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Faltam poucos dias para o lançamento de Resident Evil Requiem, marcado para 27 de fevereiro de 2026 para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, e os spoilers já estão por todo o lado. Cenas finais, revelações de personagens, detalhes do enredo, tudo está a circular online antes de qualquer jogador normal ter sequer a possibilidade de jogar no jogo pela primeira vez. A Capcom pediu que os jogadores não partilhassem conteúdo antecipado. Hideki Kamiya foi mais longe.
Num post publicado a 21 de fevereiro no X, o criador de Resident Evil 2, Devil May Cry, Bayonetta e Ōkami recorreu a uma expressão japonesa que não deixa grande margem para interpretação: 万死に値する, que se traduz literalmente por “merece dez mil mortes” e que, no seu contexto idiomático, designa algo ou alguém como o pior do pior. A tradução que circulou na imprensa ocidental ficou muitas vezes pela versão mais contida de “mil mortes”, mas a expressão original vai ainda mais longe.
O que Kamiya escreveu
O post de Kamiya, retweetando o apelo da conta oficial do Resident Evil, recuperou memórias do passado antes de disparar contra o presente:
“Lembro-me que na altura do Biohazard 2 [Resident Evil 2], tenho a certeza de que a parte final do jogo foi completamente revelada por uma revista fotográfica semanal também. Para a tua própria satisfação egoísta, pisas os sentimentos dos jogadores que aguardam ansiosamente o jogo, e dos criadores que deram tudo de si para o fazer. É um ato desprezível que destrói a felicidade de todos — mereces morrer dez mil mortes. Que sejas amaldiçoado a nunca mais poder jogar jogos”.
Vale sublinhar que se trata de uma tradução do japonês, e que a expressão em causa é idiomática, o sentido real aproxima-se mais de “és o pior do pior” do que de uma ameaça literal.
Kamiya é conhecido pelo seu feitio sem papas na língua nas redes sociais, onde bloqueia regularmente utilizadores e não hesitou em responder com dureza a quem o interpelou ao longo dos anos. Quando a Nintendo anunciou a Switch 2, Kamiya também dirigiu palavras pouco amistosas a quem passou meses a especular e a espalhar rumores.
O que torna este caso particularmente significativo é que Kamiya fala por experiência própria. Foi ele quem dirigiu Resident Evil 2 em 1998, e foi ele quem viu o twist final do jogo, um momento pensado para chocar os jogadores na reta final, ser divulgado numa revista japonesa antes do lançamento. Não é um observador externo a comentar uma situação alheia; é alguém que já viveu o resultado de ver o trabalho de anos ser desfeito numa tarde por quem achou que valia a pena partilhá-lo.
Kamiya não faz parte da equipa que desenvolveu Resident Evil Requiem. Depois de 17 anos na PlatinumGames, fundou o seu próprio estúdio, Clovers, em 2023, onde está atualmente a trabalhar num novo jogo da série Ōkami em colaboração com a Capcom.
As cópias físicas de Resident Evil Requiem começaram a aparecer antecipadamente na semana passada em vários países, o que explica a quantidade de conteúdo que está a circular online. Cenas finais, revelações sobre Grace Ashcroft, a nova protagonista do jogo, e detalhes sobre o papel de Leon S. Kennedy estão a ser partilhados em fóruns, redes sociais e plataformas de vídeo.
Resident Evil Requiem já está a ser destruído por spoilers e a Capcom não está contente
A Capcom publicou um comunicado a apelar à comunidade: “Por favor, não publiques nem partilhes leaks e spoilers pré-lançamento de Resident Evil Requiem. Queremos mesmo que todos desfrutem da história e da experiência do jogo tanto quanto possível. O nosso departamento legal irá continuar a emitir takedowns e avisos de eliminação de fugas para preservar a tua experiência no primeiro dia”.
O jogo reúne Grace Ashcroft como nova protagonista com o regresso de Leon S. Kennedy, e marca o 30.º aniversário de uma série que começou em março de 1996.









