Destaque Cosplayer: Sofy Cosplay

 

fotografia de Joana Rolo

“Não tenhas medo de errar.”  é a dica que Sofy Cosplay gostava de ter recebido quando se aventurou no mundo do cosplay.

A Ana Sofia Gonçalves tem 24 anos, mora em Coimbra e terminou recentemente mestrado nas áreas de Design Gráfico e Web Design. Contudo, desde os 16 anos que dedica o seu tempo livre a elaborar fatos e adereços de personagens de video jogos e animação japonesa, e a incorporar ditas personagens para eventos ou sessões fotográficas. Vamos então explorar um pouco este hobby na vida de mais um cosplayer português.

fotografia de Felix Works

Ana descobriu o cosplay apartir de uma colecção dedicada ao ensino do desenho no estilo manga japonês. Na altura não pensou no assunto assumindo que era algo que só acontecia no Japão. Mais tarde, em 2006, teve a oportunidade de participar num evento em Ourém no qual viu cosplay em Portugal pela primeira vez. O seu interesse veio a aumentar quando o acesso à internet se tornou mais fácil e pode explorar mais o tema.

Assim, no meet ‘FUPO’ em 2009, a Ana vestiu pela primeira vez a pele de uma das suas personagens preferidas, o Sora de Kingdom Hearts.

“Mal eu sabia o trabalho que tinha pela frente… Na altura foi uma grande aventura porque tive de aprender a costurar, algo que nunca tinha feito antes. Uma amiga minha e a sua avó é que me ensinaram os básicos de costura e moldes. (…) Fiz o cosplay sem peruca, na altura mal sabia da magia que era o ebay, então tentei usar o meu cabelo com uma mão cheia de gel (não recomendo).”


fotografia de Annie Cos

– Que dica gostavas que te tivessem dado quando começaste?

“Não tenhas medo de errar.
Sou bastante perfeccionista ao ponto de repetir partes inteiras de fatos porque me enganei num ponto ou dois pontos. Por vezes passo dias na mesma peça porque ainda vejo um erro ou vejo linhas que deviam estar invisíveis. Tenho um grande medo de errar e que as coisas não funcionem.”

Quando Ana vestiu o seu primeiro cosplay para um encontro português, acabou cansada e com o seu adereço (keyblade do Sora) partido. No entanto, diz que estava tão contente por terem reconhecido a personagem e pela diversão que nem ligou ao sucedido e até hoje continua a fazer cosplay.

– Qual é a reacção das pessoas nos eventos, como te recebem?

“Depende muito do fato. Há pessoas que vêm ter comigo independentemente do fato porque já me conhecem. Adoro ter esses pequenos momentos de conversa com as diferentes pessoas que encontro nos eventos. Muitas vezes, é a única oportunidade de estar com eles. Sou sempre bem recebida e é bom passar esses momentos.
Depois há pessoas que só vêm ter comigo ou reagem se estiver a usar um fato que seja mais popular. Consegue ser raro para mim.
Posso dizer que sou sempre bem recebida por todos os que me conhecem e de resto depende do fato que usar. Como qualquer outra pessoa, consigo passar bem despercebida num evento!”


fotografia de TheGothicaPhotography

– Queres falar de algum aspecto negativo na comunidade do cosplay?

“Algo que acontece bastante nesta comunidade e que pode acontecer a qualquer um de nós…

Olhares de lado, por uma pessoa estar a fazer o mesmo cosplay que tu. Acho tão desagradável, e dá sempre mau ambiente. Somos tomos cosplayers, todos fizemos o nosso mehor com os fatos, sejam comprados ou não. Acredito que todos podemos fazer cosplay, seja com FATOS COMPRADOS ou FEITOS POR NÓS. Nem todos sabemos costurar, nem todos somos bons a realizarprops ou a estilizar uma peruca, e não existe nenhum problema com isso. E NINGUÉM tem o direito de te por de parte só porque não tens o corpo da personagem ou a cor de pele, não somos bonecos!”
Como também olhares de lado porque alguém não gosta de outra pessoa. Nota para todos: se têm problemas com alguém, tratem fora dos eventos. Os eventos servem para juntar as pessoas que partilham a mesma paixão. Se passares o evento a focares-te numa pessoa que não gostas, vais perder o evento sentado a fazer figura de parvo. Só dá má fama a quem o faz e aos eventos.
Muitas pessoas fazem cosplay apenas porque se querem divertir. Apenas querem mostrar o quanto gostam da personagem.”

