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    Criador japonês forçado a esclarecer que jogo não foi inspirado na Ilha de Epstein

    Hyogo Onimushi teve de usar as redes sociais para explicar que Return to Shironagasu Island já existia dois anos antes do escândalo vir a público

    Return to Shironagasu Island game visual

    Hyogo Onimushi não esperava ter de se defender publicamente quando lançou Return to Shironagasu Island em 2017. A visual novel de mistério e terror, desenvolvida de forma independente, tornou-se num sucesso moderado, mas não pelas razões que o criador esperava. Nos últimos tempos, tem sido frequentemente confrontado com a mesma pergunta incómoda: o jogo foi inspirado no caso Jeffrey Epstein?

    A resposta é não. E Onimushi está cansado de ter de o repetir.

    “Ok… só para ficar registado, não baseei remotamente Return to Shironagasu Island no escândalo da Ilha de Epstein. Para começar, o caso Epstein veio a público em 2019, enquanto a primeira edição do meu jogo foi lançada no verão de 2017, na Comiket (a versão completa saiu por volta de 2018)”, escreveu o criador no X (antigo Twitter) no início de fevereiro de 2026.

    A confusão é compreensível, ainda que injusta. Return to Shironagasu Island coloca os jogadores no papel de Sen Ikeda, um detetive de Nova Iorque que recebe um misterioso convite para a ilha isolada de Shironagasu na nota de suicídio de um milionário. Acompanhado por Neneko Izumozaki, uma menina genial mas socialmente desajeitada com memória fotográfica, Ikeda precisa de desvendar os segredos perturbadores da ilha e escapar com vida.

    A premissa, ilha remota, milionário morto, segredos obscuros, ecoa de forma desconfortável com os eventos reais que rodearam Jeffrey Epstein e a sua propriedade privada nas Ilhas Virgens dos Estados Unidos, conhecida publicamente como Little Saint James. A diferença crucial, como Onimushi tem repetido, é a cronologia.

    Return to Shironagasu Island começou a ser vendido fisicamente na Comiket de verão de 2017. A versão completa chegou em 2018. A versão para Steam foi lançada apenas em março de 2020, já depois das acusações contra Epstein terem dominado as manchetes internacionais em 2019, mas o jogo em si existia há anos.

    “Aposto que já ouviste isto mil vezes, mas sempre que vejo artigos sobre a Ilha de Epstein, lembro-me de Return to Shironagasu Island”, escreveu um fã a Onimushi no X, num dos muitos comentários semelhantes que o criador recebe regularmente.

    A popularidade do jogo não ajuda a dissipar as comparações. Segundo dados partilhados pelo próprio criador em abril de 2024, Return to Shironagasu Island vendeu mais de 210 mil cópias. No Steam, mantém uma classificação Very Positive com 93% de avaliações positivas resultantes de mais de 3.700 reviews.

    O sucesso comercial deve-se em parte à estratégia de preços agressiva. O jogo aparece frequentemente em promoções no Steam a valores entre 1,79€ e 3,99€, tornando-se numa compra impulsiva fácil para quem procura visual novels de mistério. Onimushi confirmou previamente que a maioria das vendas vem destes preços reduzidos.

    Mas a visibilidade tem um preço. Quanto mais pessoas jogam, mais comparações surgem. E numa era onde as redes sociais amplificam qualquer semelhança entre ficção e realidade, Onimushi vê-se constantemente a explicar que criou uma história sobre uma ilha misteriosa antes de o mundo saber que existia uma ilha real igualmente misteriosa e muito mais sinistra.

    O jogo recebeu uma atualização importante em março de 2025, adicionando áudio completo em japonês e novas cenas. Está disponível para PC através do Steam e itch.io, e também para Nintendo Switch. Onimushi confirmou que está atualmente a criar uma sequela.

    Return to Shironagasu Island continua disponível no Steam por 3,99€ e na Nintendo eShop por 6,99€. O jogo suporta 12 idiomas, incluindo inglês, japonês, chinês simplificado, coreano, espanhol, alemão, francês, russo, português do Brasil, polaco, turco e italiano.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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