
Desde abril de 2024, quando a Warner Bros. anunciou que um quinto filme da saga Matrix estava em desenvolvimento, com Drew Goddard como realizador e argumentista, o silêncio foi tão absoluto que muitos fãs começaram a suspeitar que o projeto tinha sido discretamente abandonado. Essa dúvida ficou parcialmente respondida a 28 de fevereiro, numa entrevista ao Screen Rant a propósito do seu próximo filme, Project Hail Mary. Goddard foi direto: “Está ainda a ser desenvolvido. Estou na minha caverna de escrita a escrever. Não sei quanto tempo vou ficar nessa caverna de escrita, mas quando sair, terei novidades para partilhar”.
É pouco. Mas num projeto desta dimensão, a confirmação de que o trabalho avança, ainda que sem cronograma definido, é a primeira informação concreta desde o anúncio inicial.
O contexto em que Matrix 5 nasce não é exatamente fácil. The Matrix Resurrections, estreado em 2021, custou 190 milhões de dólares a produzir e arrecadou apenas 37 milhões nas bilheteiras norte-americanas, num lançamento simultâneo em salas e na HBO Max que dividiu a receita e complicou qualquer análise de desempenho. A trilogia original, por comparação, gerou 1,8 mil milhões de dólares globalmente: 467 milhões com o primeiro filme, 741 com Reloaded e 427 com Revolutions.
É neste cenário que Goddard entra, a primeira vez que a franquia será dirigida por alguém fora do duo Wachowski. Lana Wachowski, que realizou Resurrections a solo após a saída da irmã Lily do projeto, mantém-se ligada ao filme como produtora executiva, e Sarah Esberg deverá assumir a produção. Em abril de 2024, o presidente de produção da Warner Bros., Jesse Ehrman, descreveu a abordagem de Goddard desta forma: a história “vai avançar o mundo fantástico sem se afastar demasiado do que tornou a série um sucesso”.
Sobre o elenco, não há qualquer confirmação. A questão mais óbvia é se Keanu Reeves regressará como Neo, e a resposta mais recente do próprio ator, dada à Empire anos atrás, foi condicionada: “Se ela me convidar novamente, estou dentro”. O “ela” é Lana Wachowski. Com a realizadora a passar para produtor executiva e Goddard a tomar as rédeas criativas, o regresso de Reeves fica dependente de variáveis que ainda não estão resolvidas. Lawrence Fishburne, ausente de Resurrections, já indicou publicamente que não seria contra regressar como Morpheus em algum momento futuro.
Goddard chega ao projeto com um currículo que vai bastante além do que o público em geral associa ao seu nome. É o realizador de The Cabin in the Woods e Bad Times at the El Royale, escreveu o argumento de Cloverfield, World War Z e The Martian, e trabalhou como argumentista em séries como Buffy the Vampire Slayer, Alias e Lost. Paralelamente a Matrix 5, está também a desenvolver o argumento de um western para Ridley Scott, o que ajuda a perceber por que razão não existe um calendário definitivo para nenhum dos dois projetos. Project Hail Mary, o filme de ficção científica baseado no romance de Andy Weir e protagonizado por Ryan Gosling e Sandra Hüller, que Goddard coescreveu como produtor executivo, chega às salas a 20 de março.
Não existe data de estreia, não existe elenco confirmado e não existe qualquer detalhe sobre a história de Matrix 5. O que existe é a garantia de que o projeto não foi cancelado e que alguém com historial criativo sólido está a trabalhar nele sem pressão de prazo, o que, depois do que aconteceu com Resurrections, pode ser precisamente o que a franquia precisa.








