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    Nova CEO da Xbox revelou o gamertag e ninguém ficou convencido

    Asha Sharma chegou à liderança da Xbox vinda da divisão de inteligência artificial da Microsoft. A primeira semana no cargo já foi suficiente para alimentar uma das polémicas mais estranhas do gaming em 2026

    Asha Sharma screenshot Microsoft

    Phil Spencer saiu. Depois de 38 anos na Microsoft, começou como estagiário em 1988, e mais de uma década a liderar a Xbox com a T-shirt verde praticamente cosida à pele, Spencer anunciou a sua reforma. O seu sucessor não foi Sarah Bond, presidente da Xbox e a candidata mais esperada pela comunidade, que também saiu da empresa. Foi Asha Sharma, até então presidente de produto na divisão CoreAI da Microsoft, com passagens anteriores pela Instacart como diretora de operações e pela Meta como vice-presidente de produto.

    O anúncio foi feito a 20 de fevereiro pelo CEO da Microsoft, Satya Nadella, que escreveu num comunicado oficial: “Estou muito otimista quanto ao gaming e ao papel que desempenha no centro das nossas ambições para o consumidor, e ao olhar para o futuro, estou animado para partilhar que Asha Sharma se tornará Vice-Presidente Executiva e CEO, da Microsoft Gaming, reportando diretamente a mim”. Matt Booty, responsável pelos estúdios Xbox, foi promovido a vice-presidente executivo e diretor de conteúdo, reportando à nova CEO.

    O gamertag e o que ele revelou

    Num fim de semana em que tentou aproximar-se da comunidade no X, Sharma abriu uma thread a perguntar quais eram os três maiores jogos de sempre. Partilhou os seus: Halo, Valheim e GoldenEye 007. Quando alguém lhe pediu o gamertag, ela revelou: AMRAHSAHSA.

    A partir daí, foi tudo muito rápido. A comunidade fez o que sempre faz, foi ver e investigar. E o que encontrou levantou questões. O registo mais antigo no perfil data de 15 de janeiro de 2026, com uma conquista em Halo: The Master Chief Collection. Ou seja, o histórico de jogo no Xbox começa cerca de cinco semanas antes de ser nomeada CEO e pouco mais de um mês antes do anúncio público.

    Isso por si só poderia ter passado sem grande drama. O que alimentou o ceticismo foi o volume de jogo acumulado em tão pouco tempo. A conta acumulou 10.000 pontos de Gamerscore ao longo de 29 jogos no espaço de um mês, com comportamentos que alguns consideraram “suspeitos”, como atingir 100% de conquistas em Firewatch e em Ball x Pit, este último com 43 horas de jogo no espaço de uma semana. Em Minecraft, o perfil mostra menos de 12 horas de jogo, mas inclui várias conquistas raras que normalmente levam muito mais tempo a obter em jogo casual.

    A leitura que muitos fizeram foi a de que o perfil poderia ter sido construído por outra pessoa, ou por várias, para dar à nova CEO uma aparência de credibilidade entre os jogadores. Um utilizador no Reddit comentou: “Fingir ser jogador é a pior opção, basta ser honesta. Rodeia-te das pessoas certas e não é um problema”.

    Há, contudo, uma versão alternativa mais simples: Sharma simplesmente não jogava Xbox antes de assumir o cargo, aproveitou o período de transição entre funções para fazer o trabalho de casa, e foi mais dedicada do que o esperado. Ela própria admitiu no X que não é nenhuma XboxP3, a tag histórica de Phil Spencer, o que é uma forma honesta de reconhecer a diferença de ponto de partida.

    Do lado positivo, a escolha dos jogos diz algo sobre as suas preferências. Os títulos com percentagens de conclusão mais altas foram sobretudo jogos indie curtos e narrativos, como Firewatch, What Remains of Edith Finch, Gone Home e A Short Hike, o que sugere uma preferência por experiências emocionalmente carregadas. Num registo mais curioso, quando alguém no X lhe sugeriu que experimentasse Borderlands 2, ela respondeu que ia jogar ainda nesse dia, e o jogo apareceu de facto na lista de atividade recente pouco depois.

    Nova líder da Xbox promete não encher os jogos de “lixo de IA sem alma”

    O que disse (e o que não disse)

    Sharma no seu comunicado delineou as suas prioridades: “grandes jogos”, o “regresso da Xbox” e o “futuro do jogo”. Sobre inteligência artificial, o tema mais sensível dada a sua origem na divisão de IA da Microsoft, foi direta. Sharma declarou que não irá “perseguir eficiências de curto prazo nem inundar o ecossistema com IA sem alma” e que “os jogos são e serão sempre arte, criada por humanos”.

    Sobre exclusivos, outro ponto de tensão histórico para a comunidade Xbox,, a resposta foi mais vaga, mas suficiente para acender alguma esperança entre os fãs mais fervorosos. Ela respondeu a um utilizador com mais de 200.000 pontos de Gamerscore que lhe lembrou a importância dos exclusivos: “Ouço-te”.

    A sombra de Phil Spencer pesa muito. O homem tinha um Gamerscore acima dos 120.000 pontos e era parte integrante da identidade pública da Xbox há décadas. Sharma chega numa fase em que a receita da divisão caiu quase 10% no último trimestre e com a comunidade já desconfiada depois de anos de encerramentos de estúdios, cancelamentos e a saída progressiva dos exclusivos de plataforma.

    Há ainda rumores, nunca confirmados, de que a saída de Spencer não foi bem a reforma tranquila que o comunicado oficial descreveu. Greg Miller, no podcast Kinda Funny Games, disse ter recebido informação de que “isto não estava planeado”. A Microsoft não comentou.

    Para 2026, a Xbox tem Fable e Forza Horizon 6 a caminho, dois títulos com muita expectativa acumulada. Se Sharma conseguirá transformar ceticismo em confiança é uma pergunta que ninguém tem resposta para já.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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