Lembram-se quando a Nintendo, a lendária produtora de videojogos que é igualmente lendária pela rapidez com que mete advogados em campo, levou um valente “Game Over” judicial na Costa Rica num processo que mais parecia um nível secreto mal calculado há sensivelmente um ano?
Tudo começou quando a empresa japonesa decidiu avançar contra o Sr. Mário Alfaro, dono de uma pequena loja chamada Super Mário, que devido a este nome aparentemente se tratava de uma violação de direitos de autor e uso indevido. Até aqui, nada de novo, porque como sabemos a Nintendo faz de tudo para proteger o seu bigode mais famoso. O problema foi um pequeno detalhe que lhes escapou no mundo 1-1.
A loja do Sr. Alfaro existe desde 1973, ou seja, muito antes do canalizador italiano sequer sonhar com princesas, e saltar canos e carapaças de koopas, visto que Super Mario Bros. só apareceria na década seguinte.

Em tribunal, este pequeno pormenor transformou-se num autêntico turbilhão jurídico. Porque ficou provado que o nome do negócio era usado de forma legítima e contínua décadas antes sequer da Nintendo registar a sua famosa personagem, pelo que não existia base legal para obrigar o comerciante a mudar de nome, aliás o nome Super Mario Bros. até poderia ser considerado de plágio da loja se o Sr. Alfaro assim o desejasse.
Por isso a Nintendo não só teve de retirar o processo como ainda teve de pagar uma “pequenina” indemnização ao Sr. Alfaro que pôde tranquilamente manter o direito de continuar a operar como no seu país como “Super Mario”.
De salientar que este nome nem sequer tem implicações com um nome próprio, porque “Super” na Costa Rica é automaticamente sinónimo de Supermercado, por isso o nome do seu estabelecimento pode ser descrito como “Supermercado do Mário” ou “Loja do Mário”.
Nem sempre quem tem mais power-ups vence o boss final. Por vezes, a verdadeira “Power Star” pode ser um recibo enrugado de 1973 bem guardado numa gaveta.









