
Um concerto vai transformar uma sala da Casa da Música do Porto numa espécie de consola gigante. No dia 4 de outubro, pelas 18h00, a Sala 2 recebe a estreia ao vivo da banda sonora de Alentejo: The Tinto & The Ugly, o jogo da produtora nacional Loading Studios, composta por Rui Rodrigues. É a primeira vez que a música de um videojogo português é interpretada na Casa da Música, e o momento está integrado no programa Insert Coin to Continue, dentro do festival Press Start.
A performance é da responsabilidade do colectivo Digitópia, liderado por Óscar Rodrigues, um núcleo da Casa da Música dedicado à exploração digital e tecnológica em contexto musical. Segundo a descrição oficial do evento, o espetáculo pega em convenções bem conhecidas de quem joga, como ecrãs de loading, menus, pontuações, tentativas falhadas ou combates finais, e transforma-as em mecanismos musicais e dramatúrgicos. Ao longo do concerto, a relação entre os músicos e o ecrã vai-se invertendo, ora é a música que dita o que acontece no jogo, ora é o próprio sistema que impõe aos intérpretes o que têm de tocar.
As doze faixas de Alentejo: The Tinto & The Ugly servem assim de matéria-prima para uma dramaturgia própria, que parte de referências reconhecíveis da cultura dos videojogos, dos primeiros sons eletrónicos a jogos de regras simples, até este título contemporâneo.
Alentejo: The Tinto & The Ugly é a sequela de Alentejo: Tinto’s Law, lançada em outubro de 2025 pela Loading Studios, para Game Boy, PC e browser. A história decorre num Alentejo do século XIX transformado em cenário de western, com Gildo e a companheira Dolores a enfrentar o tirânico Barão Tinto. O jogo segue a linha do jogo anterior, misturando ação, puzzles e humor com referências à cultura popular ibérica.
Na ficha técnica constam Vasco Oliveira, como argumentista e responsável pelo desenho de níveis, Ivan Barroso, como game designer e gestor de projeto, Daniel Penão, no desenvolvimento, e Marta Vaz, como artista do jogo. A equipa contou ainda com Raquel Neves na conceção artística, Rui Barata na animação, e os estagiários Ana Júlia e Rui Correia, nas áreas de arte e desenvolvimento. Rui Rodrigues assinou a composição musical, Tiago Pimentel tratou da arte de marketing e João Canelo prestou apoio adicional ao design narrativo.
Enquanto a banda sonora sobe ao palco da Casa da Música, a Loading Studios já trabalha no que descreve como o seu nono título, #31 Luzyahdas: The Botafogo Odyssey, previsto para PC e consolas. O novo projeto é uma aventura de ficção científica centrada na fragata espacial Botafogo, ambientada no século 31 e inspirada n’Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões.
O concerto de dia 4 de outubro insere-se num fim de semana mais alargado do festival Press Start na Casa da Música do Porto, que junta música, videojogos, banda desenhada independente e cultura pop japonesa em vários espaços do edifício.









