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A Blizzard está aparentemente pronta para tentar novamente. Segundo Jez Corden do Windows Central, um shooter em terceira pessoa ambientado no universo StarCraft deverá ser revelado na BlizzCon 2026, marcada para setembro. Se a informação se confirmar, será a terceira tentativa da empresa em criar um jogo de ação na sua famosa franquia de estratégia em tempo real.
“A manchete principal da BlizzCon 2026 será muito provavelmente StarCraft”, escreveu Corden no seu extenso artigo sobre o que esperar da Xbox em 2026. “Já tinha sido reportado anteriormente que StarCraft iria receber o tratamento de shooter em terceira pessoa, e confirmei que estes rumores eram verdadeiros através das minhas próprias fontes há algum tempo”.
O jornalista não forneceu detalhes adicionais sobre o projeto, mas a sua confiança na informação sugere que o desenvolvimento está suficientemente avançado para uma revelação pública ainda este ano.
A longa história dos shooters cancelados de StarCraft
Para compreender a importância desta notícia, é preciso recuar duas décadas. Em setembro de 2002, a Blizzard anunciou StarCraft: Ghost, um jogo de ação e stealth em terceira pessoa para GameCube, Xbox e PlayStation 2. Os jogadores controlariam Nova numa história passada quatro anos após os eventos de StarCraft: Brood War.
O desenvolvimento foi atribulado desde o início. A Nihilistic Software, estúdio inicialmente responsável pelo projeto, enfrentou problemas de direção criativa. A Blizzard pedia constantemente alterações ao design, muitas vezes baseadas em tendências populares do momento, o que criou uma crise de identidade no jogo.
Em 2004, o projeto passou para a Swingin’ Ape Studios, que a Blizzard acabaria por adquirir. Mas nem a mudança de estúdio salvou Ghost. A versão para GameCube foi cancelada em 2005, e em março de 2006 a Blizzard anunciou que o jogo estava em pausa indefinida enquanto a empresa explorava possibilidades nas consolas de sétima geração que se aproximavam.
Durante anos, o estatuto de Ghost permaneceu ambíguo. Alguns representantes da Blizzard sugeriam que o projeto poderia ser retomado, enquanto outros insinuavam que elementos da história seriam incorporados noutros produtos. Só em setembro de 2014 o então presidente da Blizzard, Mike Morhaime, confirmou oficialmente o cancelamento.
Ghost tornou-se um exemplo infame de vaporware na indústria dos videojogos, chegando ao quinto lugar nos prémios anuais Vaporware da Wired News em 2005.
A segunda tentativa: Projeto Ares
Mas a Blizzard não desistiu da ideia de um shooter de StarCraft. Em 2019 foi revelada a existência do Projeto Ares, um shooter em primeira pessoa descrito como “Battlefield no universo StarCraft”.
Os protótipos permitiam aos jogadores assumirem o papel de marines ou controlarem unidades Zerg. Contudo, após dois anos de desenvolvimento, a Blizzard cancelou Ares em junho de 2019 para redirecionar recursos para Diablo IV e Overwatch 2, dois projetos prioritários que enfrentavam os seus próprios desafios de desenvolvimento.
Tal como Ghost antes dele, Ares nunca chegou a ver a luz do dia.
A terceira tentativa: Dan Hay lidera o projeto
Foi no livro Play Nice: The Rise, Fall, and Future of Blizzard Entertainment, publicado em outubro de 2024, que Jason Schreier revelou pela primeira vez a existência desta terceira tentativa. Segundo Schreier, a Blizzard está a desenvolver um novo shooter de StarCraft sob a liderança de Dan Hay, antigo produtor executivo da série Far Cry.
Hay deixou a Ubisoft em 2021 após uma década no estúdio de Montreal, onde supervisionou o período mais bem-sucedido comercialmente da franquia Far Cry. Juntou-se à Blizzard em 2022, inicialmente para liderar o desenvolvimento de um jogo de sobrevivência não anunciado. Contudo, esse projeto foi cancelado em janeiro de 2024 como parte das medidas de reestruturação da Microsoft.
No final de 2024, a Blizzard publicou várias ofertas de emprego que mencionavam um “próximo jogo shooter em mundo aberto”. Embora a empresa não tenha confirmado que estas vagas se relacionavam com o projeto StarCraft, o timing e a descrição alinhavam-se perfeitamente com os rumores.
Se o jogo for efetivamente em mundo aberto, seria uma mudança significativa face às tentativas anteriores. Ghost era mais linear e focado em stealth, enquanto Ares parecia seguir um modelo multiplayer mais tradicional inspirado em Battlefield. Um StarCraft em mundo aberto sob a direção de Hay, conhecido pelo seu trabalho em títulos expansivos como Far Cry 3, 4 e 5, poderia oferecer uma perspetiva completamente nova do universo de StarCraft .
Novidades esperadas na BlizzCon 2026
Segundo Corden, a BlizzCon 2026 não se limitará a StarCraft. A convenção, agendada para 12 e 13 de setembro, deverá também incluir:
- Anúncio de uma nova expansão para Diablo IV, apenas seis meses após o lançamento de Lord of Hatred
- Detalhes sobre The Last Titan, a 12ª expansão de World of Warcraft
- Atualizações importantes para Overwatch 2 e Hearthstone
- Possivelmente novos jogos mobile relacionados com Overwatch e Warcraft
Contudo, Corden enfatiza que StarCraft será a “manchete principal” do evento, sugerindo que o shooter receberá o tratamento de grande revelação habitualmente reservado aos projetos mais ambiciosos da Blizzard.
Uma franquia adormecida
StarCraft tem estado essencialmente dormente há quase uma década. O último lançamento substancial foi StarCraft II: Legacy of the Void em 2015, a terceira e última expansão de StarCraft II. Em 2017, a Blizzard lançou StarCraft: Remastered, uma versão melhorada graficamente do jogo original de 1998, mas sem conteúdo novo.
O próprio StarCraft II, lançado em julho de 2010, tem agora quase 16 anos. Para uma das franquias mais influentes da história dos videojogos, responsável por estabelecer o modelo moderno de esports e vender dezenas de milhões de cópias, o silêncio prolongado tem sido frustrante para os fãs.
A Blizzard manteve StarCraft vivo através de crossovers noutros jogos. Recentemente, Diablo IV recebeu skins temáticas de StarCraft, e Hearthstone lançou um conjunto completo de cartas inspiradas no universo sci-fi no início de 2025. Mas estas são migalhas comparadas com o que os fãs realmente querem: um novo jogo completo.
Apesar do otimismo de alguns fãs, há razões para manter expectativas controladas. A Blizzard tem um historial problemático com este tipo de projetos. Tanto Ghost como Ares consumiram anos de desenvolvimento e recursos significativos antes de serem cancelados.
Além disso, a Blizzard moderna é uma empresa muito diferente daquela que criou os StarCraft originais. A fusão com a Activision, seguida pela aquisição pela Microsoft, alterou profundamente a cultura interna e as prioridades comerciais. O foco mudou para jogos como serviço de longa duração, Overwatch 2, Diablo IV, World of Warcraft, que geram receitas recorrentes através de passes de batalha, cosméticos e expansões.
Um shooter de StarCraft em 2026 será quase certamente um título live service com elementos multiplayer e monetização contínua. A era dos jogos Blizzard como experiências singleplayer completas e auto-contidas terminou há muito.









