Cobertura Comic Con Experience 2015 – Brasil

fig01Depois de um mês para assimilar e degustar tudo, resolvemos escrever nosso relato sobre a Comic Con Experience 2015 (fotos aqui). Sim, as vezes é preciso de um tempo para processar as coisas antes de relatar algo. Um motivo é porque um evento dessa magnitude é cansativo, outro é a frustração de nos vermos obrigados a escolher entre as diversas atrações que aconteciam ao mesmo tempo e não queríamos que nosso cansaço ou frustração interferisse na nossa opinião quanto ao evento.

Começando por uma visão geral da coisa, confesso que nos espantamos com a magnitude da CCXP2015. Foi um evento realmente grandioso e a organização está de parabéns. Banheiros sempre limpos e cuidados, ordem nas filas e pessoal atencioso. Havia transporte disponível do metrô até o evento e de volta ao metrô e, apesar da grande fila, tudo andava rápido. Nos foi liberado a entrada para o evento como imprensa na quinta e sexta (3 e 4 de Dezembro). Apesar de serem quatro dias e no sábado e domingo estarem reservadas para as maiores atrações, considero que os dois primeiros dias já foram, para mim, mais do que o suficiente. Se nesses dois dias o evento já estava cheio, imagino como deve ter ficado no final de semana. Na quinta chegamos cedo para o credenciamento e a coletiva de imprensa. Fomos muito bem recebidos e tivemos a oportunidade de poder entrar antes do público em geral. Assim, pudemos dar uma boa volta para nos localizar no local como um todo.

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Depois de caminhar muito e tirar várias fotos, resolvemos dar uma chance aos painéis. Começamos pelo painel “A Califórnia de Marina Person” no auditório Prime às 13h30. O painel foi a apresentação do primeiro longa de ficção da cineasta Marina Person (antiga apresentadora da MTV brasileira). Algumas cenas do filme foram apresentadas e houve espaço para conversa com a diretora. O filme trata de uma história de ficção que passa na década de 80. Para mim, que passei por essa época, foi muito legal poder sentir a atmosfera, ver a estética e ouvir partes da trilha sonora. Confesso que despertou um sentimento saudosista. Para quem não passou pelos anos 80, tem a história que é muito interessante e mesmo a visão de como nos divertíamos antigamente, sem celular, smartphone, computadores, internet, mp3 player, etc. Definitivamente está na minha lista de filmes para ir ver no cinema e indico a todos. A Marina em si foi muito simpática e respondeu as perguntas lindamente.

Em seguida fomos para o painel “Reza a Lenda” no auditório Cinemark as 14h30. Foram apresentadas algumas boas cenas do filme de ação brasileiro do cineasta Homero Olivetto,fig03 uma mistura de Mad Max com Faroeste no sertão brasileiro. O painel fechou com um bate papo com o diretor. Eu, pessoalmente, fiquei bastante ansioso para assistir o filme. Haviam vários elementos referenciais ali de gêneros cinematográficos que sou fã e ver uma produção assim na nossa terrinha me deixa muito feliz.

Às 16h30 voltamos ao auditório Cinemark para assistir ao painel “DC Comics Oficial” com várias surpresas, futuro do Batman, Superman e Mulher-Maravilha, além de conversas com o quadrinista Jim Lee.

Após mais uma volta pelo evento e um tempo para um lanchinho, às 17h30 fomos para o painel dos irmãos Castro no Auditório Prime. Os irmãos Marcos e Matheus (conhecidos pelo vídeo no youtube A Lenda do Herói), sempre muito simpáticos e divertidos, foram apresentar o jogo digital que foi desenvolvido baseado no vídeo, assim como o processo para arrecadar fundos para a sua produção. Pudemos ver alguns gameplays e imagens de personagens do game.

