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Sony abandona jogos para PC: Ghost of Yotei, Saros e Marvel’s Wolverine ficam exclusivos PS5

Ghost of Yotei e Saros não chegam ao PC. Marvel's Wolverine provavelmente também não. Depois de seis anos a tentar conquistar os jogadores de PC, a Sony decidiu que a exclusividade de consola é, afinal, o modelo certo, e os números estão do lado dela.

PlayStation 5 Pro - Screenshot trailer de lançamento

Em 2020, a Sony deu um passo que poucos esperavam, lançou Horizon Zero Dawn no PC, quebrando décadas de exclusividade absoluta nas suas consolas. Nos anos seguintes, God of War, The Last of Us, Spider-Man e Ghost of Tsushima chegaram ao Steam, e a mensagem parecia clara, a PlayStation estava a abrir-se a uma audiência mais vasta. Em março de 2026, essa estratégia chegou ao fim.

Segundo o Bloomberg com base em fontes familiarizadas com os planos internos da Sony, a empresa deixará de lançar os seus principais jogos single-player no PC. Ghost of Yotei, o exclusivo de PS5 de 2025 que foi um dos jogos mais vendidos do ano, não vai receber port para PC. O próximo Saros, também exclusivo de PS5, ficará igualmente limitado à consola. E Marvel’s Wolverine, que ainda não tem data de lançamento, deverá seguir o mesmo caminho.

Por que razão os ports PlayStation no PC não funcionaram

A decisão tem uma lógica financeira clara, e o jornalista Jason Schreier, do Bloomberg, foi o primeiro a avançar com os detalhes. Os ports de jogos PlayStation para PC começaram com resultados sólidos, mas o desempenho foi deteriorando-se com o tempo, e os dados internos da Sony confirmaram a tendência. Os ports de single-player geraram apenas cerca de 1,5% das receitas totais da PlayStation nos últimos quatro anos, com grande parte desse valor gerado pelo Helldivers 2, um jogo de serviço online e não um título narrativo tradicional.

O problema não era apenas o valor absoluto das vendas, mas a cadência imprevisível dos lançamentos. A Sony nunca estabeleceu uma janela consistente entre o lançamento na PlayStation e a chegada ao PC, alguns títulos chegaram meses depois, outros demoraram anos. Essa inconsistência impediu a consolidação de uma base de jogadores de PC fiel à marca, e criou um padrão em que os ports chegavam quando o interesse já tinha arrefecido. O insider Nate the Hate confirmou que “a decisão de abandonar o suporte ao PC foi tomada no ano passado”, e que “alguns [jogos] poderão ainda ser lançados, dependendo do ponto em que os ports se encontram, mas já não parece ser uma prioridade para a Sony daqui para a frente”.

O que ainda chega ao PC e o que definitivamente não chega

A mudança não é absoluta. Os jogos de serviço online continuarão a ser lançados em múltiplas plataformas: Marathon, Marvel Tokon: Fighting Souls e Horizon: Hunter’s Gathering estão confirmados para PC. Para estes títulos, o argumento é diferente, precisam de bases de jogadores massivas e unificadas para sobreviver, e limitar o acesso apenas à PlayStation seria contraproducente.

Há também exceções nos títulos single-player, mas com uma lógica específica: jogos publicados pela Sony mas desenvolvidos externamente, como Death Stranding 2: On the Beach de Hideo Kojima e Kena: Scars of Kosmora da Ember Lab, mantêm a versão para PC. A distinção é clara, o recuo afeta os estúdios internos da PlayStation Studios, não os parceiros externos que negoceiam os seus termos de lançamento de forma independente.

O que fica de fora são os grandes exclusivos produzidos internamente, os títulos que definem a identidade da PlayStation e que, historicamente, justificaram a compra de uma consola: God of War, Horizon, Spider-Man, e agora Saros e Ghost of Yotei. Há também preocupação sobre o futuro do estúdio Nixxes Software, especializado precisamente nos ports para PC, uma consequência que a Sony ainda não comentou publicamente.

PS6 e a ameaça doa próxima Xbox

Por detrás da decisão há, muito provavelmente, uma antevisão do que se aproxima. A PlayStation 6 está em desenvolvimento, e a Sony precisa de garantir que o hardware novo tem razão de ser. Um catálogo exclusivo é, historicamente, o argumento mais eficaz para justificar a compra de uma consola e a Sony tem 25 anos de dados a confirmar que o modelo funciona.

Há ainda um fator externo que terá pesado na decisão. A próxima Xbox da Microsoft está a ser desenvolvidoa como uma plataforma baseada em Windows, capaz de correr jogos de múltiplas lojas digitais. Se isso se confirmar, uma consola Xbox poderia tecnicamente correr jogos lançados no PC, incluindo, potencialmente, os jogos da Sony. A exclusividade de consola torna-se, nesse cenário, a única forma de garantir que os jogadores PlayStation se mantêm no ecossistema PlayStation.

A Sony não emitiu qualquer declaração oficial. As fontes citadas pelo Bloomberg pediram anonimato, e a empresa não confirmou nem desmentiu os rumores. Mas a combinação de Bloomberg, Schreier e múltiplos insiders tornam este cenário substancialmente mais do que um rumor.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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