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    Estúdio do remake de Splinter Cell perde 40 pessoas, Ubisoft garante continuidade

    Splinter Cell Deathwatch anime pv netflix screenshot

    A Ubisoft Toronto acaba de perder 40 funcionários. É o estúdio responsável pelo remake de Splinter Cell, anunciado em dezembro de 2021 e praticamente desaparecido desde então e um dos maiores da editora Ubisof, com pouco mais de 500 pessoas na folha de pagamentos. Os despedimentos, que representam cerca de 8% da equipa total, foram confirmados pela própria Ubisoft esta quinta-feira e enquadram-se na vaga de reestruturação que a empresa tem vindo a executar desde o início do ano.

    Antes de Toronto já tinham sido afetadas as equipas da Massive Entertainment, da Ubisoft Stockholm e do estúdio de Abu Dhabi. O Halifax foi diretamente encerrado, num episódio que causou particular indignação por ter acontecido poucas semanas depois de os trabalhadores locais terem formado o primeiro sindicato norte-americano da Ubisoft, o que a empresa insistiu não ter relação com o fecho.

    Num comunicado a Ubisoft garantiu que “esta decisão não foi tomada de forma leviana e não reflete de forma alguma o talento, a dedicação ou as contribuições das pessoas afetadas”, acrescentando que a prioridade é apoiá-las “com pacotes de indemnização abrangentes e apoio robusto à recolocação profissional”.

    Sobre o remake de Splinter Cell, a empresa foi direta, o projeto continua em desenvolvimento. Num email interno a Ubisoft afirmou que Toronto continuará a ser “um contribuidor-chave para vários mandatos de codesenvolvimento e equipas de serviço”, incluindo o trabalho de suporte ao Rainbow Six Siege com a Ubisoft Montreal. O remake de Splinter Cell está listado como prioridade do estúdio.

    O problema é que a Ubisoft disse exatamente o mesmo sobre o remake de Prince of Persia: The Sands of Time durante anos e cancelou-o em janeiro, no arranque desta mesma vaga de reestruturação. O Ubisoft Toronto chegou inclusivamente a colaborar nesse projeto antes do cancelamento. A última atualização significativa sobre o Splinter Cell surgiu em dezembro de 2025, quando se soube que David Grivel regressou ao cargo de diretor do jogo, o mesmo que ocupou brevemente após o anúncio inicial em 2021, antes de sair do projeto.

    Um estúdio com um historial considerável

    A Ubisoft Toronto não é um estúdio menor. Foi fundada em 2010, liderou o desenvolvimento de Splinter Cell: Blacklist (2013), Watch Dogs: Legion (2020) e Far Cry 6 (2021), e participou em projetos como Star Wars Outlaws e a tentativa de ressurreição de Prince of Persia. É, por qualquer métrica, um dos pilares da estrutura de desenvolvimento da editora, o que torna os despedimentos ainda mais reveladores do estado em que a Ubisoft se encontra.

    O remake de Splinter Cell utiliza o motor Snowdrop, o mesmo que alimenta The Division, Avatar: Frontiers of Pandora e Star Wars Outlaws, e foi anunciado com promessas de visuais de nova geração e do sistema de iluminação dinâmica que caracterizou a série original. Além do regresso de Grivel como diretor, quase nada foi mostrado publicamente desde 2021. Não há imagens de gameplay, não há janela de lançamento, não há sequer uma demonstração do conceito.

    Ubisoft cancela seis jogos e fecha dois estúdios numa reestruturação radical

    O “grande reset” da Ubisoft e o que já custou

    A reestruturação em curso foi apresentada pela Ubisoft em janeiro como um “major reset”, uma reorganização interna radical que passa pela criação de cinco “Creative Houses” autónomas, cada uma responsável por franquias específicas. A par dessa mudança estrutural, a empresa anunciou um plano de redução de custos fixos de 200 milhões de euros nos próximos dois anos, a eliminação de até 200 postos de trabalho na sede em Paris (cerca de 18% do pessoal local) e, até agora, o cancelamento de seis jogos e o adiamento de outros sete.

    Os trabalhadores franceses da Ubisoft chegaram a fazer greve em resposta às medidas, exigindo a demissão do CEO Yves Guillemot. A empresa, entretanto, insiste que está a fazer progressos no plano de transformação e que as lideranças das novas Creative Houses estão a ser nomeadas, incluindo contratações externas de “veteranos experientes e respeitados da indústria”.

    Para quem cresceu a jogar Splinter Cell e aguarda o remake há mais de quatro anos sem uma única imagem de gameplay, a garantia da Ubisoft de que o projeto “continua em desenvolvimento” é simultaneamente o melhor e o pior que podiam ouvir.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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