fig04Para a quinta-feira foi nossa deixa. Demos mais uma volta no evento e voltamos para o hotel. Contudo, obviamente, eu não poderia deixar de ir visitar no bairro Liberdade um dos meus restaurantes favoritos, o restaurante japonês Kidoairaku e não, não fomos para comer sushi, fomos para comer comida japonesa. O restaurante é um lugar bastante simples e se parece com uma casa antiga. Logo na entrada há uma senhorinha japonesa que fica em uma mesa assistindo programas orientais na televisão. Ela nos cumprimenta simpaticamente “irashaimase”. Fomos levados até nossa mesa. Pudemos apreciar comidas deliciosas e realmente é triste não ter estômago para experimentar tudo. Comemos lula ao molho de gengibre, tomamos um delicioso Lamen (oishii!!!) e outras delícias mais, fechando com um sake quente. Você realmente sente que está no Japão, pois todos ali (ou quase) estão falando em japonês, clientes e atendentes. Não posso ir à São Paulo e deixar de ir no Kidoairaku, simplesmente não dá.

fig05Ok! sem me dispersar tanto, volto agora aos relatos da CCXP. Na sexta-feira voltamos ao evento e procuramos chegar cedo, pois queríamos assistir ao painel “E meu machado!” com o ator John Rhys-Davies no auditório Cinemark, que interpretou o Gimli na trilogia “O Senhor dos Anéis”. Quando liberaram a entrada, foi uma correria só. Apesar de estarmos na fila da imprensa, fomos em nosso próprio ritmo e acabamos já pegando uma boa fila para entrar no painel. Felizmente, quando liberaram, entrar não foi tão demorado, mas por outro lado acabamos conseguindo um lugar não muito bom para tirar fotos. A apresentação de John foi bastante descontraída e divertida. Ele tem uma excelente desenvoltura e um sotaque muito legal, além de sua maneira não negada à um ator Sheakesperiano. Durante as perguntas John se levantou, saiu da área de proteção e foi passear no meio público.

fig06Já ficamos para o painel seguinte, que era uma grande expectativa para nós, jogadores viciados em World of Warcraft. A Universal foi falar sobre a adaptação do filme jogo da Blizzard para o cinema e do filme “A Bruxa”. Confesso que fiquei decepcionado na apresentação do filme Warcraft. Eles apenas mostraram o trailer que já estava disponível na internet há dias e não trouxeram nada de novidade. Até levaram gente para discutir sobre o game e as expectativas do filme, incluindo a Flávia Alves do site WOWGIRL, mas quando a conversa estava engrenando, foi encerrada subitamente. Realmente muito triste. Depois falaram sobre o filme “A Bruxa” e trouxeram cenas exclusivas. O filme parece ser muito bom, mas eu já estava meio minguado e decepcionado pela minha expectativa frustrada.

Bem, depois disso era nossa intenção sair para ver outras coisas e voltar depois, mas todos que falávamos diziam que se a gente saísse não conseguiria mais voltar para assistir aos próximos painéis. Acho triste que, mesmo as pessoas que entraram no evento como imprensa, não tiveram uma certa maleabilidade para poder transitar de forma mais acessível. Por outro lado entendo também que com um grande aumento de veículos de comunicação nessa época de blogs, vlogs, youtubers, etc., fica difícil para a organização liberar para todos. Enfim, decidimos ficar por lá mesmo nesse dia.

fig07Às 12h30 teve o painel do “Umbrella Academy” com o roteirista Gerard Way e o ilustrador Gabriel Bá falando sobre a HQ Umbrella Academy, publicada no Brasil pela Devir. Apesar de ser um trabalho bastante interessante, houveram inconvenientes intervenções de fãs do vocalista do My Chemical Romance para ele cantar uma “palhinha”. Ficou bastante claro pelas respostas dele que Gerard esperava um pouco mais de conversa sobre o trabalho atual dele em relação à sua HQ. Ele deve ter ficado um pouco frustrado, acredito eu. Fica a dica para os fãs em geral, tenham foco e valorizem outros trabalhos que seu ídolo também faz.

Às 13h30 vimos o painel “All-New All-Different” da Marvel Comics com a presença de vários quadrinistas, inclusive brasileiros que trabalham para a DC. Contaram histórias, falaram do trabalho em geral, mostraram trabalhos antigos e fizeram um paralelo com diversas novidades que estão por vir, incluindo o Marvel Apocalypse Wars.

fig08Às 14h30 foi a vez do painel da “Fox Animation”. Tivemos a participação do brasileiro Carlos Saldanha e nos deliciamos com a mais nova aventura do esquilo da franquia “A Era do Gelo”. Também pudemos ver de primeira mão curiosidades do processo da transformação da animação do Snoopy para o formato de animação 3D e alguns trechos exclusivos. Por fim, vimos alguns trechos da animação Kung Fu Panda 3 onde o ator Lucio Mauro Filho, dublador brasileiro do Panda Po, fez algumas considerações sobre seu trabalho.

