Análise de Earth Defense Force: Iron Rain por Bruno Reis.

Earth Defense é uma das séries de nicho mais únicas presentemente. Vejamos se o seu capítulo mais recente que aterrou uns dias atrás nos PC, continua a fazer as delícias dos seus fãs.

A história leva-nos até ao ano de 2040. A terra continua a viver sob a ameaça de insetos gigantes rotulados de Aggressors. Para contra-atacar todo o poder militar do planeta é unido criando a divisão Earth Defense Force. Em Earth Defense: Iron Rain o jogador encarna um soldado que ficou em coma durante 7 anos, depois de salvar a humanidade de uma Hive gigante em rota de colisão com uma cidade.

Esta é uma entrega com poucas, mas boas ideias para a franchise, o problema é a maneira e a frequência que as utiliza. O jogo inicia-se com uma missão que atua como tutorial e pano de fundo nos acontecimentos decorrentes da mesma. Com a sua conclusão somos levados a eventos futuros, onde e através de um editor de personagens (extremamente limitado nesta fase) criamos o nosso membro da EDF. As personagens que nos acompanharam a algumas entregas atrás, tecnicamente deixaram de existir. No seu lugar apenas temos acesso a classes e a equipamento distribuído através das várias zonas do corpo, como cabeça, ou torso, e duas peças de armamento, uma primária outra secundária. No entanto, é estranho como certas divisões de infantaria não possuam nenhuns benefícios perante outras. A classe base Trooper não traz absolutamente nenhuns benefícios além de transportar mais items para as batalhas, os quais são deduzidos no relatório final, quer em avaliação final como em dinheiro. Os mesmos também sofrem de um cooldown extremo e só podem ser usados cinco vezes por estágio, daí afirmar anteriormente que esta infantaria não traz benefícios. A Heavy Striker parece muito interessante na teoria. A possibilidade de bloquear dano frontal, enquanto movimentamos nos cenários parece fantástica, o problema é que a energia do nosso escudo é a mesma que usamos para o nosso boost, e se no momento crucial não estiver disponível, corremos o risco de morte certa ou ficarmos rodeados sem possibilidade de fuga…como várias vezes fiquei. As duas classes de infantaria seguintes são bem mais úteis, a Jet Lifter e a Prowl Rider (cuja parece uma versão futurista da 3D Maneuver Gear na série Shingeki no Kyojin), cujas elevam-nos pelos ares a troco de defesa, mas que também aumentam bastante a nossa mobilidade terrestre. Isto porque evitem a todo o custo o dano destes insetos gigantes e alguma maquinaria espacial, além de hitboxes do mais questionável, quando sofremos dano tornamo-nos numa boneca de trapo, constantemente a receber dano, sem que nada nem ninguém, faça algo, além de esperar pela nossa inevitável morte.

Felizmente as armas ajudam alguns destes grandes senãos, todas são versáteis, divertidas de usar e possuem umas descrições do mais estranho e hilariante que possam imaginar. O facto de não existirem personagens propriamente ditas, significa que qualquer infantaria pode usar o equipamento que desejar. Não só temos ao nosso dispor desde a metralhadoras a railguns, como a possibilidade de usar certas sinergias que transmitem um pouco de frescura nas missões. Para finalizar cada soldado ainda tem a particularidade de entrar num estado de overdrive, a troco de alguma energia encontrada nas carcaças dos insetos, atribuindo melhoramentos de mobilidade e ataque, o problema é que não dura mais de 10 segundos, e recebermos dano neste estado o tempo que levamos até voltarmos ao combate este expira, o meu conselho é usa-lo apenas como último recurso. Com base nestes pontos e numa análise muito breve, penso que a Yuke’s tentou apelar o seu jogo a um público mais global, e imediato, já que alguma complexidade e frontalidade dos títulos anteriores foi deitada pela janela, tornado este Iron Rain, mais próximo de algo de temáticas como Free-To-Play.

Além de random items o jogo possui de quatro “moedas”, créditos e três tipos de energia extraída dos invasores nas cores azul, dourado e vermelho. Ou seja, para desbloquearmos uma peça de armamento, temos de jogar o mesmo nível dezenas de vezes, e esperar que os Deuses do RNG, sejam benevolentes, isto porque não temos nem voz, nem voto no que iremos receber no final de cada missão independente de dificuldade avaliação e drops. Ah e se esperam usar items, pedir auxílio aéreo, ou simplesmente conduzir pequenos veículos, nem se atrevam! Ou os vossos créditos são logo cotados no final da missão! Não adoram quando um jogo imprime regras e castiga-nos porque apenas queremos divertir um pouco? Eventualmente reunimos os créditos e energia para desbloquear as armas que desejamos, no entanto, ainda precisamos jogar numa dificuldade específica, obter uma certa cotação final, para finalmente estarem nas nossas mãos. O que senti gerado nestes eventos é que no momento que desejamos uma certa classe de arma, esta encontra-se datada, e as missões obrigam-nos a usar melhor armamento, por isso penso que não exista propósito para melhorarmos o nosso equipamento para escalões inferiores ao B. Cuidado também com as vossas escolhas porque equipamento mal investido, embora exista um teste, apenas podem efetuar o mesmo depois de adquirem a arma, e é um pesadelo para voltar a reunir créditos e energias.

