
A Ubisoft atravessa um dos períodos mais conturbados da sua história. Nos últimos meses, a empresa cancelou seis projetos, incluindo o aguardado remake de Prince of Persia: The Sands of Time, adiou sete outros, despediu centenas de trabalhadores em estúdios como o Ubisoft Toronto e o de Paris, e enfrenta greves internas com líderes sindicais a pedir publicamente a saída de Guillemot. É neste contexto que o CEO decidiu conceder uma entrevista à Variety para apresentar o que chama de um plano de transformação a três anos, e aproveitar para confirmar o futuro de algumas das maiores marcas da editora francesa.
A mensagem principal: Far Cry e Assassin’s Creed não vão a lado nenhum.
O que foi confirmado
Em declarações à Variety, Guillemot afirmou que a Ubisoft tem “um pipeline sólido em curso na Vantage Studios”, a subsidiária lançada recentemente para concentrar o desenvolvimento das franquias mais importantes da empresa e que conta também com investimento da Tencent. “Sob a marca Assassin’s Creed, vários títulos estão em desenvolvimento, abrangendo experiências tanto single-player como multiplayer, com a ambição de continuar a fazer crescer uma comunidade que ultrapassou os 30 milhões de jogadores no ano passado”.
Quanto a Far Cry, a última entrada principal na série foi Far Cry 6, em outubro de 2021, quase cinco anos sem novidades. Guillemot não deixou espaço para dúvidas: “Em Far Cry, a expectativa é elevada, e atualmente temos dois projetos muito promissores em desenvolvimento”.
O silêncio oficial da Ubisoft sobre Far Cry contrasta com o que fontes da indústria têm vindo a reportar há dois anos. Os dois projetos em desenvolvimento têm os nomes de código internos Blackbird e Maverick, o primeiro correspondendo ao próximo título principal da saga, o segundo a um spin-off com componente multiplayer estilo extraction shooter. Ambos terão sofrido adiamentos internos, com Maverick a passar por várias reformulações ao longo do processo.
No caso de Assassin’s Creed, o quadro é um pouco mais claro. A última entrada principal foi Assassin’s Creed Shadows, lançado em março de 2025 com cenário no Japão feudal. Para além disso, há pelo menos três projetos já anunciados oficialmente: Hexe, em desenvolvimento no Ubisoft Montreal com uma abordagem mais sombria e sobrenatural; Jade, um título para mobile ambientado na China antiga; e Invictus, confirmado como uma experiência multiplayer. Rumores insistentes apontam também para um remake de Assassin’s Creed IV: Black Flag, que terá sido um dos sete jogos adiados durante a reestruturação, com uma possível revelação oficial ainda em abril.

A entrevista à Variety tem tanto de anúncio como de gestão de imagem. Guillemot quis transmitir que, apesar do caos interno, as franquias principais sobreviveram à reestruturação e estão a avançar. Mas nem todas as perguntas receberam respostas satisfatórias.
Quando confrontado com as greves nos estúdios e com os pedidos de demissão vindos de sindicatos de trabalhadores, o CEO não foi além das respostas corporativas habituais. E a questão do nepotismo, o facto de ter colocado o seu filho Charlie Guillemot como co-CEO da Vantage Studios, o braço que agora controla as maiores franquias da empresa, também não teve uma resposta que tenha convencido muita gente. “A Ubisoft foi criada como uma empresa familiar, e esse forte legado ajuda-nos a ter uma visão de longo prazo”, disse Guillemot à Variety, sem entrar em mais detalhes sobre as credenciais do filho para o cargo.









