
A Sony Pictures Entertainment está a passar por uma das maiores reorganizações internas dos últimos anos. O CEO Ravi Ahuja comunicou aos funcionários, através de um memorando interno, que a empresa vai reduzir centenas de postos de trabalho nas suas divisões de cinema, televisão e corporate. O processo já está em curso e deverá prolongar-se pelos próximos meses.
Segundo a Variety, os cortes deverão afetar “algumas centenas” de pessoas, num universo global de 12.000 funcionários. As fontes próximas da decisão sublinham que não se trata de um exercício de contenção de custos, mas sim de uma escolha “direcionada e estratégica” para impulsionar o crescimento em áreas consideradas prioritárias.
No memorando obtido pela Variety e pelo The Hollywood Reporter, o CEO foi direto sobre a lógica por detrás das mudanças:
“Estamos a alinhar a nossa organização com o rumo que o negócio está a tomar, não com o caminho que tem seguido. Isso exige mudanças na forma como estamos estruturados e onde investimos. Com isso, estamos a reduzir posições em certas áreas enquanto aumentamos o foco e o investimento naquelas que são mais críticas para o nosso futuro. Isto significa que alguns dos nossos colegas vão deixar a empresa. São decisões difíceis”.
Ahuja assumiu a liderança da Sony Pictures em janeiro deste ano, após a reforma do anterior responsável, Tony Vinciquerra.
Anime, PlayStation e conteúdo nativo para plataformas
As áreas que vão receber mais investimento estão bem identificadas: anime, adaptações de videojogos da PlayStation, expansão de franquias e marcas, conteúdos para plataformas nativas como o YouTube, e uma maior conectividade com o ecossistema mais amplo do Sony Group.
Os principais motores de retorno identificados pela empresa incluem a Crunchyroll, a plataforma de anime que a Sony já detém, e as adaptações televisivas e cinematográficas de propriedades intelectuais da PlayStation. Como exemplos concretos temos a série de God of War, em desenvolvimento na Amazon, e a expansão de universos já estabelecidos como The Boys, Spider-Man e Ghostbusters. A empresa também adquiriu recentemente o IP dos Peanuts e fechou um novo acordo com a Big Shot Pictures.
No memorando, Ahuja sublinha ainda o posicionamento único da Sony em Hollywood, ao contrário dos seus concorrentes, a empresa não tentou construir uma plataforma de streaming própria de grande escala (além da Crunchyroll), optando por vender os seus conteúdos a vários parceiros, uma flexibilidade que considera uma vantagem competitiva.

Mudanças na estrutura e nas lideranças
A reestruturação implica também alterações orgânicas relevantes. O Game Show Group da Sony vai ser fundido com a Game Show Network, passando a estar sob a alçada de Suzanne Prete, presidente da divisão de concursos televisivos. A divisão de não-ficção da Sony Pictures Television ficará a cargo de Katherine Pope, presidente dos estúdios de TV.
Ao nível dos quadros dirigentes, John Zaccario, presidente da Game Show Network e veterano de 18 anos na empresa, e Colin Davis, vice-presidente executivo de desenvolvimento de comédia, estão entre os nomes mais sonantes a sair. Zaccario permanecerá na empresa durante o verão para garantir uma transição ordenada.
Pixomondo: o fim de um estúdio premiado
Uma das baixas mais simbólicas desta reorganização é o encerramento da Pixomondo, estúdio de efeitos visuais e produção virtual adquirido pela Sony em 2022. Fundada em 2001 na Alemanha, a Pixomondo tornou-se num dos nomes de referência do VFX global, tendo trabalhado em produções como Game of Thrones, Halo e The Boys, e acumulado Óscares e BAFTAs ao longo da sua história.
As operações de VFX da Pixomondo serão encerradas após a conclusão dos projetos e contratos em curso. A Sony pretende concentrar internamente esse trabalho na Sony Pictures Imageworks, sediada em Vancouver. A divisão de produção virtual Clara, que operava em Vancouver e Toronto, também será encerrada, embora algumas funções possam ser absorvidas pelo Sony Group. O braço de inovação e I&D da empresa, PXO Innovation, passará para a estrutura de investigação do Sony Group.
Os concursos televisivos são, curiosamente, uma das apostas de crescimento explicitamente enunciadas por Ahuja, a Sony produz Jeopardy! e Wheel of Fortune, dois dos formatos mais rentáveis da televisão americana, com ramificações em streaming e YouTube que continuam a expandir-se.








