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Pelo quarto ano consecutivo, o Japão é o país onde se dorme menos no mundo

Um estudo global com 30 mil participantes voltou a colocar o Japão no último lugar em qualidade e quantidade de sono. Os números são reveladores e as razões não surpreendem quem conhece a cultura de trabalho japonesa.

Miyu Tomita screenshot sleep Paradoxes

Dormir pouco no Japão não é novidade, mas os resultados do mais recente inquérito global da ResMed confirmam que o problema está longe de melhorar. Pelo quarto ano seguido, o país asiático foi eleito o mais privado de sono entre os 13 países analisados, com uma média de apenas 6 horas e 23 minutos de descanso por noite, o valor mais baixo de todos os participantes no estudo. O levantamento, conduzido entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, ouviu 30 mil pessoas em países como os Estados Unidos, China, Índia, Reino Unido, Alemanha, França, Austrália, Coreia do Sul, Brasil, Polónia, Singapura e México.

Para ter uma ideia do contraste, a China regista uma média de 7 horas e 14 minutos, o Brasil fica pelos 7 horas e 7 minutos, e até países habitualmente associados a maus hábitos de sono, como os EUA (6h29) ou o Reino Unido (6h31), dormem mais do que o Japão.

O problema não é apenas a falta de horas, é também a falta de consciência sobre o tema. O Japão ficou em último lugar no que diz respeito ao conhecimento sobre sono, apenas 63% dos inquiridos japoneses sabem que dormir bem pode prolongar a esperança de vida, muito abaixo da média global de 84%, segundo os dados publicados pela ResMed no comunicado oficial. A consciência sobre os riscos associados à privação de sono, como doenças cardiovasculares e diabetes, também foi a mais baixa entre todos os países analisados.

Quando questionados sobre o que fazem para melhorar o sono, a resposta mais frequente no Japão foi “nada”, indicada por 38% dos participantes. A segunda opção mais citada foi tomar banho quente (34%), algo que já faz parte dos hábitos diários de muitos japoneses independentemente do sono. Mais de metade (57%) disse não usar qualquer auxiliar de sono.

A cultura laboral japonesa pesa de forma clara nestes resultados. Apenas 26% dos inquiridos disseram sentir que os seus superiores se preocupam com a sua saúde, e somente 24% afirmaram que o local de trabalho dá prioridade ao descanso, valores muito abaixo das médias globais. Talvez mais elucidativo ainda, 62% declararam nunca ter faltado ao trabalho por cansaço, mais do dobro da média mundial de 30%. A exaustão, ao que parece, não é razão suficiente para ficar em casa.

Há, no entanto, uma área em que o Japão lidera o mundo, e não é propriamente uma conquista de que se orgulhar. O país tem a maior taxa mundial de “divórcio de sono”, com 57% das pessoas a dormir separadas dos parceiros. A prática pode melhorar a qualidade do descanso individual, mas a ResMed alerta que dormir sozinho também significa que ninguém está por perto para detetar sintomas de perturbações como a apneia do sono, que podem ter consequências graves para a saúde.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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