
Na tarde de terça-feira, 7 de abril, por volta das 16h, funcionários da estação JR de Shizuoka avistaram um homem a descer da plataforma e a seguir a pé pelos carris do Tokaido Shinkansen, uma das linhas ferroviárias mais movimentadas do Japão, que liga Tóquio a Quioto e Osaka. Cerca de 30 minutos depois, o mesmo indivíduo surgiu na estação vizinha de Higashi-Shizuoka, a aproximadamente 2,5 quilómetros de distância, onde saltou uma vedação para regressar à plataforma e foi imediatamente detido por um funcionário.
O homem identificado pelas autoridades japonesas é Thiago Yamaguchi Pereira, um cidadão brasileiro de 39 anos residente em Higashihiroshima, na província de Hiroshima. Confessou os factos e admitiu ter violado a lei japonesa que protege a operação segura dos comboios de alta velocidade. A sua justificação, porém, deixou as autoridades de sobrancelhas levantadas: afirmou que estava a ser perseguido pela yakuza e que desceu para os carris para lhes escapar.
A JR Central suspendeu imediatamente a circulação em ambos os sentidos na secção afetada da linha enquanto se realizavam inspeções de segurança. A interrupção prolongou-se por cerca de 70 minutos, atrasou 64 comboios e afetou aproximadamente 56 mil passageiros. O serviço foi retomado por volta das 17h.
A versão apresentada por Thiago não foi ainda corroborada por qualquer testemunha ou registo. Recorde-se que o suspeito reside em Hiroshima, a centenas de quilómetros de Shizuoka, o que levanta questões sobre o que o terá levado àquela cidade em primeiro lugar. A polícia da província de Shizuoka está a investigar a veracidade das suas declarações e a apurar se existe de facto qualquer ligação a grupos de crime organizado.
Vale a pena notar que as grandes estações ferroviárias japonesas dispõem, regra geral, de pelo menos um posto policial no interior ou nas imediações do edifício, uma alternativa consideravelmente menos arriscada do que saltar para os carris de um comboio-bala caso alguém se encontre em perigo imediato.








