
Durante anos, a estratégia da Sony de lançar os seus exclusivos no PC pareceu uma aposta segura, God of War, Spider-Man, Horizon, Returnal, títulos aclamados que chegaram ao Steam com meses ou anos de atraso, mas que geraram receitas adicionais sem aparente desvantagem. Agora, com a Sony a recuar dessa estratégia, surgem pela primeira vez números concretos sobre o que esse período realmente valeu financeiramente.
A informação veio de uma fonte pouco habitual, o perfil do LinkedIn de Jerry Liu, antigo PC Planner and Insights Manager da PlayStation entre janeiro de 2021 e junho de 2023.
No seu perfil, Liu indica que durante o período em que supervisionou a divisão, fez crescer a receita líquida de zero para 300 milhões de dólares. Parte do seu trabalho passou por apresentar dados internos à liderança para justificar uma estratégia de preços mais agressiva, o que, segundo ele, contribuiu para um crescimento de 25% na receita bruta da unidade. Liu refere também que analisou o catálogo da PlayStation para identificar títulos com potencial ainda por explorar no mercado PC.
Para a divisão dedicada ao PC, atingir 300 milhões em três anos partindo do zero pode parecer um resultado sólido. O problema está na comparação. As vendas de jogos para PS4 e PS5 superam esse valor num único ano, em 2022, as consolas geraram 264 milhões de dólares e, em 2023, 286 milhões, apenas com jogos.
A Sony tinha inicialmente projetado que os jogos PlayStation no PC gerariam cerca de 50 milhões de dólares nos primeiros anos. Os 300 milhões representam, portanto, seis vezes o valor esperado, mas isso não foi suficiente para convencer a empresa a manter o rumo.
A mudança de estratégia
Em março de 2026, a Bloomberg reportou, com base em fontes internas, que a Sony estava a pôr fim à prática de lançar os seus jogos single-player no PC. Títulos como Ghost of Yotei e Saros, que tinham versões para PC em desenvolvimento, viram esses projetos cancelados. A mudança afeta apenas os títulos desenvolvidos internamente, jogos de terceiros publicados pela Sony, como Death Stranding 2, não são abrangidos.
Os motivos exatos para a mudança não foram confirmados oficialmente pela Sony. As análises de mercado apontam para uma quebra de interesse nos ports mais recentes, títulos como Marvel’s Spider-Man 2, God of War Ragnarök e The Last of Us Part II Remastered não registaram no PC o mesmo nível de procura que os lançamentos anteriores da mesma estratégia. Há também a questão estratégica de fundo, com a próxima Xbox a ser descrita como uma plataforma aberta e compatível com o Steam, a Sony pode ter decidido que os exclusivos são uma das poucas alavancas que ainda tem para justificar o investimento numa PlayStation.









