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    Discord adia verificação de idades para a segunda metade de 2026

    Após uma onda de críticas sobre privacidade e recolha de dados biométricos, o CTO do Discord admitiu publicamente que a empresa "cometeu erros" e agora há uma lista de compromissos concretos antes do relançamento global.

    Discord screenshot logo

    O Discord anunciou esta terça-feira que está a adiar o lançamento global do seu sistema de verificação de idades para a segunda metade de 2026. A decisão surge poucas semanas depois de a plataforma ter revelado planos para expandir os controlos de segurança e verificação de idade a nível mundial, um anúncio que gerou uma reação imediata e furiosa por parte de milhões de utilizadores.

    Num post publicado no blog oficial, o co-fundador e CTO Stanislav Vishnevskiy foi direto ao assunto: “Cometemos erros. Não vou fingir que não cometemos. Muitos de vós ficaram com a ideia de que estamos a exigir digitalização facial e envio de documentos de identidade a toda a gente apenas para usar o Discord”. Vishnevskiy sublinhou que esse nunca foi o plano, mas reconheceu que a empresa falhou na comunicação: “Isso diz-nos que falhámos na nossa tarefa mais básica: explicar claramente o que estamos a fazer e porquê. Isso é da nossa responsabilidade”.

    A polémica foi amplificada por um contexto já sensível. Em outubro de 2025, uma violação de dados num antigo fornecedor de serviços ao cliente do Discord comprometeu os documentos de identidade governamentais de cerca de 70 000 utilizadores. Num momento em que a confiança da comunidade já estava fragilizada, o anúncio de um novo sistema de verificação com potencial para recolha de dados biométricos soou a alarme.

    Um dos pontos que mais irritou os utilizadores foi a inclusão da Persona como parceiro de verificação. A empresa é apoiada pelo Founders Fund, fundo de capital de risco co-fundado por Peter Thiel, também co-fundador da Palantir, conhecida pelo desenvolvimento de software de vigilância e análise de dados para agências governamentais e forças de segurança dos EUA. Para muitos, a associação levantava questões que iam muito além da verificação de idades. Investigadores de segurança tinham ainda detetado código exposto da Persona com categorias de triagem que incluíam listas de vigilância, o que agravou as preocupações. O Discord confirmou que a Persona “não cumpriu os requisitos” e que a parceria foi terminada.

    O impacto do anúncio original foi imediato e visível noutras plataformas, o TeamSpeak reportou uma procura tão elevada que chegou a atingir os limites de capacidade de alojamento nos Estados Unidos, com utilizadores a procurarem ativamente alternativas ao Discord.

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    Na prática, o Discord esclarece que a esmagadora maioria dos utilizadores nunca chegará a deparar-se com qualquer pedido de verificação. Segundo a empresa, os seus sistemas internos conseguem determinar automaticamente se uma conta pertence a um adulto com base em sinais como a antiguidade da conta, a existência de um método de pagamento associado, os servidores em que o utilizador participa e os padrões de atividade. Cerca de 90% dos utilizadores não deverão ser afetados. Só quem tentar aceder a conteúdo com restrição de idade e não puder ser identificado como adulto por esses sistemas será enviado para um processo de verificação com terceiros. “Se optares por não verificar, eis o que acontece: manténs a tua conta, os teus servidores, a tua lista de amigos, as tuas mensagens diretas e o chat de voz”, escreveu Vishnevskiy. “A única coisa que muda é não poderes aceder a conteúdo com restrição de idade nem alterar determinadas definições de segurança predefinidas concebidas para proteger adolescentes”.

    Antes de avançar para o lançamento global, o Discord comprometeu-se a publicar uma lista completa de todos os fornecedores de verificação com explicação detalhada sobre como tratam os dados, a exigir que qualquer ferramenta de estimação de idade facial seja executada inteiramente no dispositivo do utilizador, garantindo que os dados biométricos nunca saem do telemóve. O sistema continuará a funcionar nos países onde já existe obrigação legal, como o Reino Unido, a Austrália e, em breve, o Brasil.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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