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    Criador de God of War detesta Sons of Sparta: “O que pensaram?”

    David Jaffe chama ao novo jogo 2.5D "porcaria total" e questiona quem na Sony aprovou o projeto centrado num Kratos jovem e genérico

    David Jaffe não tem papas na língua. O criador original de God of War, responsável pela direção do jogo de 2005 que deu início a uma das franquias mais lucrativas da PlayStation, destruiu completamente God of War: Sons of Sparta num vídeo de quase dez minutos publicado no seu canal de YouTube este fim de semana.

    O jogo, lançado por surpresa na passada quarta-feira após a sua revelação na State of Play, é um spin-off 2.5D que explora a juventude de Kratos durante o seu treino espartano. Desenvolvido pela Mega Cat Studios em colaboração com os Santa Monica Studio, o título chegou às lojas digitais com um preço de 30 euros e promessas de uma experiência estilo metroidvania ambientada antes dos eventos da trilogia original.

    Jaffe não está nada impressionado. “O que é que eles estavam a pensar? Tipo, o que raio é que eles estavam a pensar? Porque é que isto existe? Eu não compreendo – simplesmente não compreendo”, desabafa logo no início do vídeo, deixando claro que Sons of Sparta não corresponde minimamente à sua visão do que deveria ser um jogo 2D de God of War.

    Uma hora de jogo foi suficiente para formar opinião

    O criador admite logo de entrada que jogou apenas cerca de uma hora de Sons of Sparta e que nunca mais voltará ao jogo. Ainda assim, considera ter visto o suficiente para avaliar o projeto como um todo e questionar as decisões criativas por trás dele.

    “Eu não gosto dele. Não o recomendo”, afirma categoricamente. Jaffe reconhece que, tecnicamente, o jogo não é mau, os controlos são “úteis” e “bons”, mas essa avaliação morna é precisamente o problema. Para ele, God of War nunca deveria ser apenas “aceitável” ou “medíocre”.

    A crítica mais feroz dirige-se à caracterização de Kratos. Jaffe considera o protagonista jovem um “puto genérico e aborrecido” que em nada se assemelha ao personagem que os fãs conhecem e amam. “É como se estivéssemos a ver um programa de televisão da WB Kids. Não faz sentido nenhum”, atira, sugerindo que a abordagem mais infantil e narrativa contradiz completamente a essência brutal e visceral que definiu a série original.

    Durante o vídeo, Jaffe compara Sons of Sparta desfavoravelmente com outros jogos 2D recentes como Ninja Gaiden: Ragebound, Neon Inferno e Shinobi: Art of Vengeance, argumentando que estes títulos têm valores de produção superiores apesar de orçamentos potencialmente mais baixos. “Isto não é God of War”, insiste, acusando o jogo de não respeitar a licença e a marca.

    Problemas que vão além da jogabilidade

    Embora a mecânica de jogo seja considerada funcional, Jaffe tem problemas sérios com praticamente todos os outros aspectos. A interface e os sistemas são demasiado confusos e derivativos de God of War Ragnarök, um jogo que Jaffe já declarou publicamente odiar. A narrativa interrompe constantemente o ritmo de ação com demasiado diálogo.

    Segundo o criador, o jogo tem “demasiada história e pouca jogabilidade”, um problema que ele atribui à direção que os Santa Monica Studio tomaram desde 2018. O criador queria ver um platformer com um tom mais violento, sangrento e sério, questionando mesmo porque é que o estúdio não colaborou com os criadores de Slain ou Blasphemous para alcançar uma estética mais sombria e adequada.

    “Quem é que pensou que isto era o que o público queria? Eu não sei”, diz Jaffe, sugerindo que o projeto demonstra uma completa falta de compreensão sobre o que os fãs de God of War realmente desejam da franquia.

    O argumento central do criador é simples mas devastador, os fãs não se importam com uma versão de Kratos que não se alinha com as trilogias que já conhecem. Para Jaffe, a versão de Sons of Sparta parece um “desrespeito” ao personagem e a toda a franquia. “É uma porcaria, é estúpido, é parvo”, resume sem rodeios.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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