Com lançamentos confirmados, 2026 está a tornar-se um ano excecional para os fãs de terror. Entre remakes de clássicos, novas IP e sequelas de franquias icónicas, há muito para temer.
10The Florist
Há uma certa nostalgia, no bom sentido, em jogar um título que assume abertamente a sua inspiração nos Resident Evil originais. The Florist, da Unclear Games, não tenta disfarçar de onde vem: câmara fixa, controlos “tank”, ênfase em puzzles e exploração, uma linguagem de design que muitos consideram obsoleta, mas que títulos como Tormented Souls provaram continuar a ter um público fiel e apaixonado.
O que torna The Florist genuinamente curioso, porém, não é a estrutura mas a estética. Em vez dos ambientes industriais ou labirínticos típicos do género, o jogo envolve os seus cenários e inimigos em flores e vegetação, uma ideia visualmente perturbadora que cria um contraste entre beleza e horror raramente explorado. Silent Hill f flertou com algo semelhante, mas The Florist parece querer ir mais longe nesse conceito. Previsto para PC, Nintendo Switch 2 e PS5 em 2026, sem data concreta por agora.
9The Occultist
Cultos, terras britânicas isoladas e um pai desaparecido, The Occultist da DALOAR reúne vários ingredientes clássicos do horror sobrenatural e aposta em colocá-los num jogo narrativo em primeira pessoa com uma forte componente de investigação. O jogador assume o papel de Alan Rebels, um investigador do paranormal que começa a descobrir que o desaparecimento do pai tem raízes muito mais obscuras do que imaginava.
O que distingue The Occultist de outros jogos do género é a ênfase na furtividade como ferramenta narrativa, não como mecânica de ação, mas como forma de progredir na história sem chamar atenção das entidades que habitam a propriedade. É uma abordagem que, bem executada, pode tornar cada encontro genuinamente tenso. Confirmado para PC, PS5 e Xbox Series X/S em algum momento de 2026.
8Project Songbird
Às vezes não é preciso um jogo de 40 horas para deixar uma marca. Project Songbird, da estreante FYRE Games, é assumidamente curto, entre 4 a 5 horas, e centra-se numa escritora com bloqueio criativo que se isola numa cabana nos bosques para recuperar a inspiração. O problema é que não está sozinha.
O que chama atenção neste projeto independente é o cuidado posto no elenco de vozes: Valerie Rose Lohman, conhecida de What Remains of Edith Finch, Jonah Scott de Dying Light 2 e Aleks Le de Persona 3 Reloaded emprestam as vozes a uma história que claramente quer investir na componente emocional tanto quanto no susto. Para quem não tem paciência para longas aventuras mas quer uma experiência de horror intensa e bem construída, é dos lançamentos mais interessantes da primeira metade do ano. Sai a 26 de março.
7Ontos
Poucos estúdios têm um historial tão consistente em horror psicológico como a Frictional Games. SOMA continua a ser um dos jogos mais perturbadores já feitos, não por ter monstros assustadores, mas por colocar questões sobre consciência e identidade que ficam na cabeça durante semanas. Amnesia: The Dark Descent definiu um género inteiro. Ontos é o próximo passo.
O jogo passa-se num hotel na Lua onde a protagonista, Aditi Amani, foi convidada por causa do legado do seu pai desaparecido. O que encontra lá é algo que vai alterar a sua perceção da realidade e provavelmente a do jogador também. A Frictional confirmou que o gameplay assenta em investigação, puzzles abertos e decisões sem uma solução linear, o que sugere que Ontos pode ser jogado mais do que uma vez com resultados diferentes. Previsto para PS5, Xbox Series X/S e PC em 2026.
6Halloween
A Illfonic tem uma relação longa com o horror assimétrico, Friday the 13th: The Game e Predator: Hunting Grounds são da mesma casa, e o próximo projeto é uma adaptação oficial da saga Halloween. O modelo é familiar, um grupo de jogadores tenta sobreviver enquanto outro encarna Michael Myers. É a fórmula de Dead by Daylight ou The Texas Chain Saw Massacre, mas dentro de um universo que dispensa apresentações.
O que pode distinguir este Halloween dos seus concorrentes é precisamente o peso da licença. Michael Myers tem uma presença icónica que nenhum personagem original consegue replicar, e a Illfonic tem experiência suficiente com este tipo de jogos para saber o que funciona e o que não funciona. Previsto para 8 de setembro em PC, PS5 e Xbox Series X/S.
