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Fundo que quis cobrar pelo salto do Mario comprou mais ações da Kadokawa e já ultrapassa a Sony

A Oasis Management acumulou uma participação de 11,85% na Kadokawa em menos de duas semanas, tornando-se um dos maiores acionistas da editora japonesa, acima até da Sony.

Kadokawa logo HD

A velocidade com que a Oasis Management tem acumulado ações da Kadokawa está a deixar a indústria em alerta. O fundo de investimento sediado em Hong Kong, conhecido pela sua postura ativista em empresas japonesas, declarou pela primeira vez uma participação de 8,86% na Kadokawa a 19 de março, ultrapassando o limiar de 5% que obriga à divulgação pública no Japão. Cinco dias depois, já tinha subido para 10%. E agora, segundo documentos submetidos à Financial Services Agency, a participação voltou a crescer, de mais de 14 milhões para mais de 17 milhões de ações, representando atualmente 11,85% da empresa.

O número tem um significado concreto, a Oasis Management ultrapassou a Sony, que detém 10,09% da Kadokawa, e posiciona-se agora como um dos maiores acionistas individuais da editora japonesa responsável por franquias como Dark Souls, Elden Ring e uma vasta biblioteca de mangá e anime.

Para quem não está familiarizado com o termo “investidor ativista”, não tem qualquer relação com ativismo político. Trata-se de fundos que adquirem participações significativas em empresas com o objetivo declarado de influenciar a sua gestão, habitualmente em nome do aumento do retorno para os acionistas. A Oasis tem um historial longo neste tipo de operações no Japão, tendo exercido pressão sobre empresas como a Nidec e a Kao Corporation, entre outras.

No setor dos videojogos, o nome da Oasis ficou associado a um episódio que ainda hoje é frequentemente citado como exemplo dos limites do pensamento puramente financeiro. Em fevereiro de 2014, o fundador Seth Fischer enviou uma carta ao então presidente da Nintendo, Satoru Iwata, a defender que a empresa devia entrar imediatamente no mercado mobile. Até aí, nada de extraordinário. O problema foi uma sugestão específica que constava da mesma carta:

Pensem em pagar 99 cêntimos apenas para fazer o Mario saltar um pouco mais alto“.

A Nintendo não seguiu o conselho. A sugestão tornou-se num dos exemplos mais citados de como investidores com profundo conhecimento de folhas de cálculo podem revelar uma compreensão bastante superficial do que torna os videojogos apelativos. A Nintendo acabou por entrar no mercado mobile em 2016, com Pokémon GO e Super Mario Run, embora a empresa tenha sempre sublinhado que essa decisão foi sua e não resultado de pressão externa.

Agora é a Kadokawa que está no centro das atenções da Oasis. O fundo declarou que o objetivo da aquisição é o “investimento em carteira” e “atividades de propostas importantes” no interesse de “proteger o valor para os acionistas”, uma formulação deliberadamente vaga que, traduzida, significa que a Oasis pretende ter voz ativa nas decisões da empresa. O que isso implica na prática ainda não foi tornado público, mas a assembleia geral de acionistas está marcada para junho, e o calendário sugere que há urgência na acumulação de posição.

A Kadokawa chegou a estar envolvida em negociações com a Sony para uma potencial fusão, que acabou por não se concretizar. Mais recentemente, a empresa tinha estado em conversações com a Microsoft sobre uma possível aquisição, igualmente sem resultado. A entrada da Oasis como acionista relevante acrescenta uma nova variável a um cenário corporativo que já era complexo.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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