notados, pelo público ou por grandes editoras, se tornou mais fácil?

Já que eu não tenho a experiência de publicar numa época sem esses recursos, não me sinto qualificada para comparar. Mas posso dizer que é uma  experiência diferente hoje em dia; um escritor há uma ou duas décadas não tinha que se inteirar de habilidades de autopromoção, por exemplo, no mesmo grau que um escritor de hoje em dia. Por um lado, a comunicação leitor-escritor está muito mais acessível, e eu amo ter essa interação com os meus leitores, desde ler resenhas até ver as fanarts e cosplays, duas formas de arte que ganharam popularidade com o advento da internet.

A história da Chapéuzinho Vermelho já foi contada de diversas formas e em muitas mídias, como foi o processo para criar a sua própria versão da história?

É verdade! Só o conto original tem várias versões. Eu penso na história da Chapeuzinho como uma alegoria, um elemento que me ajuda na construção da trama original. Usei os elementos (a capa vermelha, o lobo, o caminho até a casa da vovó) como símbolos mais do que como peças literais, ressignificando seu uso na trama de um modo que fazia sentido na história e que a enriquecia. No fim, a história da Chapeuzinho é uma jornada de auto-descobrimento, de maturidade; e é isso que tentei passar na história da Norina em Sob a Capa Vermelha.

Teve algum escritor ou obra, seja da literatura ou de outras mídias, que te influenciou durante a criação do universo e da mitologia do livro?

Obviamente, Perrault e os irmãos Grimm me influenciaram muito, mas também alguns escritores mais modernos, principalmente de fantasia época. Já vi o Sob a Capa Vermelha ser comparado a Game of Thrones algumas vezes, o que é uma grande lisonja para mim, porque o George R. R. Martin é um dos grandes escritores de fantasia época da atualidade. Também gosto muito da Marion Zimmer Bradley e da Angela Carter, que tem uma coleção de contos de fadas revisitados sob uma perspectiva mais madura; definitivamente uma fonte de inspiração.

No seu perfil no site da editora Galera Record é descrito que, além de escritora, você é cosplayer, desenhista, bailarina e tocadora de ukulele. Ter conhecimento em diversas outras áreas criativas ajuda na hora de criar para a literatura?

Com certeza. Acho que todo tipo de conhecimento agrega à experiência humana, e no fim ser um escritor é isso: fazer um registro da experiência humana. Fazer cosplay me permite habitar a pele de um personagem por algumas horas, desenhar, capturar um momento na vida de quem estou desenhando, etc. Cada uma dessas coisas me ajuda a entender melhor o mundo em que vivo, e por conseguinte, a escrever sobre ele (mesmo que esteja disfarçado com um nome fantástico na era medieval).

Tem alguma dica você daria para os jovens que desejam começar dentro da carreira literária?

Bom, eu mesma estou logo no começo da minha, mas uma dica que me sinto confortável em compartilhar é: busque consistência, rotina. É claro que inspiração é um elemento importante, mas para quem busca fazer uma carreira literária, não é o suficiente. É preciso disciplina e foco para sentar ao computador todos os dias e trabalhar, mas no fim, o resultado faz tudo valer a pena.

Gostaria de deixar alguma mensagem para o público do OtakuPT?

Agradeço por terem vindo conhecer um pouquinho da minha história e espero que todos aqueles que sonham em se tornar escritores também tenham a coragem e a perseverança para irem atrás desse sonho e a fé para acreditar que ele é possível! Obrigada!


Sob a Capa Vermelha
ISBN: 978-8501115027
Editora: Galera Record
Formato: 22,6 x 15,2 cm
Páginas: 364
Preço: R$ 41,70 / E-book R$ 17,94