Análise: Captain Tsubasa: Rise of New Champions

Captain Tsubasa: Rise of New Champions é o jogo mais recente da Bandai Namco Entertainment baseado numa licença anime. Ao contrário da gigantesca fatia de adaptações para videojogos, não se baseia numa série de ação e combate, mas sim no fantástico mundo futebolístico protagonizado pelo eterno sonhador: Oozora Tsubasa, um rapaz de 14 anos que parece uma fusão de todos os talentos de Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, e muitas mais lendas do futebol atual e passado numa só. Captain Tsubasa: Rise of New Champions, sem surpresa, partilha tanto do anime, como do desporto rei.

Sabiam que a série anime Captain Tsubasa estreou nas TVs japonesas em 1983 com 128 episódios

Depois de uma introdução muito breve numa fase já adulta do prodígio do futebol, outra personagem, e um estádio vibrar com a emoção de ver os dois a jogar com paixão numa partida contra a seleção alemã, regressamos ao passado, mais apropriadamente aos confrontos das escolas de ensino básico japonesas. Este como todos sabemos corresponde ao segundo arco do mangá, e um dos mais recorrentes de todas as suas adaptações animadas.

Escolhendo o modo Journey, no menu inicial, temos acesso a dois modos. Enquanto o Episode Tsubasa, tal como foi referido permite ao jogador vivenciar o terceiro campeonato nacional na perspetiva de Tsubasa e dos seus companheiros, o Episode New Hero, coloca-nos nas chuteiras de uma personagem criada por nós pronta a tornar-se na próxima lenda  a fazer escola no mundo do básico, evoluir e partilhar o pódio de campeão do mundo junto de Tsubasa, Misaki, Hyuga e do resto da seleção japonesa da série. Se desejarmos criar a nossa Dream Team também podemos fazê-lo e até transportar o nosso 11 principal para os modos online por classificação. Ao amealharmos pontos nas vitórias podemos adquirir cartas, desbloquear itens cosméticos, cartas de amizade e de treino que são usadas para melhorarmos os atributos e a técnica da nossa personagem criada. De salientar que estes pontos podem ser adquiridos por intermédio de quaisquer modos de jogo, todos os modos de certa forma encontram-se interligados. De uma forma geral estes representam os modos de uma forma, vamos agora focar-nos na jogabilidade, um fator que pode ter tanto de positivo como de negativo para todas as camadas dos jogadores que desejem participar nesta festa que é o futebol.

Captain Tsubasa em Portugal tem como nome Campeões: Oliver e Benji e no Brasil foi chamado de Super Campeões

Captain Tsubasa: Rise of New Champions, tem como molde principal um jogo de futebol comum, o jogador pode desempenhar todas as funções básicas de um jogo deste género, ou seja, passar, fintar, rematar etc. Claro que se fosse apenas cingido a futebol normal, não seria a experiência Captain Tsubasa, que ansiávamos e sonhávamos um dia ver representada num videojogo. Neste capítulo o jogo e em prol da série, apresenta um sem fim de mecânicas, que inicialmente farão os jogadores se sentirem como os guarda-redes ou defesas que permanecem imóveis na série quando um autêntico petardo invade as redes de uma baliza a uma velocidade supersónica. Esta metáfora assenta que nem uma luva ao que os jogadores sentirão pelo jogo apresentar mecânicas dotadas de uma enorme dimensão de profundidade e complexidade. Felizmente o jogo apresenta um tutorial muito bom, que para não intimidar demasiado o jogador inicialmente é introduzido em vários momentos no Tsubasa Episode – também pode ser escolhido através do seu Practice no menu principal-. Acreditem que vão precisar, pois, mesmo técnicas tão simples num jogo de futebol apresentam mecânicas e movimentos variados, passemos a explicar como as mesmas se transmitem neste jogo.

