Days Gone – Análise

Days Gone - Análise

Aproveitando a onda do sobrevivencialismo, o Bend Studio em Days Gone apresenta-nos um mundo devastado onde grande parte dos humanos foram transformados por mutações em “Freakers”.

Com um conceito que não é propriamente novo, o sucesso ou a falta dele iria passar sem dúvida pela sua execução técnica. Vamos então descobrir se o Bend Studio conseguiu algo de novo e refrescante com Days Gone.

Days Gone é um jogo de mundo aberto que aposta numa forte componente narrativa. Seguimos Deacon St. John, um ex-militar agora motoqueiro que tenta sobreviver dois anos após um vírus dizimar grande parte da população transformando as pessoas em Freakers. Temos assim uma história de sobrevivência que imediatamente nos faz pensar em The Walking Dead, a luta pelo dia-a-dia está presente, a recolha de materiais, a ameaça de estranhos seres e até o lado mais obscuro da humanidade está retratado no jogo.

o lado mais obscuro da humanidade está retratado no jogo

Sem darmos grandes spoilers, após uma tragédia Deacon St. John foca a sua atenção na sobrevivência e o gameplay de Days Gone transmite isso mesmo com uma grande novidade no género, a introdução de uma moto, como se de um NPC se tratasse. A moto será o nosso grande companheiro nesta jornada, servirá não só como meio de transporte, mas também como uma peça fulcral de sobrevivência. Terão múltiplos upgrades para fazer, terão de encontrar combustível e ter sempre a preocupação de a posicionar perto da ação como plano B caso tudo comece a correr mal.

Encontram também o típico elemento de RPG com uma árvore de habilidades dividida em combate corpo-a-corpo, armas de fogo e sobrevivência. Vão assim tentar evoluir de acordo com o vosso estilo de jogo, sendo que em Days Gone o ênfase vai mesmo para o planeamento dos vossos ataques e a furtividade. Um confronto direto com os inimigos é um convite para uma rápida e dolorosa morte.

Em Days Gone serão também recompensados pela eliminação de ninhos de Freakers, reduzindo significativamente a sua presença em determinada região, tornando as viagens mais seguras. E por falar em Freakers, como devem ter reparado pelos trailers não vão enfrentar meia dúzia deles, não, vão ter pela frente hordas de Freakers, um feito técnico impressionante por parte do Bend Studio que explora as capacidades da Playstation 4.

hordas de Freakers, um feito técnico impressionante por parte do Bend Studio

As hordas conseguem mover-se quase como uma entidade única e nos primeiros confrontos somos rapidamente confrontados não só como uma sensação de medo, mas também de impotência perante o seu número.

Quanto a Freakers temos vários tipos, os freakers padrão que são um adulto humano chamado Swarner que se move em grupo, temos os Newt, pequenos tímidos que se escondem no cimo dos telhados mas que podem ser muito perigosos e se estiverem vulneráveis vão atacar-nos, depois temos os Screamers que alertam os outros se não os matarmos rapidamente, e finalmente os Breakers, os mais difíceis.

Vão ter assim pela frente mais de 30 horas de moto, freakers e sobrevivência, sendo que conforme vão progredindo no jogo algumas mecânicas, principalmente o tipo de missões, começa a tornar-se um pouco repetitivas.

Quanto à componente gráfica, tal como afirmamos em cima as hordas de Freakers foram um desafio técnico bem conseguido, mas nem só de freakers vive Days Gone, o seu ambiente está muito bonito, dos melhores desta geração e passear de moto por aquele mundo é bem agradável, ainda para mais com um ambiente dinâmico.

o seu ambiente está muito bonito, dos melhores desta geração

Days Gone é assim um jogo bonito, com uma história cheia de potencial e tecnicamente com ideias bem diferentes, mas cuja componente de sobrevivência pode afastar alguns devido à sua monotonicidade.