Uma nova aplicação de encontros japonesa está a ganhar popularidade de forma inesperada entre homens casados na faixa etária dos 40 anos. A Loverse distingue-se das restantes plataformas por uma característica única: todos os utilizadores com quem se pode interagir são criados por inteligência artificial.
A aplicação funciona de forma gratuita na versão básica, mas oferece um plano premium de 2.500 ienes (cerca de 15 euros) mensais que permite navegar por perfis ilimitados de potenciais parceiros virtuais gerados por IA. Os utilizadores podem dar “like” nos perfis que mais lhes interessam, tal como nas aplicações tradicionais.
No entanto, o facto de serem criados por computador não significa que aceitem qualquer abordagem. Os personagens virtuais da Loverse foram programados para ter comportamentos semelhantes aos humanos, incluindo a capacidade de rejeitar convites se não se sentirem interessados. As suas profissões e hobbies listados nos perfis determinam mesmo a sua disponibilidade para conversar.
Segundo um inquérito da própria empresa, a maioria dos utilizadores são homens casados na casa dos 40 anos. Esta tendência pode explicar-se pelo facto de esta geração ter casado antes da era das aplicações de encontros, nunca tendo tido oportunidade de experimentar este fenómeno social. A Loverse oferece uma forma segura e controlada de satisfazer essa curiosidade.
A empresa implementou algumas medidas de segurança, incluindo um aviso em todas as mensagens que indica “isto é fictício”. Quando são abordados temas relacionados com autolesão, os utilizadores são redirecionados para serviços de apoio governamentais.
As reações online têm sido mistas, com comentários que vão desde “é só falar com o ChatGPT” até questões mais profundas sobre se isto constituiria infidelidade num processo de divórcio. Outros questionam se não se sentirá “vazio” manter uma relação completamente fictícia.
A Loverse representa mais uma evolução no mundo digital japonês, onde as fronteiras entre realidade e virtualidade continuam a esbater-se, especialmente numa sociedade conhecida pelas suas longas horas de trabalho e dificuldades em estabelecer relações pessoais.
Isto vai ser excelente para aumentar a natalidade num país em sério declínio ao longo dos anos, com uma das populações mais idosas do mundo será em breve renovada por inúmeras novas crianças híbridas (metade humano, metade IA)…