InícioJogosA IA vai encher a Steam de clones, mas os criadores originais...

A IA vai encher a Steam de clones, mas os criadores originais vão valer mais, diz criador de Smash Bros.

Em 2010 chegaram à Steam cerca de 275 jogos. Hoje, o número anual ronda os 19 mil. Para Masahiro Sakurai, o criador de Smash Bros. e Kirby, esta curva ainda vai subir, e a inteligência artificial tem muito a ver com isso. Numa entrevista recente, o designer explicou porque acha que a maioria desses jogos não vai singrar e porque acredita que, num mercado inundado de imitações, quem tiver ideias realmente novas ficará mais valioso.

Dos 275 jogos de 2010 aos 19 mil de agora

As declarações surgiram numa entrevista ao Denfaminico Gamer. O ponto de partida foi uma comparação com 2010, o ano em que Sakurai criou o seu Game Designers Award. Nessa altura lançavam-se cerca de 275 jogos por ano na Steam, número que já ultrapassa os 19 mil.

Questionado sobre o que sente perante este crescimento, o criador respondeu que a tendência deverá acentuar-se, porque a IA vai ser usada para produzir ainda mais títulos. Acredita, no entanto, que a grande maioria será comercialmente inviável, serão tantos que ninguém conseguirá acompanhá-los, nem sequer percebê-los. Os jogos feitos com IA, ou despachados em produção em massa com pouco cuidado, acabarão sobretudo por repetir sistemas que já existem noutros jogos. E, segundo Sakurai, já há muitos exemplos disso.

Para ilustrar o fenómeno, Sakurai recorreu a um exemplo concreto, Librarian: Tidy Up the Arcane Library, um jogo passado num mundo onde existe magia e em que os livros de uma biblioteca caíram todos ao chão, cabendo ao jogador voltar a pô-los em ordem. O designer admite não saber se a ideia era original, mas lembra que o sistema base é simples, e que por isso surgiram logo muitos imitadores.

Apareceram de repente jogos com premissas parecidas, o supermercado virado do avesso e os produtos por arrumar, os parafusos que é preciso voltar a colocar no sítio, a agulha a procurar num palheiro. Pertencem todos ao género dos puzzles e, nas palavras do designer, são imitações que a IA conseguiria produzir com enorme facilidade.

A parte mais interessante da entrevista é a que fala do futuro da criatividade. Sakurai admite que a IA poderá vir a estudar a atmosfera dos jogos de Fumito Ueda, o autor de Ico e Shadow of the Colossus, e a produzir algo parecido. É um cenário que considera plausível.

O que a IA não poderá fazer, defende, é criar o jogo que o próprio Ueda vier a fazer no futuro, porque só ele decide a direção artística da sua obra seguinte. É isso, diz Sakurai, que constitui “a ‘originalidade’ que só os humanos podem possuir”.

A lógica que aplica é simples, a IA parte do que já foi criado, mas não consegue recorrer a coisas que nunca existiram. O designer sublinha que o mesmo raciocínio serve para muitas outras formas de criação, e não apenas para o trabalho gerado por IA.

Sakurai evita chamar “pioneiros” a quem se aventura em território desconhecido, mas defende que quem consegue compreender e criar algo com um estilo próprio será cada vez mais importante, sobretudo numa época de tanto conteúdo produzido em massa e de baixa qualidade.

Estas declarações não significam que Sakurai rejeite por completo a tecnologia. Numa entrevista anterior o designer apontou a IA generativa como a principal solução, se não a única, para tornar sustentável o desenvolvimento de jogos de grande escala. Os comentários agora divulgados dizem respeito, sobretudo, ao impacto da IA no volume de lançamentos e na originalidade do que chega ao mercado.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

Artigos Relacionados

Subscreve
Notify of
guest

0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente
- Publicidade -

Notícias

Populares