Após ter sido adiado quase dois meses, a Bandai Namco Entertainment traz de volta aos fãs o jogo inspirado na terceira temporada do anime Sword Art Online.  Lançado para a PlayStation 4, Xbox One e PC a 10 de Julho, desta vez a produção de Sword Art Online: Alicization Lycoris foi da responsabilidade do estúdio japonês Aquria que também esteve presente nos títulos Sword Art Online: Hollow Fragment e Hallow Realization. Em Alicization Lycoris somos colocados no papel de Kirito que nos leva a um submundo virtual misterioso criado pela “Rath” na mesma ideologia visual do Arco Alicization.

A história de Sword Art Online: Alicization Lycoris que cobre a primeira parte do Arco “Alicization”, e começamos a ver Kirito a despertar num descampado perto da Villa Rulid, sem perceber como foi parar aquele mundo virtual. No entanto, algumas das lembranças vão-se manifestando durante o tempo em que o nosso espadachim começa a relacionar-se com aquele mundo desconhecido. Ao longo do primeiro capítulo, Kirito começa por perceber que é o único humano e que os outros NPC’s são inteligências artificiais criados com bases humanas num mundo familiar de fantasia com traços medievais designado por Underworld, constituído por emoções, costumes e leis como no mundo real. Neste universo virtual, em que a ciência e a filosofia aparentam estar a ser descobertas, vamos encontrar rostos familiares como o corajoso Eugeo que acaba por criar vínculos de fraternidade com Kirito ao ponto de seguirem o caminho juntos para se tornarem cavaleiros da integridade com o principal propósito de reencontrar a jovem Alice.

Mais adiante, ficamos a conhecer um novo elemento fulcral de seu nome Medina Orthinanos, uma personagem arrogante, descendente de uma casa nobre que visa mudar a narrativa principal e aprofundar um tema mais sombrio em Sword Art Online: Alicization Lycoris, acabando por mais tarde criar laços com o nosso protagonista. Mesmo ainda que o estúdio tenha sido fiel à história de Alicization, logo após o confronto com a antagonista Quinella, o jogo segue um caminho diferente. Até de momento, a narrativa original distingue-se pela originalidade atribuindo-lhe um forte potencial neste sentido.

Com uma sólida exploração, é introduzido o mundo semi-aberto de Alicization Lycoris onde podemos observar melhorias em relação aos jogos anteriores, conseguindo ir de encontro a momentos menos monótonos. Agora somos tentados a praticar as mais diversas atividades tais como pescar e cozinhar para além de tudo o resto como a criação de armas e acessórios podemos ainda completar missões secundárias e estabelecer laços com os personagens de Sword Art Online. É de salientar o lado ambicioso da Aquria quanto ao ambiente natural dentro dos vários locais deste jogo. Deparamo-nos com algumas áreas de exploração ornamentadas por tons verdes e azuis das vastas zonas de vegetação e riachos, quando noutras temos uma paisagem no deserto composta de tons terrosos.

Por entre estes espaços, deparamo-nos com uma variedade de inimigos de níveis e padrões de cor diferentes e ainda um leque de recursos que vão ser úteis para desenvolver outros itens. Junto a isso podemos encontrar implementado o Fast Travel que serve como forma de deslocação mais rápida onde também temos a possibilidade de rever tutoriais e de guardar o nosso percurso. Ainda temos presente uma nova categoria de missões chamada “Relic” na qual somos levados ao encontro de lutas contra bosses gigantes com o objetivo de no fim sermos recompensados com pontos de experiências que vão aumentar o nível da nossa equipa e das nossas Sacred Arts e também obter baús com itens raros que podem vir a ser úteis.