Para o melhor ou pior, as missões são breves, a maioria nem demora 5 minutos a concluir, mais para o final do jogo é que têm um pouco mais de duração, mas apenas por arrastamento, literalmente os inimigos surgem do ar! Estes também tecnicamente parecem ser um fator positivo nesta entrega, temos variedade de insetos, até várias espécies de baratas e formigas. Não obstante, os mesmos são incrivelmente chatos de eliminar, as hordas literalmente nem reagem as nossas chuvas de projeteis ficam ali, simplesmente paradas a receber dano e alguns demoram uma eternidade até sucumbirem. Realmente é uma pena porque o rol de criaturas é muito vasto, até o próprio Godzilla revolve dar um ar da sua graça numa ocasião, até porque já faz parte da história nestes jogos.

Falando da mesma, continua ao nível das anteriores mas agora sem desenvolvimentos, sem sentimentos como o que significa ser um soldado da EDF, ou a luta que estamos a travar. Basicamente até sentimos que, no fundo, tenta ser uma espécie de Gears, o célebre jogo da Coalition, herdado da Epic Games. Contudo, a apresentação a Hollywood, diálogos bem penosos e personagens unidimensionais retiram a pouca seriedade que existe. As mesmas até deixam de existir se enveredarmos pelo modo ‘online’, que além de competirmos em algumas provas, como captura de bases, podemos jogar toda a campanha no mesmo, bem como em multiplayer local através de ecrã dividido. No modo ‘online’ onde a cooperação devia ser vital, torna-se complemente impossível coordenar ataques porque os inimigos surgem onde estão os jogadores, e por vezes ficam todos cara a cara num único jogador no outro lado do mapa. Felizmente os servidores são sólidos, independente da localização não, encontrei quaisquer lags, nem desconexões.

Tecnicamente o jogo também não impressiona. Embora tenha um aspeto ligeiramente mais polido que as anteriores entregas, os cenários e texturas tanto dos mesmos como dos modelos continuam simples, diria mesmo que estão nos ‘standards’ da geração de consolas passada. Também efeitos como explosões ou físicas ainda arriscaria a dizer que estão mais ao nível do que vimos na sexta geração de consolas. O jogo também não apresenta grandes opções gráficas, além umas escolhas de sombras, e texturas pouco mais podemos modificar. Iron Rain também apresenta um efeito muito estranho na sua resolução. Embora nos menus apenas apresente como resolução máxima atingível a de 1920×1080, o jogo é renderizado a 4K quando dispomos desse equipamento, (apenas soube deste facto pelos screenshots que acompanham este artigo), no entanto, a mesma internamente continua a 1080p. Felizmente não sofre que quebras de quadros, sempre se manteve na ordem dos 60fps, apenas descendo para 30fps nas cenas cinemáticas. Em suma os grafismos apenas cumprem a sua função, não esperem muito dos mesmos, ou ficarem maravilhados com os seus ambientes. A respeito sonoro, a maioria da banda-sonora é composta por temas de space opera que por vezes parecem um pouco fora de sítio. O jogo dispõe de áudio em japonês, inglês, chinês e coreano acompanhado de legendas em inglês, espanhol, francês, alemão, italiano, japonês, chinês e coreano, infelizmente a língua de Camões ficou de fora.

Recomendar ao jogador alistar-se nas forças da Earth Defence Force: Iron Rain, é um pouco complicado. Embora o jogo careça de um carisma muito próprio, e seja divertido jogar com amigos, carece de muitos problemas e de tarefas mundanas repetitivas. Também na sua demografia base, é um pouco divisivo já que a sua produtora habitual a Sandlot, não teve influência neste capítulo, e muita da sua caracterização foi perdida a tornar-se mais simples em prol da globalização. Na minha ótica Earth Defence Force: Iron Rain, destina-se pura e simplesmente aos amantes de jogos de nicho, ou a jogadores curiosos que queiram molhar os pés nesta série. Vemo-nos no campo de batalha soldado… ao talvez não! Hoo-ah!!

A cópia deste jogo para análise foi gentilmente cedida pela D3 Publisher, foram jogadas cerca de 21 missões nos modos single e multiplayer.