
No sábado, 21 de fevereiro, o Templo Saidaiji Kannon-in, em Okayama, voltou a ser palco de uma das tradições mais antigas e caóticas do Japão. O Hadaka Matsuri, que se traduz literalmente como “festival nu”, reuniu cerca de 10 000 participantes vestidos apenas com um mawashi, o tanga tradicional usado pelos lutadores de sumo, em plena noite de inverno. A edição deste ano terminou com seis hospitalizações e três homens inconscientes.
Segundo a NHK, a televisão pública japonesa,os feridos foram transportados de ambulância por volta das 22h00. Três dos seis estavam inconscientes no momento em que foram socorridos.
O momento mais perigoso do festival é sempre o mesmo: perto das 22h00, as luzes do pavilhão principal do templo são apagadas por completo. É nesse instante de escuridão total que o sacerdote-chefe atira dois bastões sagrados de madeira, chamados shingi, para dentro da multidão comprimida. Quem conseguir agarrar um deles ganha o título de fukuotoko, o “homem da sorte” do ano, e, segundo a crença, prosperidade para os meses seguintes. Antes dos shingi, são ainda lançados cem bastões menores, os kushigo, o que já por si desencadeia uma corrida frenética entre os participantes.
Podem ver o vídeo em baixo da confusão gerada este ano.
来週には国府宮裸まつりが行われますが、昨晩は岡山裸祭りでした。盛り上がりすぎて6人が負傷し、搬送されたということです。このうち3人が意識不明ということです。怪我がないほうが不思議なくらいの盛り上がりでした。 pic.twitter.com/oIT0cOc6Nx
— T.AY 菖蒲敏太郎 (@1007tayame) February 21, 2026
O ritual tem mais de 500 anos. O festival mais famoso realiza-se no templo Saidaiji, em Okayama, onde a tradição tem raízes há mais de 500 anos, e todos os anos mais de 9 000 homens participam na esperança de obter sorte para o ano inteiro. A sua história remonta ao período Muromachi (1336–1573) e o evento foi designado Propriedade Cultural Intangível Importante do Japão.
Este tipo de incidentes não é novidade. Lesões ligeiras acontecem praticamente todos os anos, dada a intensidade do contacto físico entre milhares de corpos num espaço fechado. Em 2007, um homem morreu durante o festival, uma tragédia que levou a debate público sobre as condições de segurança e sobre o futuro de uma tradição que enfrenta também o problema do envelhecimento da população japonesa, com cada vez menos homens jovens dispostos a participar.
Para além do momento central, o dia tem outros rituais: antes do início, os participantes purificam o corpo em água gelada. O kit de participação, que inclui o mawashi, as meias tabi e acesso à zona de mudança de roupa, custa 3 000 ienes, cerca de 18 euros, e pode ser adquirido no local ou por inscrição prévia.









