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Gráficos de Pokémon são “suficientes” e fãs japoneses estão fartos desta polémica

O anúncio de Pokémon Winds and Waves reacendeu um debate antigo: a franquia precisa de gráficos mais realistas? Para muitos fãs japoneses, a resposta é um sonoro não e os motivos dizem mais sobre a identidade da série do que qualquer atualização técnica

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No dia 27 de fevereiro, a The Pokémon Company assinalou o 30.º aniversário da franquia com o anúncio de Pokémon Winds e Pokémon Waves,  a décima geração da série principal, prevista para 2027 em exclusivo na Nintendo Switch 2. Os jogos são ambientados numa região tropical com ilhas e zonas submarinas acessíveis, e o trailer revelou os três iniciais da nova geração: Browt (tipo Planta), Pombon (tipo Fogo) e Gecqua (tipo Água). O salto visual em relação a Scarlet e Violet foi imediato e evidente, e foi precisamente isso que reacendeu uma discussão que dura há anos.

Os gráficos de Pokémon são realmente um problema?

Desde a transição para o 3D com X e Y, em 2013, que uma parte da comunidade anglófona questiona a qualidade visual dos jogos da Game Freak. Scarlet e Violet, lançados em 2022, tornaram-se o epicentro dessa crítica, pop-in excessivo, texturas inconsistentes, framerate instável, problemas que se tornaram virais e que alimentaram a narrativa de que a Game Freak não aproveita o hardware disponível.

Mas esta não é uma discussão universal. Quando o trailer de Winds e Waves foi publicado, uma publicação no lado japonês do X tornou-se viral por defender precisamente o oposto, que os gráficos de Pokémon fazem o que têm de fazer, e que exigir mais é confundir qualidade técnica com realismo.

“Então ouvi alguém dizer recentemente: Porque é que os gráficos de Pokémon são tão baratos quando é um título tão popular?… O quê? […] Os gráficos expressam o que é pretendido, e estão completamente bem como estão. Ficaria estranho se tornasses apenas o fundo mais realista, e tentar tornar os Pokémon realistas para corresponder ao fundo iria contra o que os criadores queriam expressar em primeiro lugar”, escreveu o utilizador.

O debate entre estilo anime e realismo ocidental

A resposta gerou dezenas de respostas e partilhas, com outros utilizadores japoneses a elaborar o argumento. Um deles foi diretamente ao ponto: “Há muitas pessoas que confundem bons gráficos com realismo”. A mesma pessoa argumentou que Pokémon, enquanto série com uma estética de anime, deveria continuar a evoluir dentro desse registo visual específico e que essa evolução era visível até Sword e Shield, mas que Scarlet e Violet terão tomado uma direção diferente, com texturas mais “detalhadas” que se afastam da coerência estilística anterior.

Para este utilizador, o problema não é a falta de poder técnico, é a influência das tendências ocidentais na direção artística: “A pressão ‘de influência ocidental’ pelo realismo pode ser precisamente o que está a impedir o jogo de atingir o seu pleno potencial como série de estilo anime”.

Outro fã ofereceu uma leitura mais pragmática sobre a evolução visual: “[A mudança nos gráficos] é a desvantagem da expansão para o estrangeiro. Os jogadores japoneses adoram o estilo anime, enquanto os jogadores estrangeiros adoram o realismo, e embora ache que está bem que os criadores façam um esforço para fazer um jogo que qualquer pessoa possa apreciar, continuo a achar que é um pouco errado que Pokémon vá para o realismo”.

Winds e Waves representa uma mudança real?

Há, no entanto, quem dentro da mesma comunidade japonesa questione a premissa de que a Game Freak estaria a “ceder ao Ocidente”. Pokémon é uma franquia globalmente popular desde os anos 90, sem nunca ter precisado de se adaptar estilisticamente a mercados externos. Para estes fãs, a mudança gradual na direção artística tem menos a ver com pressão externa e mais com a tentativa de acompanhar tendências da indústria, mundos abertos, experiências mais imersivas, foco em ambiências detalhadas.

O trailer de Winds e Waves parece dar razão a esta segunda leitura, a melhoria visual é significativa em relação a Scarlet e Violet, mas continua firmemente dentro de uma estética colorida e estilizada. Os jogos prometem “um mundo aberto para explorar, com ilhas varridas pelo vento e um vasto oceano com ondas cintilantes”, sem qualquer inclinação para o hiperrealismo que a crítica anglófona por vezes reivindica.

O debate sobre gráficos em Pokémon é, no fundo, um debate sobre identidade. A serie nasceu com uma estética própria, construída ao longo de trinta anos. A questão é se a Game Freak consegue evoluir tecnicamente sem perder aquilo que, para muitos fãs, é o elemento mais reconhecível da série. Os primeiros sinais com Winds e Waves sugerem que sim, mas a resposta definitiva só chegará em 2027.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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