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    Dezenas de concertos japoneses cancelados na China após declarações sobre Taiwan

    Ayumi Hamasaki, KOTOKO e outros artistas viram espetáculos interrompidos enquanto tensão diplomática escala

    Oshi no Ko movie live-action pv screenshot

    A cena cultural chinesa sofreu uma reviravolta abrupta nas últimas 48 horas, com o cancelamento em massa de concertos de artistas japoneses em várias cidades do país. O evento LisAni! LIVE Shanghai 2025, previsto para o fim de semana, foi cancelado sem aviso prévio, deixando milhares de fãs sem conseguir assistir a performances de nomes como KOTOKO, Minori Chihara, halca e fripSide.

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    LisAni! justificou o cancelamento invocando “força maior”, um termo contratual utilizado quando circunstâncias fora do controlo das partes impedem o cumprimento de obrigações. A empresa prometeu reembolsar todos os bilhetes num prazo de 30 dias.

    O Bandai Namco Festival 2025, que estava a decorrer em Xangai, viu todas as suas atuações de palco canceladas. Maki Otsuki revelou que a sua performance foi interrompida a meio de uma canção, devido a “circunstâncias inevitáveis”. O grupo Momoiro Clover Z também estava entre os artistas programados.

    A lista de cancelamentos estendeu-se rapidamente. Ayumi Hamasaki cancelou um concerto em Xangai marcado para sábado, enquanto a artista virtual KAF viu um evento solo de dois dias desaparecer do calendário. A banda SID cancelou concertos tanto em Xangai como em Pequim.

    As situações mais dramáticas ocorreram em Pequim, onde músicos foram impedidos de atuar mesmo após concluírem as verificações de som. Christian Petersen-Clausen, agente musical que organizou mais de 70 concertos na China no último ano, descreveu à CNBC o momento em que polícias à paisana entraram numa sala de concertos: “O dono da sala de espetáculos veio ter comigo e disse: ‘A polícia informou-me que o evento desta noite está cancelado. Sem discussão’.

    O concerto de KOKIA em Pequim foi cancelado após a banda ter sido impedida de aceder ao local, apesar de os músicos estarem prontos para atuar. Fãs relataram ter esperado mais de uma hora do lado de fora do espaço, muito depois da hora prevista para o início do espetáculo. A cantora já cancelou também uma data prevista para janeiro de 2026 em Xangai, tal como Shuka Saitō cancelou um concerto solo agendado para dezembro.

    A origem desta vaga de cancelamentos remonta a 7 de novembro, quando a primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi declarou no parlamento que um ataque chinês a Taiwan poderia constituir “uma situação que ameaça a sobrevivência do Japão”, permitindo potencialmente ao Japão tomar ações militares. A declaração referenciava legislação de 2015 da administração Shinzō Abe que introduziu o conceito de “situação de ameaça à sobrevivência” do país.

    A resposta chinesa foi imediata e multifacetada. O Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês condenou os comentários, enquanto a porta-voz Mao Ning exigiu que Takaichi retratasse as suas declarações.

    As autoridades chinesas aconselharam os seus cidadãos a evitarem viagens ao Japão, com várias companhias aéreas chinesas a oferecerem reembolsos gratuitos para voos com destino ao país. Segundo a Reuters a China tem um histórico de utilizar boicotes culturais como forma de coerção económica durante disputas diplomáticas, citando como precedente o caso da Coreia do Sul após a instalação do sistema de defesa antimíssil THAAD em 2016.

    A indústria cinematográfica também não escapou às repercussões. As estreias chinesas dos filmes Eiga Crayon Shin-chan Chō Karei! Shakunetsu no Kasukabe Dancers e da adaptação live-action de Cells at Work! foram adiadas sem novas datas anunciadas, segundo reportou a Xinhua. A emissora pública de Hong Kong RTHK também suspendeu a transmissão de Cells at Work!.

    Os locais de espetáculos em Pequim, Xangai e Guangzhou receberam instruções das autoridades para se prepararem para a eventualidade de cancelamentos de concertos com músicos japoneses até ao final de 2025. As salas foram ainda orientadas a suspender novas candidaturas para performances de artistas japoneses em 2026.

    O impacto económico começa a fazer-se sentir. Viajantes da China e Hong Kong representam o maior número de visitantes estrangeiros no Japão anualmente, com 7,48 milhões de turistas chineses de janeiro a setembro deste ano.

    Para os fãs chineses que esperavam ansiosamente por estes concertos, a frustração é palpável. Vídeos circularam nas redes sociais mostrando multidões do lado de fora de locais de concertos a gritar “Devolvam-nos o nosso dinheiro!”, enquanto publicações na plataforma RedNote descreviam a deceção de ver bandas prontas para tocar mas impedidas de subir ao palco.

    A crise cultural surge num momento em que a China enfrenta uma desaceleração económica prolongada, e os concertos ao vivo representam uma importante válvula de escape para muitos jovens chineses.

    Enquanto o Japão enviou um enviado sénior à China para assegurar que as suas políticas não mudaram, Takaichi mantém-se firme nas suas declarações, embora tenha afirmado que não comentará mais cenários hipotéticos específicos. A primeira-ministra japonesa, que assumiu o cargo há menos de um mês, viu as suas taxas de aprovação situarem-se perto dos 70%, mas uma sondagem da agência Kyodo revelou que os japoneses estão divididos quanto à questão de exercer o direito de autodefesa coletiva no caso de um conflito em Taiwan.

    SourceOricon
    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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