Mais...
    InícioJogosNvidia adia novas placas gráficas e aposta tudo na inteligência artificial em...

    Nvidia adia novas placas gráficas e aposta tudo na inteligência artificial em 2026

    Nvidia decidiu adiar o lançamento de novas placas gráficas em 2026 para concentrar recursos no desenvolvimento de chips de inteligência artificial

    Nvidia RTX 4090

    A Nvidia não vai lançar novas placas gráficas em 2026, marcando a primeira vez em três décadas que a empresa passa um ano sem apresentar novos produtos para o segmento gaming. A decisão surge num contexto de escassez global de memória RAM e de uma priorização clara do mercado de inteligência artificial, que se tornou o motor financeiro da empresa.

    De acordo com o The Information, a Nvidia decidiu em dezembro cancelar indefinidamente o lançamento das placas GeForce RTX 50 Super, uma atualização da série RTX 50 que tinha sido lançada no início de 2025. O código interno do projeto, designado por Kicker, já tinha os designs finalizados, mas a falta de chips de memória GDDR7 de alta capacidade levou os executivos a suspender a produção.

    Para além de cancelar as novas placas, a Nvidia vai também reduzir a produção das atuais GPUs da série RTX 50, que já enfrentam problemas de disponibilidade em várias regiões do mundo. Esta decisão deixa os jogadores numa posição difícil: as placas atuais estão esgotadas, as versões Super foram canceladas e a próxima geração ainda está longe.

    A próxima geração pode demorar até 2028

    O impacto desta decisão vai muito além de 2026. As fontes do The Information indicam que a série RTX 60, baseada na arquitetura Rubin e inicialmente prevista para entrar em produção em massa no final de 2027, pode ser adiada para 2028 ou mesmo mais tarde. Isto significaria um intervalo de quase três anos entre gerações principais de GPUs, um dos períodos mais longos na história recente da Nvidia.

    A escassez de memória RAM de alta largura de banda afeta toda a indústria. Este tipo de memória é essencial tanto para placas gráficas como para aceleradores de IA, e com a capacidade de produção no limite máximo, a Nvidia teve de escolher quais os produtos que recebem os componentes limitados disponíveis.

    Em comunicado enviado ao Insider Gaming, a Nvidia afirmou que “a procura por GPUs GeForce RTX é forte e o fornecimento de memória está limitado. Continuamos a enviar todos os SKUs GeForce e estamos a trabalhar em estreita colaboração com os nossos fornecedores para maximizar a disponibilidade de memória”.

    Nvidia logo HD

    Os números explicam a decisão

    A escolha da Nvidia torna-se mais clara quando se analisam os números financeiros. No terceiro trimestre do ano fiscal de 2026, que terminou a 26 de outubro de 2025, a empresa reportou receitas recordes de 57 mil milhões de dólares, um crescimento de 62% face ao mesmo período do ano anterior.

    Deste total, 51,2 mil milhões de dólares vieram do segmento de data centers, um aumento de 66% em relação ao ano anterior. Em contraste, o segmento gaming gerou 4,3 mil milhões de dólares, apesar de ter registado um crescimento de 30%.

    Para contextualizar a mudança de prioridades, nos primeiros nove meses de 2022, as GPUs para gaming representavam 35% das receitas totais da Nvidia. No mesmo período de 2025, esse valor caiu para apenas 8%. Além disso, os chips de IA têm margens de lucro significativamente superiores: 65% comparado com 40% das placas gráficas.

    A capitalização de mercado da Nvidia ronda atualmente os 4,2 biliões de dólares, tornando-a a empresa mais valiosa do mundo. Jensen Huang, fundador e CEO da Nvidia, afirmou nos resultados do terceiro trimestre: “As vendas de Blackwell estão nas alturas e as GPUs para cloud estão esgotadas. A procura por computação continua a acelerar e a compor-se entre treino e inferência, cada uma crescendo exponencialmente”.

    Nvidia pode ressuscitar placas antigas

    Numa tentativa de aliviar a escassez, Jensen Huang mencionou na CES 2026 que a empresa poderia ressuscitar hardware antigo, incluindo placas da série RTX 30, que têm mais de meia década. Estas placas utilizam memória GDDR6 e são fabricadas no processo de 8nm da Samsung, tornando-as mais fáceis de produzir do que os modelos atuais.

    No entanto, esta solução traz os seus próprios problemas. Ao relançar hardware tão antigo, os jogadores perdem acesso a funcionalidades modernas e ao desempenho mais recente, ficando presos a tecnologia desatualizada enquanto os chips de IA monopolizam os recursos de produção da empresa.

    A situação atual coloca uma questão incómoda para a comunidade gaming, numa era em que a inteligência artificial domina as prioridades empresariais, será que os jogadores ainda importam para a Nvidia?

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

    Artigos Relacionados

    Subscreve
    Notify of
    guest

    0 Comentários
    Mais Antigo
    Mais Recente
    Inline Feedbacks
    View all comments
    - Publicidade -

    Notícias

    Populares