
À primeira vista, a comparação não parece fazer sentido nenhum. The Blood of Dawnwalker é um RPG de ação em terceira pessoa ambientado na Europa medieval do século XIV, cheio de vampiros e combate sombrio. Fallout é uma série de RPGs isométricos pós-apocalíticos passados num futuro alternativo americano. O que é que estes dois mundos têm em comum? Mais do que parece, segundo o CEO do estúdio Rebel Wolves.
Em entrevista ao polaco PAP Biznes, Konrad Tomaszkiewicz, diretor de The Witcher 3: Wild Hunt na CD Projekt RED e agora CEO da Rebel Wolves, descreveu assim a filosofia narrativa do jogo:
“The Blood of Dawnwalker será principalmente um sandbox narrativo, semelhante aos jogos clássicos de Fallout. O nosso objetivo é que o jogador possa decidir qual o caminho que quer seguir para chegar ao final do jogo”.
A referência não é ao universo, aos gráficos ou ao tom dos Fallout, mas sim à sua estrutura, jogos onde o jogador tem liberdade real para traçar o seu próprio percurso até ao fim, sem uma rota obrigatória a seguir. Nos Fallout originais dos anos 90, essa liberdade de escolha era uma das marcas distintivas, e é isso que a Rebel Wolves quer replicar num contexto completamente diferente.
Em entrevistas anteriores, Tomaszkiewicz já tinha descrito The Blood of Dawnwalker como um “sandbox narrativo” onde o jogador controla Coen, um homem transformado em meio-vampiro que tem 30 dias e 30 noites para salvar a sua família das garras de Brencis, um senhor vampiro que tomou conta do seu território. O tempo avança a cada missão completada, o que obriga a fazer escolhas constantemente.
Essa pressão temporal, combinada com a liberdade de percurso, é o coração da comparação com Fallout, não há um caminho certo, há o caminho que o jogador escolhe.
Um estúdio com muita coisa a provar
A Rebel Wolves foi fundada por ex-elementos da CD Projekt RED, e as semelhanças com The Witcher 3 são deliberadas, não acidentais. Tomaszkiewicz afirmou estar confortável com as comparações, sublinhando que o feedback obtido em sessões de teste internas e profissionais tem sido muito positivo.
O jogo, publicado pela Bandai Namco, está previsto para 3 de setembro de 2026 em PS5, Xbox Series X/S e PC. Já ultrapassa 1,5 milhões de wishlists no Steam, o que é um sinal considerável para uma nova propriedade intelectual de um estúdio estreante.
Na mesma entrevista ao PAP Biznes, o CEO foi claro quanto às expectativas financeiras: “O nosso objetivo é que, após o lançamento, o saldo de caixa na conta da empresa nos permita lançar uma sequela e continuar a desenvolver a empresa”. A saga já foi anunciada como algo que pretende atravessar diferentes épocas históricas e culturas, o trailer pós-créditos mostrado no Summer Game Fest deste ano chegou mesmo a mostrar Coen num cenário contemporâneo.
DLC gratuito nos planos, mas sem grandes promessas
Quem espera expansões massivas à imagem das que The Witcher 3 recebeu deve ajustar as expectativas. Tomaszkiewicz revelou que o estúdio está a trabalhar num “calendário de add-ons menores e gratuitos” para o pós-lançamento, mas sem qualquer compromisso com conteúdos de grande escala por agora. “Quanto a se haverá add-ons imediatamente ou nenhum, recentemente iniciámos conversas sobre este tema para planear um roadmap e um calendário de add-ons menores e gratuitos, mas ainda não tomámos uma decisão”, admitiu.
O modelo recorda o que a CD Projekt RED fez nos meses seguintes ao lançamento de The Witcher 3, pequenas atualizações gratuitas com equipamento, missões e funcionalidades, antes das grandes expansões pagas. Se a Rebel Wolves seguirá o mesmo caminho a fundo, ou se o orçamento disponível limitará essa ambição, é algo que só o desempenho comercial de setembro vai determinar.