– Já conhecias outras pessoas que faziam cosplay antes de começares?

“Na realidade não. Quando começei não tinha grande acesso à internet, então pouco tempo passava em fórums. E sendo de Coimbra, uma vez que na altura a maior parte da comunidade se encontrava em Lisboa e no Porto, não tive assim ninguém que e guiasse no mundo do cosplay. “

– O que é que te fez querer voltar?

“Cheguei ao primeiro evento sem conhecer ninguém, mas senti-me tão bem acolhida nesse dia… acabei por conhecer algumas pessoas da comunidade, e isso fez-me continuar com o cosplay nos anos seguintes.”


fotografia de Annie Cos

– Hora de escolher uma equipa: crafting, costura ou caracterização?

“Hhmmmmm…..crafting. Mesmo gostando da parte da caracterização, principalmente estilização de perucas. Crafting acaba por ser a parte de cosplay que mais adoro, mesmo por vezes sendo a mais stressante. Adoro visualizar um objecto e transformá-lo em algo real, como também pesquisar sobre novos métodos de construção e utilização dos materiais.”

– Há algum prop em específico que te tenha dado mais gosto fazer?

“Eu passo por fases de gostar e não gostar do prop que estou a fazer, dependendo de como as coisas estão a correr… Mas posso dizer que o Amon’s Metal Vessel (espada de Alibaba da anime Magi) e a Majora (Legend of Zelda) foram dois que gostei imenso. Tanto uma como outra, começei sem saber o que devia fazer, li tutoriais e técnicas diferentes, e no fim foi experimentar. Muitos dos meus props passam por esse processo, e acabo por gostar mais quando começo a chegar a uma forma mais finalizada do prop.”


fotografia de Nini

– Adquiriste então muitas técnicas ao experimentar e falhar, experimentar e suceder! Queres partilhar algum tutorial teu?

  • Encadernar livros (link)
  • Personalizar botas (link)
  • Personalizar linha do cabelo da peruca (link)

– Qual é a coisa mais chata que te pode acontecer durante a criação de um prop?

“Partir-se! E ficar cheia de sangue! Sou um desastre ambulante. Sou capaz de encostrar as coisas num canto e ir contra elas, ou mesmo quando pratico para skits! Sou um perigo com coisas afiadas. É definitivamente o mais chato.”


fotografia de Ponto Focal

– O cosplay é profissão para muitos e competição para outros, apenas hobby para a maioria. O que dirias que é para ti, na tua vida?

“Eu considero o cosplay um hobby e uma paixão.
É importante para mim, mas não é o topo da minha vida. Já pus e ponho o cosplay de lado em prole da faculdade, vida pessoal e saúde. Isso é mais importante para mim que o cosplay.
Não me vou matar a fazer um fato de última hora para um evento ou competição só porque tenho de fazer e tenho que competir. Se não me sentir financeiramente estável para fazer mais que dois fatos por ano, não faço.
Dou prioridade ao estudos e à família, sempre. . Depois tento escolher personagens que amo, de jogos ou séries que admiro, mesmo sabendo que maioria das pessoas nao vão saber o que eu estou a fazer.”

– Para uma pessoa que esteja a ler isto e ainda não fez um cosplay:

“Não tenhas medo, escolhe uma personagem que gostes. Trabalho aos poucos e não tenhas medo de pedir ajuda! Existem pessoas que te podem ajudar. Não te preocupes com perfeição. Quando estiveres num evento, não te escondas num canto, vem ter connosco, ou outras pessoas de cosplay da mesma série que tu, mete conversa. Eu sei que não é fácil, mas se nunca tentares, nunca vais saber se gostas!”

 


fotografia de Nini

 

Podem seguir o trabalho da Ana nas suas páginas:

Facebook: https://www.facebook.com/sofycosplay/
Instagram: https://www.instagram.com/sofy_202/
Tumblr: http://sofy-cos.tumblr.com/
DeviantArt: http://sofy-cos.deviantart.com/

“Não tenham medo de vir-me pedir ajuda! Eu estou pronta a ajudar qualquer pessoa. Posso não saber tudo o que seja sobre o assunto, mas estarei sempre aqui para tentar ajudar qualquer pessoa.”

 

 


fotografia de Felix Works

 

Fotografias por Felix Works, TheGothicaPhotography, Annie CosPonto Focal e Nini Art & Cosplay.

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