Muitas vezes enquanto controlamos a bola com os pés, quando um jogador da equipa oposta se coloca na nossa direção e não queremos passar a bola, ou fintamos o mesmo, ou sprintamos. O desfecho dependerá dos atributos do jogador adversário, pois à boa e velha maneira de papel tesoura e papel, certos elementos como fintar, ou fazer um carrinho, têm de ser mantidos em consideração quanto ao seu resultado. O sprint do adversário derruba o nosso, mas perde no drible, o nosso drible derrota o seu drible, e a finta derrota ambos, mas perde contra o carrinho ou investida do adversário. Este à primeira vista parece ser um elemento linear, consoante a ação que o nosso adversário fará. Contudo, pequenos indicadores como animações, e posicionamentos táticos, que oferecem efeitos extra no momento do remate devem também adicionam uma enorme camada de estratégia. Também e ao contrário dos jogos de futebol convencionais, apenas conseguimos marcar um golo quando a barra do guarda-redes é reduzida a zero. Podemos rematar e rematar, a qualquer distância, mas será sem sucesso, porque enquanto a barra do guarda-redes adversário permanecer colorida a bola será sempre impedida de tocar nas redes. Contudo, a resistência dos guardiões de campo vai-se a esgotar e eventualmente a bola entrará na baliza.

Basicamente aqui assistimos mais a uma batalhas de estatísticas do que qualquer coisa, pois demora imenso a um médio ou ponta de lança fraco, derrotar um guarda-redes de elite como o superguarda-redes Genzo Wakabayashi, por vezes até nem mesmo numa partida a rematar sem cessar não conseguimos marcar aquele golo precioso, devido aos pontos estatísticos dos nossos adversários serem absurdamente diferentes. Este efeito poderá causar um pouco de frustração nos modos Online e New Hero. Os jogadores de Captain Tsubasa: Rise of New Champions, ao contrário dos nossos dirigentes e comentadores cegos por um clube desportivo, não poderão recorrer à desculpa do árbitro estar comprado, porque no jogo este elemento basicamente não existe. Não existem faltas, o campo é literalmente um campo de batalha onde corpos voam por todas as direções, e apenas o mais básico existe a respeito do juiz de campo, ou seja, cantos, bolas fora do campo, pontapés de baliza, golos marcados, etc.

Para atribuir mais realismo à realidade de Captain Tsubasa, cada movimento em campo enche uma pequena barra abaixo conhecida como: V-Zone, quando esta estiver cheia e através de um premir de botão, toda a equipa se une como uma só e dependendo da técnica e destreza do Mago da Bola principal da nossa equipa, podemos disferir as técnicas (em segurança) que se celebrizaram na série tais como o Neo Tiger Shot ou Drive Shot. É certo que estas podem ser empregues em qualquer momento do jogo, mas demoram imenso a ser executadas sem a V-Zone acionada; se insistirmos o mais frequente será perdermos a bola antes de efetuar este poderoso remate. Do outro lado do campo estes momentos podem não ditar um golo, pois os guarda-redes também possuem habilidades especiais, que devem ser utilizadas nos momentos críticos, e que atribuem ainda mais profundidade e aproximam o jogo aos seus fãs. Realmente é impressionante como a equipa da Tamsoft conseguiu manter esta autenticidade. No entanto, existem muitos mais elementos e apenas cobrimos o básico neste parágrafo. Agora que aprendemos a jogar para sempre ganhar, vamos debruçar-nos mais a fundo nos modos de jogo de Captain Tsubasa: Rise of New Champions.

Journey, como já sabemos volta – pela enésima vez – para nos contar os momentos de Tsubasa na sua “tripleta” antes de viajar para o Brasil (e perpetuamente continuar à espera de uma continuação animada a partir deste momento). O Episode Tsubasa, é incrivelmente fiel não só à adaptação manga, como especialmente à recente série anime produzida pela David Production. Praticamente nada ficou por mostrar, até o mais ínfimo pormenor permaneceu intacto, e até podemos emular acontecimentos extra na série, tais como Nitta da escola de Otomo, rematar sem cessar à baliza até o seu remate especial entrar nas redes da baliza de Morizaki, ou controlar Tsubasa enquanto tenta dominar o seu Drive Shot num encontro. Estes momentos também podem ocorrer quando certas condições emulam os acontecimentos da série, contudo a dificuldade do jogo sofre alguns picos bem acentuados, principalmente contra os irmãos Tachibana e o seu infernal: “Sky Lab Hurricane”. Este é sem dúvida um modo pensado para todos os fãs da série. Contudo, quem não conhece a mesma e deseja, pode acompanhar as introduções de personagens e até alguns excertos da primeira parte da adaptação do primeiro arco, que foram retirados diretamente dos episódios adaptados pela David Production, que até foram transmitidos em Portugal através do canal: Biggs.

