
A campanha Stop Killing Games confirmou ter conseguido 1.294.188 assinaturas verificadas para a sua Iniciativa de Cidadania Europeia, ultrapassando confortavelmente o limiar de um milhão necessário para ser considerada pela Comissão Europeia.
O número final foi partilhado a 24 de janeiro por Moritz Katzner, representante da campanha, que confirmou que o próximo passo será a entrega formal às instituições europeias em Bruxelas. Através de uma publicação no X/Twitter, Katzner revelou: “A contagem final da Iniciativa de Cidadania Europeia: Stop Destroying Video Games. A entrega terá lugar em Bruxelas entre meados e finais de fevereiro”.
A imagem divulgada mostra a distribuição de assinaturas por país. A Alemanha registou o maior número com 233.180 assinaturas, seguida pela França e Polónia com 145.289 e 143.826, respetivamente. Em Portugal cerca de 31.585 pessoas assinaram a petição.
A Stop Killing Games centra-se em combater a prática das editoras de desligarem jogos permanentemente ao desativar servidores ou outra infraestrutura, mesmo para títulos vendidos como produtos completos. A campanha argumenta que os consumidores devem manter acesso aos jogos que compraram, seja através de modos offline ou alternativas legalmente suportadas, quando os serviços oficiais terminam.
Embora a iniciativa não resulte automaticamente em nova legislação, ultrapassar o limiar de assinaturas obriga a Comissão Europeia a rever formalmente a proposta e responder.
“STATE OF PLAY”: Um mergulho sobre a indústria dos videojogos em 2025
O movimento foi iniciado em 2024 pelo YouTuber Ross Scott, criador de Freeman’s Mind, depois da Ubisoft ter encerrado o jogo The Crew sem qualquer suporte pós-encerramento. A campanha rapidamente ganhou popularidade, sendo coberta por vários YouTubers e meios de comunicação.
O objetivo não é forçar empresas a suportar jogos perpetuamente, mas implementar um plano de fim de vida para modificar ou corrigir o jogo para que possa funcionar em sistemas de clientes sem necessitar de suporte das empresas que criam os jogos.
A iniciativa recebeu apoio significativo, incluindo de figuras políticas como Nicolae Stefanuta, vice-presidente do Parlamento Europeu: “Estou com as pessoas que iniciaram esta iniciativa de cidadania. Assinei e continuarei a ajudá-los. Um jogo, uma vez vendido, pertence ao cliente, não à empresa”.
No entanto, nem todos apoiam a iniciativa. A Video Games Europe, associação que representa os interesses das principais editoras e programadores de jogos da Europa, divulgou uma declaração a 4 de julho de 2025 criticando a proposta. A organização afirmou que “a decisão de descontinuar serviços online é multifacetada, nunca é tomada de ânimo leve e deve ser uma opção para as empresas quando uma experiência online já não é comercialmente viável”.
A Video Games Europe argumentou ainda que as propostas da campanha “limitariam a escolha dos programadores ao tornar estes videojogos proibitivamente caros de criar” e que servidores privados nem sempre são uma opção viável, já que “as proteções… implementadas para proteger os dados dos jogadores, remover conteúdo ilegal e combater conteúdo comunitário inseguro não existiriam e deixariam os detentores de direitos responsáveis”.
As notícias sobre a campanha surgem pouco depois de Anthem, o RPG de ação live service da BioWare, ter encerrado os seus servidores a 12 de janeiro de 2026. O jogo lançado em 2019 tornou-se mais um exemplo do problema que a Stop Killing Games procura resolver.
Uma vez validadas as assinaturas, a Comissão Europeia tem no máximo seis meses para responder publicamente às exigências da iniciativa. Isto não significa que a UE tenha de transformar os desejos da Stop Killing Games em lei, mas é um passo importante que obriga a Comissão a declarar “as medidas que planeia tomar, se houver, bem como justificações e um cronograma previsto para implementar as medidas”.








