Jump Force – Análise

Em jeito de comemoração dos 50 anos da Weekly Shonen Jump, a Bandai Namco Entertainment lançou Jump Force, o jogo para PC, PS4 e Xbox One que promete ser a derradeira comemoração dos heróis que nos acompanharam ao longo dos anos quer na sua forma mangá como anime.

A premissa é bem simples, o nosso mundo e o mundo da Jump através de um misterioso fenómeno acabam por se fundir e os vilões de obras como Dragon Ball, One Piece, Bleach, Naruto, etc… rapidamente começam a espalhar o caos pela Terra. Vemos também surgir dois misteriosos personagens criados por Akira Toriyama, o autor de de Dragon Ball, sendo que estes serão os verdadeiros antagonistas de Jump Force.

História

No início do jogo somos um simples humano que acaba por ser inadvertidamente morto por Frieza, no entanto, Trunks traz-nos de volta e com habilidades heroicas. Provamos o nosso valor e entramos para a Jump Force, basicamente uma versão dos Avengers “edição mangá”, onde vamos conviver com muitos dos heróis das 16 franquias presentes no jogo.

Vamos fazendo várias missões que basicamente servem para irmos desbloqueando vários personagens à medica que vamos igualmente progredindo na narrativa principal no combate a Kane, o grande vilão que tem um objetivo a destruição da Terra tal como a conhecemos, algo bem cliché. Teremos claro pelo caminho as típicas missões de salvamento, combates pura e simplesmente para oferecer algum fanservice e claro a já tradicional reviravolta dos acontecimentos.

Com uma história com uns alicerces tão simples, o jogo iria sempre depender da forma como a narrativa iria ser introduzida no Gameplay. O início é auspicioso, mas rapidamente vemos que apenas os momentos mais importantes mereceram áudio, grande parte na história vai desenrolar-se “à lá cinema mudo”, ou seja, muito texto no ecrã e personagens mudos.

Para o publico alvo deste jogo, os fãs de anime e mangá, isto não é nada de novo, estão habituados a visual novels, mas pode ser algo que poderá não agradar aos jogadores mais casuais e tira algum brilho de algumas cenas mais impactantes.

Mas se existe algo, que definitivamente corta o ritmo e todo o potencial da história, são os inúmeros e demorados ecrãs de loading, não há história que consiga resistir a tanto loading, sendo que em baixo no gameplay vamos mais a fundo neste aspecto do jogo.

Gameplay

Começando pela criação do nosso personagem após a sua “morte”, temos um conjunto de opções de personalização que essencialmente se baseiam em características de personagens de cada mangá. Embora possamos criar centenas de variações, os fãs mais conhecedores vão sempre conseguir identificar que misturas de mangás estão no visual do personagem que criamos, e isso neste caso não é uma coisa má, Jump Force, tem como objetivo fazer os fãs dar asas à sua imaginação em como seria a interação entre todos estes personagens e nesse aspecto consegue apresentar um sistema de personalização que não destoa dos restantes personagens com os quais vamos interagindo

A história desenrola-se primariamente na base da Jump Force que serve também de HUB, onde se vão cruzar com múltiplos outros jogadores. Lá para além de progredir na missão principal vão igualmente ter acesso a missões secundárias, várias lojas de roupa e ataques, ao combate offline e claro multiplayer.

No entanto, existe um factor que quebra todo o ritmo do jogo e que é praticamente impossível de passar despercebido, são os múltiplos e demorados ecrãs de loading. Mesmo apesar da Bandai Namco Entertainment já ter lançado um patch, são sem dúvida nenhuma algo que definitivamente faz descer a experiência deste jogo.

Temos um loading para entrar no combate, outro para sair, cutscene genérica de fim de combate e outro para regressar à base, significando que no mínimo dos mínimos por cada missão terão de passar por pelos menos três ecrãs de loading bem demorados. Isto claro se ganharem os combates, porque se perderem e quiserem fazer outra vez o combate, terão direito a um ecrã de loading adicional por cada tentativa.

Chegamos a passar mais tempo em ecrãs de loading do que propriamente em combate, o que para um jogo de luta é um contrassenso.