Quando for o momento de Tsubasa partilhar o galhardete com o seu rival e novo amigo, chegou a hora de partirmos na conquista do mundo do futebol. Para tal, basta viajar até ao Episode: New Hero, criarmos a nossa personagem e ingressarmos numa das três escolas do ensino básico. Embora o estilo de Yoichi Takahashi não permita muita mudança visual, fomos agradavelmente surpresos pelos elementos ao dispor para criamos a nossa personagem. Outra surpresa foi este episódio ter uma duração tão vasta, são precisas cerca de 12 horas para a sua conclusão, e isto apenas cingido a uma das escolas, pois cada tem uma história bastante diferente, desafios específicos, e desbloqueia equipas diferentes para usarmos noutros modos. Mergulhar a fundo neste episódio, é uma necessidade se pensarmos sempre em ganhar e transportar a nossa equipa para divisões online. Realmente é incrível como pela primeira vez num jogo de futebol – mesmo que seja parcialmente anime – se queremos uma equipa vencedora temos de a construir e merecer, não existem equipas pré-determinadas todas têm de ser construídas com base no nosso esforço e dedicação. Ao contrário também da maioria dos jogos online, o Netcode, neste jogo é muito robusto, e sem quaisquer inconsciências na ligação. Contudo, se apenas desejarmos realizar umas partidas com os nossos amigos, ou simplesmente participar numa experiência mais arcade, o modo local será o sítio indicado, basta cada jogador selecionar uma equipa e basta.

Tecnicamente o jogo também impressiona, os modelos de personagens e animações estão incrivelmente fiéis aos que conhecemos e adoramos, e os efeitos visuais estão para lá de fantástico. Nos nossos olhos explodem dezenas partículas e efeitos variados enquanto os nossos jogadores disferem as suas absurdas e amadas histórias de futebol. Se são fãs de Oliver e Benji, só este apontamento é um fator de peso para a aquisição deste jogo. Infelizmente ainda existem alguns bugs técnicos a precisar de lapidação nesta versão, como textos fora das caixas no modo de ecrã inteiro – que podem ser retificados usando o jogo em modo de janela – mas fiquem descansados que a equipa médica da Bandai Namco Entertainment já estão a tratar destas lesões, e possivelmente no momento da publicação desta análise, o jogo já se encontra pronto para entrar em campo. Quanto à banda-sonora, embora seja característica da série, gostaria que a produção colocasse a original, seria absolutamente mágico sprintar a toda a velocidade no relvado sem ninguém nos conseguir parar, enquanto tentamos marcar o golo da vitória ao som da célebre faixa instrumental da série original: Moete Hero.

Captain Tsubasa: Rise of New Champions é surpreendentemente um produto sólido e único criado aà imagem dos seus fãs, sem esquecer o mercado dos jogos de futebol do género futebol arcade, um subgénero em falta numa era povoada por simulações. Além de um robusto e extenso modo de história, o jogo apresenta uma jogabilidade que emula na perfeição as eternas amizades nos explosivos e intermináveis relvados. Captain Tsubasa: Rise of New Champions, chegou triunfante. Tal como Dragon Ball FighterZ, demonstrou-nos que podem existir no mercado jogos baseados em licenças de anime, que apresentem qualidade e conteúdo em doses iguais. Não hesitem e adquiram hoje mesmo Captain Tsubasa: Rise of New Champions, e descubram porque de facto, o futebol é uma paixão. Estamos perante uma das melhores licenças anime adaptadas a videojogo, e certamente um parágrafo a retirar da página cinquenta dos apontamentos do Roberto Maravilha por futuras adaptações.

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.
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madmonkey mcknight
2 , Setembro , 2020 4:37

Gostei das referências “dos jogadores que desejem participar nesta festa que é o futebol” e ”
o futebol é uma paixão”.
É bom saber que há jogos baseados em anime que tem boa qualidade, tendo em conta o que é habitual. Gostei da review e o jogo parece ser interessante. Eu já me tinha partido a rir quando vi a jogabilidade e reparei que o campo é mesmo um campo de batalha kkk não há árbitro nenhum

Bruno Reis
Reply to  madmonkey mcknight
3 , Setembro , 2020 5:45

Finalmente alguém descobriu as referências que coloquei a respeito do nosso genérico português. Na verdade ao longo da análise, tive o cuidado de espalhar todo o genérico na mesma. Se tiveres com atenção verás que estão todas as palavras do genérico clássico português.

“O importante é participar”

“A controlar sempre a bola com os pés”

“O estádio vibra com emoção de ver os dois a jogar com paixão”

São alguns exemplos.