Documentário dos ONE OK ROCK na Netflix

Está disponível na Netflix o documentário “Flip a Coin -ONE OK ROCK Documentary-” que podem ver aqui.

Os ONE OK ROCK são uma banda de rock japonesa aclamada pela crítica no mundo inteiro que foi formada em 2005, tendo-se estreado em 2007. A banda tem vindo a expandir a carreira musical tanto no Japão como no estrangeiro, incluindo a produção de Renegades, com Ed Sheeran, e a produção das bandas sonoras para todos os filmes da saga Kenshin: O Samurai Errante. A banda organizou o seu primeiro concerto ao vivo online de sempre em 2020.

Agora, o novo documentário Flip a Coin -ONE OK ROCK Documentary- acompanha os três meses que precederam o concerto ao vivo e mostra os bastidores da atuação online, desde o estúdio de ensaios até às rotinas dos membros.

Em baixo encontram uma entrevista a Taka, a cara da banda sobre o documentário.

O que é que te levou a produzir este documentário?

Aquilo que costumamos fazer é atuar ao vivo e criar música. Chegámos à conclusão de que um documentário é a única forma de preencher o que falta. Acredito que os fãs entendem a nossa personalidade e as nossas ideias, mas nunca lhes proporcionámos um olhar sobre os bastidores, que é exatamente o que estamos a tentar fazer agora. Queria mesmo captar este período desde o início da pandemia até ao nosso espetáculo ao vivo, independentemente de quando é lançado.

O documentário fez-me pensar se haveria problema em mostrar tanto. As câmaras registaram cenas de ensaios no estúdio, reuniões de produção sobre a realização e como foram produzidos o som e a atuação ao vivo da ONE OK ROCK. Mostramos até como é que os membros passaram o seu tempo em privado durante a pandemia…

O realizador Amazutsumi trabalha connosco há muito tempo, de modo que nos sentimos muito descontraídos e abertos ao trabalhar com ele.

A longa-metragem mostra o que ia na alma dos membros da ONE OK ROCK naquela altura. É bastante realista, já que reflete a minha própria vida há um ano.

Durante a pandemia, penso que as pessoas do mundo inteiro passaram pelos mesmos sentimentos, algo que nunca tinha acontecido. Tivemos de interromper as nossas atividades e desistir de muitas coisas, de modo que passámos por alguns momentos tristes e dolorosos. Mas, neste documentário, quisemos mostrar às pessoas que temos os olhos postos no futuro e que estamos preparados para o perseguir, e quisemos registar isto mesmo. Refletimos sobre algumas questões fundamentais, como o valor da vida, a razão de existirmos, e por que razão perseguimos os nossos sonhos. Não nos quisemos esquecer do que sentimos durante este período, tal como não queremos que ninguém se esqueça da experiência.

Agora, mal posso esperar para ver o espetáculo online e ouvir a canção “Wonder”. No documentário, todos os membros referem que nunca mais querem fazer um espetáculo ao vivo online (um comentário que provocou uma gargalhada). Agora, em retrospetiva, o que é que este projeto significa para ti?

Não quero mesmo voltar a fazê-lo (comentou com uma gargalhada). Dito isto, proporcionar emoções positivas e fortes às pessoas à nossa frente é o melhor que podemos fazer enquanto artistas. Sendo competitivo e teimoso, estou neste mundo por acaso, e estou numa posição em que posso salvar alguém com as minhas próprias expressões e palavras. Portanto, porque não partilhar esta parte integrante de mim mesmo com os outros? Se as pessoas receberem a nossa mensagem e se sentirem encorajadas a viver e a se animarem, poderá ser a única coisa que me deixa orgulhoso. Quis fazer o espetáculo online com este sentido de responsabilidade.

No documentário, uma das cenas mais impressionantes, para mim, foi quando o Ryota (baixista) disse, «Nunca participei num evento deste tipo», e tu disseste, «É por isso que o vamos fazer». Esse foi um momento em que foi possível observar o verdadeiro espírito da ONE OK ROCK.

Sinto-me muito grato por tudo o que tenho. Somos um grupo de pessoas com personalidades e pensamentos completamente diferentes. Há algo de especial que tem de nos motivar a todos, quando personagens tão inusitadas trabalham em conjunto com o mesmo objetivo. Felizmente, temos esse algo de especial em comum e conseguimos partilhar os mesmos objetivos de modo a conseguirmos produzir este evento ao vivo online de uma forma nunca feita. Sei que nem todos o conseguem fazer, mas se eu consigo fazer, tu também consegues.

Este documentário será lançado globalmente em simultâneo. Como te sentes acerca do teu filme ser lançado na Netflix?

Gosto muito da Netflix e costumo ver muitos títulos diferentes. É um sentimento excelente saber que as pessoas do mundo inteiro vão ver o nosso documentário e vivê-lo em simultâneo na Netflix. Estou muito grato por isso.

Penso que é também uma apresentação para que os fãs do estrangeiro que ainda não conhecem a ONE OK ROCK possam passar a conhecer a banda. Concordas?

Concordo. É difícil saber o quão conhecidos somos no mundo, mas começamos a sentir algo a acontecer à nossa volta. Se as pessoas ficarem a conhecer a ONE OK ROCK e obtiverem um entendimento mais profundo sobre nós através deste documentário, será muito benéfico para os nossos projetos futuros.

Ainda nos encontramos sobre a influência da COVID-19. O que disseste no final do filme foi muito comovente. Consegues dizer-me como vês o futuro da ONE OK ROCK?

Há algo que posso afirmar com toda a certeza com base nos meus 33 anos de vida: quando nos deparamos com dificuldades, não as conseguimos ultrapassar sem culpar ninguém. Quando o período de ‘culpar alguém’ terminar, poderemos finalmente passar à próxima etapa.

Poderá não ser adequado dizê-lo, mas temos sempre de manter o espírito faminto. Devíamos aproveitar esta oportunidade para sermos gananciosos naquilo que perseguimos e fazer o nosso melhor para nos ampararmos uns aos outros. Se perdermos esta oportunidade, não a voltaremos a ter assim tão cedo. Acredito que tudo o que podemos fazer é agarrarmo-nos àquilo em que acreditamos até que chegue o dia em que a próxima geração nos diga «vocês já deram o que tinham a dar, agora, é a nossa vez», mas até lá, temos de dar o nosso melhor.

Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 40 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.