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Caldas da Rainha volta a ser palco de cinema português com homenagem a uma realizadora esquecida durante décadas

O iNTERVALOS regressa ao Centro Cultural das Caldas da Rainha esta semana, de 16 a 18 de abril, com Manuela Serra como figura central, a cineasta que fez um único filme, foi premiada lá fora e ignorada cá dentro durante mais de 35 anos.

Há histórias no cinema português que custam a acreditar. Manuela Serra rodou O Movimento das Coisas entre 1979 e 1985, numa aldeia do Minho chamada Lanheses. O filme estreou no Festival de Mannheim, na Alemanha, onde ganhou o Prémio Filmdukat, e passou também pelo Festróia, em Portugal. Nunca chegou ao circuito comercial português. Durante décadas, quase ninguém o viu. Só em 2021 teve finalmente estreia comercial, mais de 35 anos depois de concluído, numa versão restaurada em 4K a partir do negativo original em 16mm.

É esse percurso, de invisibilidade prolongada seguida de redescoberta tardia, que o iNTERVALOS’26 quer trazer à discussão. A segunda edição do Encontro e Mostra de Cinema das Caldas da Rainha arranca esta quinta-feira, 16 de abril, e encerra no sábado, 18, no Centro Cultural e de Congressos da cidade.

Um filme que escapou ao seu tempo

O Movimento das Coisas é descrito como um “documentário poético” sobre o quotidiano de uma comunidade rural do norte de Portugal. Filmado em Lanheses, no concelho de Viana do Castelo, retrata três famílias, o campo, o rio, o trabalho, a missa ao domingo, sem seguir qualquer narrativa convencional.

A realizadora, nascida em 1948, nunca voltou a fazer outro filme. O Movimento das Coisas foi a sua única obra, e essa circunstância acabou por defini-la tanto quanto o próprio filme. O iNTERVALOS propõe não apenas uma exibição, mas um reencontro: Manuela Serra estará presente na sessão dedicada ao filme, que contará também com a participação de Mário Fernandes, José Oliveira e Marta Ramos, os cineastas que realizaram o documentário 35 Anos Depois, O Movimento das Coisas.

Para além da homenagem a Manuela Serra, o iNTERVALOS mantém o formato que o distingue, as sessões conjuntas em diálogo, em que cada cineasta convidado escolhe um filme de outro autor com quem sente afinidade de linguagem ou de percurso. É uma forma de criar relações que não existiriam de outra maneira, entre obras, entre gerações, entre abordagens diferentes ao cinema.

Nesta edição participam, entre outros:

  • João Salaviza e Renée Nader Messora
  • Luísa Homem e Pedro Pinho
  • Paula Tomás Marques e Regina Pessoa
  • Margaux Dauby e Raul Domingues
  • Amarante Abramovici e Lucas Tavares
  • Sílvia das Fadas e Robert Blatt
  • Coletivo Cem Raios t’Abram
  • André Gil Mata
  • Tristany Mundu

Todas as sessões são acompanhadas de conversas abertas ao público, pensadas como prolongamento da experiência de ver o filme, não como comentário externo, mas como parte integrante do programa.

O encontro é uma iniciativa do Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, organizado em parceria com a ESAD.CR, a Associação Cultural OSSO e o Cineclube CR, com apoio do Município e do ICA — Instituto de Cinema e Audiovisual.

  • Datas: 16, 17 e 18 de abril de 2026
  • Local: Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha
  • Bilhete (sessões em diálogo): 2 euros
  • Bilhete estudante: gratuito (requer levantamento na bilheteira)
  • Restantes iniciativas: gratuitas, sujeitas a lotação do pequeno auditório

Programa completo em ccc.com.pt.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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