Em termos de progressão ao longo do jogo, temos um inicio bem simples e fácil sendo que quando nos aproximamos dos conteúdos finais da história principal, já com perto de 12 horas de gameplay, o nível de dificuldade aumente da forma desproporcional e o objetivo passa por tentarmos a todo o custo não sofrer um único golpe do adversário, o que pode ser frustrante.

O roster do jogo é atualmente formado por:

  • Black Clover: Asta
  • Bleach: Ichigo Kurosaki, Rukia Kuchiki, Sosuke Aizen, Renji Abarai
  • City Hunter: Ryo Saeba
  • Dragon Ball Z: Son Goku, Vegita, Freeza, Cell, Piccolo, Trunks
  • Dragon Quest The Adventure of Dai: Dai
  • JoJo’s Bizarre Adventure: Jotaro Kujo, Dio
  • Fist of the North Star: Kenshiro
  • Rurouni Kenshin: Kenshin Himura, Makoto Shishio
  • Hunter X Hunter: Gon Freecss, Killua Zoldyck, Kurapika, Hisoka
  • My Hero Academia: Izuku Midoriya
  • Naruto/Boruto: Naruto Uzumaki, Sasuke Uchiha, Boruto Uzumaki, Gaara, Kakashi Hatake, Kaguya Otsutsuki
  • One Piece: Monkey D. Luffy, Roronoa Zoro, Sanji, Sabo, Black Beard/Marshall D. Teach, Boa Hancock
  • Saint Seiya: Pegasus Seiya, Dragon Shiryu
  • Yu-Gi-Oh!: Yugi Mutou
  • Yu Yu Hakusho: Yusuke Urameshi, Younger Toguro

Combate

Aqui encontramos algo bem acessível que foi do nosso agrado. Lembrando que este é um jogo vocacionado para os fãs de anime e mangá, e não propriamente para os fãs harcore de jogos de luta, o sistema de combate é bem simples, intuitivo, sem grandes combos, e mesmo os jogadores menos habituados nestas andanças se vão sentir em casa, e em pouco tempo a fazer ataques dignos de qualquer anime.

A Spike Chunsoft neste aspecto está de parabéns, o sistema de combate está relativamente equilibrado, todos os ataques são passiveis de ser contrariados e as mecânicas são bem simples, premiando, no entanto, aqueles que gastarem mais tempo a aprender os ataques.

É curiosa a maneira como decidiram implementar o sistema de combate, com as três personagens da nossa equipa a partilharem a mesma barra de vida, o que significa, que todos os três personagens estarão sempre disponíveis para ataque e para serem trocados, mas ao mesmo tempo torna os combates bem mais rápidos, talvez até rápidos demais.

No que toca ao combate multiplayer, Jump Force é bastante competente sem grandes falhas e é sem dúvida um dos componentes mais divertidos do jogo. A imprevisibilidade do oponente humano torna tudo mais interessante e o ecrã rapidamente se transforma num espetáculo visual impressionante.

Gráficos

Não ficamos desiludidos, os combates conseguem ser animes interativos e é bem agradável ver no ecrã todos aqueles ataques com os quais crescemos. Tanto roupa, como ataques, e som estão bem conseguidos, sendo que a nódoa negra cai no design de personagens, é notório que alguns personagens receberam bem mais amor dos produtores que outros.

Os locais de combate são interessantes, principalmente Hong Kong e New York, pena é os danos não serem permanentes e em questão de segundos o chão que acabamos de pulverizar com um kamehameha volta à normalidade.

Espetacular promoção de Jump Force no Metro de Tóquio

Veredito

Jump Force é um jogo para fãs de anime e mangá e não para os fãs de jogos de luta hardcore, tendo por base essa premissa, o jogo consegue realmente ser o festejo das obras da Jump e rapidamente nos coloca a fazer a típica pergunta, “e se aquele personagem lutasse contra aquele quem iria vencer?”, e antes de se aperceberam já passaram várias horas com o comando na mão.

A história tem potencial, mas os múltiplos ecrãs de loading tiram toda e qualquer hipótese de termos uma experiência narrativa fluida e livre de distrações, quebrando completamente a imersão.

Onde Jump Force brilha é na sua componente multiplayer, bem divertida e conseguida, sem grandes problemas de conectividade e combates equilibrados.