O MMO League of Legends produzido pela Riot Games atingiu o seu auge no início da década passada. Em eventos de videojogos ou de cultura alternativa era comum assistir a competições do jogo, ou inúmeros cosplayers do mesmo. Contudo, a chegada de Overwatch, Smite, e outras apostas do género fizeram com que League of Legends (carinhosamente apelidado de “LOL” pelos seus fãs) caísse gradualmente das posições mais elevadas por se sentir estagnado, apenas os mais devotos continuaram a aperfeiçoar o seu jogo e as suas técnicas. Há um par de anos, a Riot Games, em vez de enveredar pela via mais simples, pegou nas suas propriedades intelectuais, e anunciou diversos produtos alusivos ao seu riquíssimo universo. Desde a criticamente aclamada série na Netflix, Arcane, ao futuro jogo de luta “Project L” que League of Legends se enche de projetos dos mais variados tipos e géneros. Hextech Mayhem: A League of Legends Story é um destes. Desenvolvido pela Choice Provisions, que anteriormente nos trouxeram a série BIT.TRIP Runner e Tharsis, brinda-nos mais uma vez com um jogo de ritmo, quem tem como destaque uma personagem de League of Legends. No entanto, como veremos a seguir nem tudo é tão simples e racional como parece.

Ziggs é um Yordle com um enorme talento para produzir todo o tipo de engenhos. Mesmo dotado de uma personalidade caótica e hiperativa, este jovem inventor desde muito cedo desejou tornar-se num cientista célebre como Heimerdinger, um dos maiores cérebros de Piltover. Através de muitos risos estridentes e descobertas sem precedentes, consegue ingressar na “Yordle Academy”. No local imediatamente demonstrou os seus talentos explosivos… sem sucesso, visto que a sua conduta irreverente o levou a abandonar a academia. Após o seu hiato fora da mesma, descobre que os professores que o expulsaram foram mantidos prisioneiros por um grupo de terroristas. Sem pestanejar Ziggs, vê este salvamento como um meio para produzir novos engenhos. No rescaldo destes desenvolve um explosivo de tal forma poderoso que não só salvou os Yordles capturados de uma aparentemente intransponível prisão, como também o que inventou se trata de uma substância ultrapoderosa. Este acontecimento foi como um rastilho de criatividade na mente demente de Ziggs, além de receber o título honorário de “Dean of Demolitions” pelos prestigiados professores da academia, continuou as suas pesquisas e desenvolveu uma nova gama de bombas, carinhosamente apelidadas de “Hexplosives”. Evidentemente o volátil Yordle, também se dedicou a causar o caos nas cidades. As suas outrora calmas ruas, tornaram-se palco de muitas explosões, loucura, desavenças com todos os seus habitantes, especialmente para com o cientista Heimerdinger, que além de incansavelmente tentar aclarar a mente de Ziggs, também não faz melhor e dedica-se a testar a eficácia das suas mortais máquinas no mesmo espaço. Num dia como qualquer outro, Ziggs, deseja testar a eficácia de três novas invenções. Para tal decide viajar para amealhar recursos e causar o caos por onde passa. Heimerdinger, tenta evitar que o Yordle parta para a destruição, mas foi um esforço em vão por isso decide fazer-lhe frente com os seus próprios meios.

A nossa pontuação também é quantificada de acordo com caos gerado em cada nível

Hextech Mayhem: A League of Legends Story à vista desarmada parece tratar-se de um jogo de ritmo comum.  O cenário deambula para a direita enquanto com os botões “A”, Botão direcional para baixo e “X” controlamos uma personagem movida a loucura. Os 36 níveis que nos acompanham nesta aventura foram criados de forma a que com o auxílio destas três ações possamos evitar, explodir e interagir com os seus diversos perigos e ameaças. Se carregamos no botão “A” Ziggs salta, para baixo desce num pique vertical e finalmente com o auxílio do botão “X” Ziggs atira bombas. A beleza de Hextech Mayhem: A League of Legends Story está na sinfonia destes três elementos e como os mesmos o aproximam-no de um jogo de ação e plataformas no ecrã. Contudo, com a adição de novos elementos na sua jogabilidade, tais como o modo de controlo livre, ou mantermos pressionado o botão de salto para usar a propulsão de bombas para alcançar superfícies mais altas, descobrimos o seu verdadeiro potencial, e como uma aventura rítmica para o público comum ao invés de horas, pode alcançar um índice de rejogabilidade perpétuo para os dedicados. Para os jogadores adquirirem todas as rodas dentadas de bronze, azuis, diamante, e as maiores pontuações finais, será necessário controlar manualmente o Yordle nos caóticos níveis.

Cada conjunto de 4 níveis acompanha uma temática e transporta os jogadores para localizações diferentes de Piltover

Embora a maioria das rodas dentadas facultativas e necessárias para adquirir as invenções de Ziggs estejam delineadas ao sabor de uma sinfonia caótica, para ficarmos em posse de algumas será necessário apostar numa maior verticalidade de recursos e desenvolver novas estratégias. É neste momento que Hextech Mayhem: A League of Legends Story se sente mais do que um simples jogo de ritmo, diríamos mesmo que estamos na presença de um jogo de plataformas com elementos de ritmo. Isto porque certas rodas dentadas estão inseridas de tal forma nos níveis que será necessário tentarmos várias abordagens para as obter. Principalmente as rodas dentadas de diamante que só poderão ser recolhidas através da resolução de um enorme “puzzle”. As mesmas parecem indiferentes para o jogador, já que precisamos das azuis para as invenções e progressão do jogo, e de bronze para amealhar pontos em cada um dos níveis. Porém, se reunirmos 4 rodas dentadas de diamante podemos desbloquear um dos fatos temáticos de Ziggs. Desde o inevitável fato da sua amiga Jinx, a um muito semelhante ao CommanderVideo de Runner 3.

