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A máquina de lavar humanos do Japão já está à venda

A cápsula futurista que lava, enxagua e seca uma pessoa em 15 minutos passou de atração da Expo 2025 a produto disponível nas lojas. Custa 60 milhões de ienes, cerca de 355 mil euros.

Em 1970, a Sanyo apresentou na Expo de Osaka uma estranha máquina capaz de lavar uma pessoa automaticamente. Na altura, parecia ficção científica. Cinquenta e cinco anos depois, uma empresa japonesa ressuscitou a ideia, desta vez a sério, com inteligência artificial, microbolhas e biométrica, e já está a aceitar encomendas para uso doméstico.

A Mirai Ningen Sentakki, que em japonês significa literalmente “máquina de lavar humanos do futuro”, é um projeto da Science, empresa de Osaka especializada em equipamentos de banho. A cápsula tem 2,3 metros de comprimento, e o utilizador deita-se no interior, fecha a tampa transparente e deixa a máquina tratar do resto. Em cerca de 15 minutos, o equipamento lava, enxagua e seca o corpo sem que seja preciso levantar um dedo, através de jactos de água, microbolhas ultrassónicas e um sistema de névoa fina.

O processo vai além da simples higiene. Sensores biométricos monitorizam o ritmo cardíaco e os níveis de stress em tempo real, ajustando a temperatura e a pressão da água ao estado físico e emocional de quem está dentro da cápsula. Enquanto isso, imagens relaxantes são projetadas no interior, desde fundos marinhos a pores do sol, acompanhadas de música ambiente. A empresa descreve a experiência como um cruzamento entre banho, spa e consulta de saúde.

A máquina estreou-se na Expo 2025 de Osaka, onde se tornou uma das maiores atrações da feira. Mais de 40000 pessoas apresentaram candidaturas para a experimentar, e os resultados de satisfação foram esmagadores: 77,6% dos utilizadores classificaram a experiência como “muito satisfatória”, segundo dados da própria Science. Outros 21,1% disseram ter ficado “satisfeitos”.

O interesse não ficou apenas pelo público geral. Hotéis e espaços de lazer japoneses mostraram-se rapidamente interessados, e em dezembro de 2025 a primeira unidade entrou em funcionamento num hotel em Osaka. A empresa, que inicialmente não tinha planos para comercializar o equipamento, acabou por ceder à procura. Prevê fabricar apenas entre 40 a 50 unidades artesanais, uma produção deliberadamente limitada, justificada em parte pela complexidade técnica e, segundo a própria empresa, pela intenção de preservar a exclusividade do produto.

Agora, a cadeia de eletrónica Yamada Denki começou a aceitar encomendas para uso doméstico a partir de 26 de fevereiro de 2026. O preço de venda é de 60 milhões de ienes, aproximadamente 355 mil euros, um valor que inclui a instalação e a manutenção durante o primeiro ano. A máquina pode ser encomendada em qualquer loja da cadeia, embora a unidade de demonstração esteja instalada na loja Labi Ikebukuro, no centro de Tóquio.

Para quem queira experimentar antes de assinar o cheque, a Yamada Denki vai realizar sessões de teste gratuitas nessa mesma loja ao longo de março: nos dias 16, 18, 23, 27 e 30. Dada a procura esperada, os participantes serão selecionados por sorteio, e as inscrições estão abertas até 9 de março através do site oficial da retalhista.

O presidente da Science, Yasuaki Aoyama, explicou que a inspiração para o projeto remonta à sua infância, era ainda criança quando viu o protótipo original na Expo de 1970. Décadas mais tarde, a porta-voz da empresa, Sachiko Maekura, foi mais longe na descrição do produto afirmando que “esta cápsula não lava apenas o corpo — lava a alma”.

O preço astronómico coloca esta máquina claramente fora do alcance da maioria dos consumidores, e a própria Science compara o custo de instalação em residências existentes ao de “um automóvel de luxo importado”. O mercado-alvo são hotéis de cinco estrelas, spas de alta gama, onsens e centros de bem-estar. No entanto, a empresa não fecha a porta a versões mais acessíveis, numa declaração ao jornal sul-coreano The Chosun Daily, um representante da Science admitiu que, “se a tecnologia evoluir e forem criados sistemas de produção em massa, poderá surgir um modelo mais acessível para uso doméstico”.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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