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Konami aumenta salários pelo quinto ano consecutivo e recém-licenciados ganham mais

A editora japonesa anunciou uma nova revisão salarial que eleva em quase 30% o ordenado de entrada face a 2022 e reforça a base mensal de todos os funcionários.

Silent Hill f visual

Numa indústria marcada por vagas sucessivas de despedimentos, a Konami continua a nadar contra a corrente. A editora japonesa por trás de Silent Hill e Metal Gear anunciou a 25 de março que vai rever novamente o seu sistema de remuneração, marcando o quinto ano consecutivo de aumentos salariais na empresa.

Os novos contratados que ingressem na Konami diretamente da universidade a partir de março de 2027 verão o seu salário mensal de entrada subir dos actuais 305.000 ienes para 310.000 ienes, um aumento de cerca de 1,6% face ao ano anterior, mas que representa uma subida de quase 29% desde fevereiro de 2023, quando o salário de entrada era de 240.000 ienes. Todos os funcionários efectivos receberão ainda um acréscimo de 5.000 ienes mensais na remuneração base.

A Konami sublinhou no seu comunicado estar “empenhada em continuar a investir activamente no capital humano, sendo este novo aumento dos salários de base um reflexo disso mesmo”. O objetivo declarado é atrair “um conjunto diversificado de talentos excepcionais” e criar “um ambiente em que trabalhar seja confortável e gratificante”.

Não se trata de retórica nova. O historial de aumentos da empresa nos últimos anos tem sido notavelmente consistente. Em 2022, a Konami anunciou uma revisão significativa que elevou o salário de entrada de 240.000 para 290.000 ienes. Desde então, a empresa não parou, em fevereiro de 2025, quando anunciou o quarto aumento consecutivo, o salário de entrada fixava-se nos 305.000 ienes.

O Japão como ponto de referência positivo

O anúncio da Konami insere-se numa tendência mais ampla que está a redefinir as condições de trabalho na indústria japonesa de videojogos, e que contrasta fortemente com o que tem acontecido no Ocidente.

A Sony Interactive Entertainment anunciou no mês passado que vai elevar os salários de entrada para licenciados a partir de abril de 2026 para 425.000 ienes mensais, o valor mais alto da história da empresa. No caso de titulares de mestrado, o arranque é de 460.000 ienes, e de doutoramento, 480.000 ienes. Estes valores incluem base e horas extra fixas.

A Atlus, criadora da série Persona, anunciou em meados de março uma subida de 10% nos salários de entrada (de 300.000 para 330.000 ienes) e um aumento de 15% nos salários anuais de todos os funcionários efectivos. A empresa vai também reduzir as horas extra de 30 para 20 por mês. Em novembro de 2025, a empresa-mãe Sega tinha já avançado com medidas semelhantes, elevando os salários de entrada para o mesmo valor e implementando um aumento médio de 10% para todos os funcionários.

Capcom, FromSoftware e Bandai Namco fazem parte de um grupo crescente de editoras japonesas que têm ajustado as suas tabelas salariais nos últimos anos, num mercado de talentos cada vez mais competitivo. Com o Japão a registar em 2025 o maior aumento médio de salários em 34 anos, cerca de 5,25% segundo dados sindicais citados pela Reuters, as empresas de videojogos estão pressionadas a acompanhar o ritmo para não perderem os melhores engenheiros e programadores para sectores como a inteligência artificial e a banca.

A ironia não passa despercebida, enquanto alguns dos maiores estúdios ocidentais têm anunciado cortes e encerramentos, a Konami, durante anos associada a más práticas laborais e a uma reputação difícil junto da comunidade de jogadores, está a afirmar-se como um dos empregadores mais atractivos do sector no Japão.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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