Perto das 22h00 da noite de 12 de março, a central de emergências de Kumamoto, no Japão, começou a receber chamadas a reportar um veículo em chamas a circular pelas ruas da cidade. Depois de uma chamada, vieram mais. E mais. O motivo pelo qual os relatos continuavam a chegar de pontos diferentes da cidade era simples: o camião estava em andamento.
Não se tratava de um pequeno foco de fumo. As imagens captadas por câmaras de segurança e que rapidamente se espalharam nas redes sociais mostram a traseira do veículo completamente engolida pelas chamas, uma bola de fogo a percorrer a Rota Nacional 3, ao longo do Rio Shirakawa, no centro de Kumamoto. Enquanto avançava, o camião deixava para trás destroços a arder, e batatas-doces em chamas a cair no asfalto.
O veículo era um yakiimo truck, um tipo de furgão muito comum no Japão, equipado com um forno a lenha na traseira para assar batatas-doces (yakiimo, em japonês). Funcionam de forma semelhante aos carrinhos de gelados, circulam devagar pelos bairros residenciais e de entretenimento, com uma melodia a tocar para atrair clientes. Naquela noite, porém, este camião ia o mais rápido que conseguia, com o condutor, um homem na casa dos 70 anos, a fazer soar insistentemente a buzina para alertar os outros condutores e peões para a bola de fogo que precisava de passar.
O camião percorreu cerca de dois quilómetros e chegou à Corporação de Bombeiros Oeste pela Rota Nacional 3, partindo da zona central do bairro de Chuo. As chamas foram extintas cerca de uma hora depois, mas o veículo de duas toneladas, incluindo a estrutura metálica, ficou completamente destruído. O homem não ficou ferido.
O condutor explicou mais tarde que, enquanto fazia a sua ronda habitual de venda de batatas, reparou que havia fumo a sair da traseira. Já no centro da cidade, e relativamente perto de um quartel, decidiu que a melhor solução era dirigir-se diretamente até lá.
O camião era um rosto familiar na comunidade local. Conhecido pela coleção de figuras de personagens que ostentava no teto da cabine, tinha ganho o apelido de Gekko Kamen, referência a um popular herói de uma série de televisão japonesa dos anos 1950. Nas redes sociais, os comentários não tardaram a surgir, e o humor acabou por misturar-se com a perplexidade.
Dado o vídeo viral o Departamento de Bombeiros de Kumamoto afirmou que não é aconselhável continuar a conduzir um veículo em chamas na direção do quartel. Não só é perigoso para o condutor permanecer dentro de um veículo a arder, como os destroços incandescentes que caem podem provocar outros incêndios, ferir peões nas proximidades e obstruir a via, dificultando o trabalho dos bombeiros e das equipas de emergência médica. A recomendação oficial é parar o veículo num local seguro e aberto, longe de materiais inflamáveis, desligar o motor, ligar as luzes de emergência, sair do veículo, afastar-se o máximo possível e ligar o 119, o número de emergência no Japão.
A polícia de Kumamoto recebeu múltiplas chamadas na noite de quinta-feira a reportar um veículo a grande velocidade enquanto era devorado pelas chamas. Nas imagens que circulam online é possível ver o camião a passar por um cruzamento com o semáforo vermelho, a traseira completamente em chamas e com fumo espesso a elevar-se , e mesmo assim a continuar em frente.
Como os yakiimo trucks utilizam fornos a lenha, a causa mais provável do incêndio terá sido uma falha nesse sistema. A maioria destes camiões no Japão pertence à categoria kei de veículos de pequenas dimensões, mas o camião que ardeu em Kumamoto era consideravelmente maior, o que pode ter contribuído para a incapacidade do condutor de extinguir o fogo por conta própria.
Apesar do aparato, não houve feridos, nem entre o condutor, nem entre os transeuntes que assistiram, perplexos, ao espetáculo. As imagens tornaram-se virais nas redes sociais, com muitos utilizadores a questionar o juízo do condutor, enquanto outros tentavam identificar o camião. A causa exata do incêndio continua sob investigação.