Já estávamos exaustos e loucos para sair do auditório, mas como queríamos cobrir alguns painéis que ficaram para o final, insistimos em ficar. Seguimos então para a apresentação da “Fox Studios” às 15h30. Não tiramos fotos, pois não podíamos. A apresentação ficou basicamente em passar trechos exclusivos do filme Deadpool e X-Men Apocalypse. Com grandes filmes vem grandes responsabilidades. Sim! ansioso para poder ver no cinema.

fig09Em seguida, às 16h30 tivemos o painel do “Tributo a Frank Miller” com a presença do próprio! Muitas histórias divertidas da experiência dele como quadrinista. Tiramos algumas fotos, mas a partir desse momento os seguranças não nos deixavam mais nos aproximar. Mesmo estando longe da grade de segurança e mostrando o crachá de imprensa, fomos enxotados várias vezes. Confesso ter ficado um pouco decepcionado com isso. Tivemos que nos contentar em tirar fotos de longe e pegando mais as imagens do telão.

Depois veio o “Tributo a Jim Lee” as 17h30. O foco do painel ficou nas histórias de vida e carreira dele, falando sobre os trabalhos que participou, influências e tudo pelo que passou.

fig10Por fim, às 18:30h, veio o painel da Netflix. Inicialmente foram mostradas cenas dos bastidores de Jessica Jones e seguiu com uma conversa com os atores Kristen Ritter e David Tennant. Essa conversa foi interrompida de forma repentina. O ator David Tennant chegou a questionar o porque do término, mas não obteve uma resposta. Em seguida vieram os atores Aml Ameen, Jamie Clayton e Alfonso Herrera falar sobre a aclamada série Sense 8. Nesse último painel o púbico ficou um pouco alvoroçado, tornando difícil para os seguranças e os organizadores conter o pessoal, mas no final deu tudo certo.

Fechando esse painel, decidimos ir embora. Estávamos esgotados e com a certeza de que dois dias eram mais do que o suficiente. Nem ânimo para dar uma volta final pelos estandes tivemos. Sabíamos que as atrações nos dias que se seguiriam (sábado e domingo) seriam excelentes, mas não ficaríamos tristes em não poder presenciar, pois participar de um evento grande assim é muito cansativo. Em evento desse porte, vale à pena analisar profundamente se vale a pena comparecer todos os dias, dependendo do ânimo e disposição das pessoas.

Tomamos nossa decisão de ficar no auditório Cinemark na sexta-feira, para ver os painéis, pois se saíssemos seria difícil voltar. Contudo, ficamos frustrados, pois não foi possível ver outros painéis legais que aconteceram aos mesmo tempo, em outros auditórios. Uma pena mesmo. De qualquer forma, devemos aceitar. Em eventos assim é importante serem focados, decidir previamente o que você quer ver ou participar e batalhar por aquilo. É difícil, cansativo, mas vale a pena.

Também tiramos várias fotos de cosplayers. Estavam todos muito bem trabalhados e esforçaram-se muito para conseguir bons resultados. Entretanto, achei estranho a forma como o pessoal em geral abordava os cosplayers para tirar fotos. As pessoas empurravam outras pessoas e os próprios cosplayers, interrompiam outros fotógrafos e não pediam para tirar foto. Na nossa região estamos mais acostumados a ter um maior respeito ao cosplayer, pedir permissão para tirar foto, esperar outras pessoas tirarem fotografarem e coisas do gênero. Acredito que para muitos, a cultura do cosplay é uma certa novidade e ainda não estão acostumados com algumas etiquetas na hora de abordar o artista (sim, cosplay é arte!) e respeitar o seu momento.

Mais uma vez, deixo aqui meus parabéns para todos que batalharam pela Comic Con Experience 2015. Parabéns pela organização, pela coragem e pelos ótimos resultados.

Você pode acessar todas as fotos que tiramos na CCXP 2015 no link https://goo.gl/photos/ZFgQ3p2E5k5msj3U7.

por Noctislupus e Pati_Althea.