5Directive 8020
A Supermassive Games construiu a sua reputação com jogos onde cada decisão pode custar uma vida, Until Dawn foi o ponto de viragem, The Quarry confirmou que não foi sorte de principiante. Directive 8020 é a próxima entrada na Dark Pictures Anthology e tem tudo para ser o projeto mais ambicioso do estúdio até à data.
A premissa coloca uma tripulação colonial à deriva no planeta Tau Ceti f, com uma criatura alienígena capaz de imitar qualquer um dos membros a semear o caos e a desconfiança. É um cenário que bebe claramente de The Thing, e que promete fazer da paranoia o principal motor da tensão. O jogo introduz os chamados Turning Points, que permitem recuar em decisões-chave. Sai a 12 de maio para PS5, Xbox Series X/S e PC.
4Cthulhu: The Cosmic Abyss
A mitologia lovecraftiana já inspirou incontáveis jogos, mas poucos se aventuram a levar o jogador diretamente a R’lyeh, a cidade submersa onde Cthulhu dorme. É exatamente isso que a Big Bad Wolf propõe com este survival horror em primeira pessoa, onde Noah investiga o desaparecimento de um grupo de mineiros no fundo do Pacífico.
A estrutura mistura investigação, recolha de pistas e exploração não linear, com múltiplos percursos que incentivam a descoberta. Para além do horror de criaturas, o jogo promete desafiar a perceção da realidade do jogador, algo que a ficção lovecraftiana faz melhor do que qualquer outro subgénero. Desenvolvido pela Big Bad Wolf e publicado pela Nacon, chega a 16 de abril em PC, PS5 e Xbox Series X/S.
3Clive Barker’s Hellraiser: Revival
Hellraiser é uma das franquias mais exigentes do horror, ao contrário de muitos slashers, o universo de Clive Barker não se resume a um monstro a perseguir vítimas, é uma exploração de desejo, culpa e consequência que, mal adaptada, perde tudo o que a torna especial. É por isso que este jogo da Saber Interactive é ao mesmo tempo uma das apostas mais promissoras e uma das mais arriscadas do ano.
A Saber tem historial com licenças de peso, trabalhou em títulos como World War Z e Aliens: Fireteam Elite, mas nunca lidou com um universo tão dependente de atmosfera e subtexto. O jogo está confirmado como um single-player de ação e horror em primeira pessoa para PC, PS5 e Xbox Series X/S, com lançamento previsto para 2026 sem data concreta. A expectativa é alta; a margem para errar, pequena.
2Fatal Frame II: Crimson Butterfly Remake
Quem nunca jogou Fatal Frame tem dificuldade em perceber porque é que a franquia tem uma reputação tão sólida de terror genuíno. A resposta está na mecânica central, o único modo de combater os fantasmas é fotografá-los com uma câmara especial, o que significa ter de esperar que se aproximem o suficiente para conseguir uma boa fotografia, mesmo que isso implique deixá-los chegar perigosamente perto. É uma inversão deliciosa do instinto de sobrevivência.
O segundo jogo é considerado por muitos o ponto alto da série, e a Koei Tecmo e a Team NINJA reconstruíram-no de raiz, novos gráficos, novos controlos, nova perspetiva de câmara e mecânicas modernizadas, mas com a história das irmãs gémeas presas numa aldeia assombrada intacta. Para quem conhece o original, é uma oportunidade de o reviver com uma produção à altura; para quem chega pela primeira vez, pode ser uma das experiências de horror mais marcantes do ano. Sai a 12 de março em PS5, Xbox Series X/S, Nintendo Switch 2 e PC.
1Silent Hill: Townfall
Depois de anos de silêncio, a franquia Silent Hill está a recuperar um ritmo que parecia impossível há uma década. O remake de Silent Hill 2 pela Bloober Team foi um dos jogos mais bem recebidos de 2024, Silent Hill f surpreendeu com a sua abordagem histórica e visual, e agora Townfall promete ser mais uma prova de que a Konami percebeu finalmente como gerir esta IP.
O que torna Townfall particularmente interessante é o estúdio por detrás, a Screen Burn, anteriormente conhecida como No Code, os criadores de Observation e Stories Untold, traz uma sensibilidade indie e experimental a uma das franquias mais queridas do horror. O jogo passa-se em 1996, numa ilha costeira escocesa chamada St. Amelia, e abandona a perspetiva em terceira pessoa pela qual a série é conhecida em favor de uma câmara em primeira pessoa. O protagonista, Simon Ordell, usa uma televisão portátil de tubos de raios catódicos para detetar ameaças invisíveis a olho nu, um elemento que, só por si, já diz muito sobre o tipo de experiência que a Screen Burn quer construir.
Previsto para PS5 e PC em 2026.