O combate robusto de Alicization Lycoris é uma versão um pouco mais lenta mas mais profunda do que o combate que encontramos em Hollow: Realization. Agora, com um toque mais refinado traz uma sensação de suavidade e fluidez, especialmente no momento em que usamos as “Artes” dos personagens que controlamos. Além dos movimentos standard aos quais os jogadores já estão acostumados, é colocado em jogo um grande número de novas técnicas e habilidades que os nossos membros, incluindo o protagonista Kirito, vão puder usufruir. Estas podem ser adquiridas na presente árvore de habilidades do jogo que está dividida em várias categorias sendo elas de início, as Sword Skills, Combat Skills, Passive Skills e Ex Skills.

As lutas podem ocorrer em duplas individuais e lutas em grupo. Os combates em duplas conseguem ser bem gratificantes, mas exigem confiança quanto às esquivas e bloqueios para conseguirmos evitar golpes de outros elementos. Além disso, é preciso entender a customização das habilidades mágicas para ajudar-nos com a defesa e os efeitos adicionais. As lutas em grupo, por outro lado, exigem uma combinação total e bem gerida praticamente com toda equipa para desencadear um ataque harmonioso. É uma sensação satisfatória quando conseguimos derrotar um inimigo com uma variedade de combos, devido a uma combinação oportuna.

A possibilidade de alternar de personagens é o outro fator em campo, concebendo deste modo a hipótese de conhecer melhor as características de cada um, bem como conseguir controlar os nossos protagonistas favoritos do jogo. Ao mesmo tempo em que as lutas conseguem ser um dos alicerces deste título, é bastante notória uma falta de atenção no que toca à inteligência artificial dos NPC’s. Esse lapso pode comprovar-se quando passamos pelas criaturas e estas parecem ser totalmente indiferentes à nossa presença assim como também o fato de inúmeras vezes os nossos parceiros NPC congelarem durante a ação. Outro fato comum encontrado na maioria dos RPG’s e que não difere nesta ocasião, é a manipulação da câmara que por vezes impossibilita a visão do campo, tornando a jogabilidade um pouco frustrante.

Independentemente de tudo, a Aquria foi capaz de fazer um excelente trabalho ao simular a natureza do anime comparativamente aos títulos anteriores. Contudo, toda esta liberdade é carregada de contrariedades maioritariamente no que diz respeito ao audiovisual. Desenvolvido pelo motor gráfico Unreal Engine 4, exatamente como o anterior SAO Fatal Bullet (a cargo da equipa Dimps), mantém-se fiel à estética patente no anime, ainda que o universo encantador retratado em Underworld apresente mais detalhes, deparamo-nos com algumas contrapartidas. Tais como inúmeras quedas de quadro e texturas que demoram a carregar que por vezes conseguem ser demasiado evidentes em locais abertos, quando falamos com os NPC’s ou até mesmo quando nos deslocamos no interior das cidades. Para compensar algumas destas falhas, a banda sonora é o exemplo perfeito do que estamos habituados a ouvir inspirado no repertório instrumental de culto da compositora japonesa Yuki Kajiura.

Alicization Lycoris mais adiante oferece-nos como presente, um modo Multijogador cooperativo online que se assemelha às mecânicas de padrão dos MMORPG’s no qual é possível estabelecer um equipa com os amigos online ou com companheiros controlados pelo CPU do jogo permitindo ao jogador a criação do seu próprio personagem, conseguindo assim personalizá-lo de diferentes formas.

Sword Art Online: Alicization Lycoris é sem sombra de dúvida um título indicado para os fãs assíduos da saga SAO e não de outra forma. Por esse mesmo motivo, é uma pena observarmos vindo da Bandai Namco um sistema de combate aprimorado que acresce outra vida ao jogo, enquanto que por outro lado estamos perante um mundo maior e mais ambicioso em que a estrutura gráfica manifesta um downgrade comparado ao seu antecessor. Lycoris sofre desta maneira de uma permanente inconsistência entre aspetos bem concebidos e outros que deixam muito a desejar, atribuindo-lhe de certa forma um passo para a frente e dois passos para trás.