InícioJapãoUm em cada três jovens japoneses nunca teve relações sexuais

Um em cada três jovens japoneses nunca teve relações sexuais

O maior inquérito sobre vida sexual no Japão desde 2018 mostra que os jovens estão cada vez mais afastados das relações íntimas e os números vão muito além da inexperiência sexual

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O Japão voltou a ser notícia por um tema que tem marcado as discussões demográficas e sociais do país há vários anos, a distância crescente dos jovens em relação às relações íntimas. Um novo inquérito de grande escala, divulgado recentemente pelo fabricante de preservativos Sagami Rubber, revela que 35,5% dos homens japoneses na faixa dos 20 anos nunca tiveram relações sexuais. Entre as mulheres da mesma faixa etária, o valor é de 31,9%.

O estudo, intitulado “Sex in Japan — Edição 2026“, é o maior desta natureza realizado no país desde 2018. Abrangeu cerca de 14.300 pessoas com idades entre os 20 e os 60 anos, distribuídas pelas 47 prefeituras japonesas, e foi conduzido através de inquérito online no início de dezembro de 2025. Os dados inserem-se numa tendência que investigadores da Universidade de Tóquio e publicações científicas como o BMC Public Health têm vindo a documentar há décadas, a inexperiência sexual entre adultos jovens no Japão tem aumentado de forma consistente desde pelo menos os anos 90.

O afastamento das relações não se fica pela falta de experiência sexual. Entre os respondentes solteiros na faixa dos 20 anos, 51% afirmaram não ter atualmente nenhum parceiro. Dos homens solteiros, apenas 28,5% estavam numa relação, face a 37,9% das mulheres. A diferença entre géneros é uma constante ao longo do inquérito e tende a favorecer as mulheres em quase todas as métricas.

Em termos de frequência, a média nacional ficou nas 1,95 relações sexuais por mês. Os mais jovens destacam-se com uma média de 4,31 vezes mensais, valor que vai diminuindo à medida que a idade aumenta. A idade média da primeira relação sexual foi de 22,02 anos, 23,01 anos para os homens e 21,07 anos para as mulheres. Quanto ao número médio de parceiros ao longo da vida, o inquérito aponta para 9,78 no total: 13,31 entre os homens e 6,38 entre as mulheres.

A satisfação sexual também apresenta uma diferença assinalável entre géneros. No geral, 67,5% dos inquiridos disseram estar satisfeitos com a sua vida sexual, mas esse valor sobe para 75,7% entre as mulheres e desce para 58,1% entre os homens. O inquérito incluiu ainda questões sobre orientação sexual: 7,1% dos homens e 9,5% das mulheres afirmaram sentir atração por ambos os sexos, com percentagens mais elevadas entre as gerações mais jovens.

Os fatores que explicam este afastamento são múltiplos e têm sido amplamente debatidos. Estudos académicos apontam para a pressão laboral, o custo de vida nas grandes cidades, a dificuldade em conciliar vida profissional e amorosa, e até a prevalência de formas de entretenimento digital como substitutos das relações interpessoais. A Universidade de Tóquio já tinha identificado que, entre os homens, o desemprego e rendimentos mais baixos estão diretamente associados a maiores taxas de inexperiência sexual, o que coloca a questão numa dimensão económica e estrutural que vai além de simples escolhas individuais.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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