Após conquistarmos o primeiro boss os níveis seguintes terão um pico de dificuldade muito acentuado

Estes elementos para os mais devotos atribuem ao jogo um tempo de vida imenso, porque obter as maiores pontuações, e causar o caos enquanto se desbloqueiam os diversos fatos da Ziggs, será uma tarefa apenas ao alcance dos jogadores mais dedicados. Contudo, o jogador comum de qualquer idade e nível experiência neste género também se pode divertir com Hextech Mayhem: A League of Legends Story, visto que estamos perante um jogo bem simpático e mesmo com uma ou duas notas fora de horas, continua a convidar o jogador para a ação, já que o nível continuará a decorrer e apenas será necessário realizar uma ação indicada no ecrã. Em suma, será impossível não completar um nível. Estes desenvolvimentos poderiam ser imensamente ampliados se não fosse a demasiada confusão e ruído visual nos níveis. Fomos mergulhados numa explosão de emoções e situações de tal forma confusas que nos níveis finais foi muito fácil perder a nossa personagem de vista, isto porque cada vez que é introduzida uma nova mecânica o jogo aumenta de dificuldade atingindo picos bem intimidantes, especialmente após a conquista dos 5 primeiros blocos.

As interações entre Ziggs e Heimerdinger são bem divertidas

Felizmente este aspeto visual é agradável à vista e cativa, mesmo sendo muito mais próximo de um jogo mobile do que um jogo para o PC, Nintendo Switch (brevemente Netflix Games). Os modelos de personagens e ambientes enveredam para um estilo cartoonesco ao invés da arte de negro e aguarelada de League of Legends. Sem surpresa esta aventura explosiva não fará rebentar nenhum PC moderno, ou mesmo alguns com bons anos no ativo. Na nossa configuração pudemos desfrutar de resoluções 4K a 120 fotogramas consistentes ao longo de todos os seus níveis temáticos. No entanto, no que toca a percorrer Piltover, Hextech Mayhem: A league of Legends Story, foi fortemente criticado por não oferecer a capacidade de mapear teclas. Infelizmente a produção, lançou uma atualização prematura que retificou este problema, mas introduziu um mais grave, e teve de retroceder. O problema ainda é de tal forma grave que impede que o jogador conquiste o primeiro boss porque as metralhadoras no cenário não cessam de disparar, o ritmo e o tempo para as evitarmos não coincide com a frequência dos seus disparos.

Obter todos os fatos para Ziggs será uma tarefa apenas para os mais devotos

No momento da publicação deste artigo esta inconveniência já deve estar resolvida, e podemos mapear as teclas conforme desejado. Porém, para a melhor experiência a produção e nós recomendamos um comando de consola para o PC. Como não podia deixar de ser, a música é um elemento de destaque neste frenesim. Além da requintada banda sonora composta por Stemage (Steven Universe, Bubsy: Paws on fire, guitarrista da banda Metroid Metal) ser requintada, versátil, vibrante e cativante, também recompensa o jogador conforme a sua prestação num nível. Este efeito é muito semelhante ao que assistimos em Devil May Cry V, quando o nosso caçador de demónios limpava o ecrã com estilo todos os monstros que o ocupavam e a música introduzia novos instrumentos ou vozes à ação. Respeitante a vozes, Hextech Mayhem: A League of Legends Story, apresenta um estonteante portefólio de 16 línguas. Ziggs, é mais que poliglota e consegue falar até em português do Brasil de uma forma cómica e irreverente – as interações entre Ziggs e Heimerdinger são bem divertidas e hilariantes.

Hextech Mayhem: A League of Legends Story convida quer jogadores casuais como veteranos, a um frenético palco de loucura e requinte caso o jogador mergulhe a fundo nas suas estrofes. Estamos perante um jogo que no seu núcleo é mais que um jogo de ritmo por oferecer abordagens diferentes de um género de videojogos que prima pela linearidade. Contudo, alguns registos técnicos impossibilitam-no de alcançar palcos mais altos, mas com um preço mais que convidativo, uma aventura adequada a todos os perfis de jogadores, uma banda-sonora fantástica, uma equipa atenta aos consumidores e uma introdução ao mundo de League of Legends, estamos perante um jogo que certamente vai soar mais alto nos meses pós-lançamento. 

Prós e Contras de Hextech Mayhem: A League of Legends Story

 

 

+ Mais do que um jogo rítmico
+ Adequado a vários perfis de jogadores sem alienar os mais dedicados
+ Tempo de vida perpétuo para o público mais dedicado
+ Aspeto visual carismático e vibrante
+ Banda-sonora requintada
+ 16 línguas totalmente localizadas
+ Preço muito convidativo
–  Demasiado ruído visual
–  Para o público casual o seu tempo de jogo é extremamente limitado
–  Necessita da intervenção da produção para os novos jogadores prosseguirem no jogo
–  Apresentação próxima de um jogo mobile
–  Estilo visual diferente do original pode afastar os fãs
–  Impossibilidade de mapear comandos
–  Por ser impossível perder pode afastar os jogadores em busca de um desafio

Vindo de vários mundos e projetos, juntou-se à redação do Otakupt em 2020, pronto para informar todos os leitores com a sua experiência nas várias áreas da cultura alternativa. Assistiu de perto ao nascimento dos videojogos em Portugal até à sua atualidade, devora tudo o que seja japonês (menos a gastronomia), mas é também adepto de grandes histórias e personagens sejam essas produzidas em qualquer parte do globo terrestre.
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