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    The Caribou Trail é uma nova aventura narrativa sobre a Primeira Guerra Mundial

    Um estúdio independente do Québec escolheu uma das campanhas mais devastadoras da Primeira Guerra Mundial e um regimento quase esquecido para contar uma história que a maioria dos jogos de guerra nunca contou

    Em 1915, mais de mil homens do Regimento de Newfoundland desembarcaram na Baía de Suvla, em Gallipoli. Não eram soldados endurecidos, eram pescadores, sonhadores, contadores de histórias. Foram enviados para uma das operações militares mais caóticas e mal geridas da Grande Guerra, e durante quatro meses combateram, sofreram e morreram num território que poucos no mundo sabem sequer nomear. É sobre eles que fala The Caribou Trail.

    O jogo foi anunciado esta semana pela Unreliable Narrators, estúdio indie com sede no Québec, Canadá, conhecido pelo aclamado Two Falls (Nishu Takuatshina). O lançamento está previsto para 2026 para PlayStation 5 e PC via Steam e Epic Games Store, sem data concreta ainda confirmada. Uma demo jogável já está disponível, e o jogo vai também estar presente no Steam Next Fest entre 23 de fevereiro e 2 de março.

    O que distingue The Caribou Trail da esmagadora maioria dos jogos ambientados na Primeira Guerra Mundial é precisamente o que não tem: não há pontuações, não há contagem de mortes, não há vitórias a celebrar. O estúdio comentou: “Não queríamos contar uma história tradicional que encontraria num FPS sobre fazer estes grandes avanços e conquistar esta parte, ou mover a linha para capturar ou recapturar esta aldeia, ou o que for. Era mais sobre o lado humano, e o custo humano da guerra”. É uma aventura narrativa na primeira pessoa, mais próxima de What Remains of Edith Finch ou Firewatch do que de Battlefield, onde o objetivo não é vencer, mas aguentar.

    O jogador assume o papel de Fisher, um jovem de uma cidade piscatória tranquila de Newfoundland que parte para a guerra com os amigos Gordon e Lonnie. Gordon é o tipo que faz rir no pior momento possível mas que nunca falha quando importa. Lonnie é o sonhador que não devia estar ali mas compensa com uma humanidade genuína. Fisher é o ponto de equilíbrio entre os dois, e as suas escolhas ao longo do jogo, incluindo a decisão de disparar ou não em determinados momentos, definem quem ele é.

    Há um detalhe histórico que a equipa faz questão de preservar e que poucos jogadores provavelmente conhecem: em 1915, Newfoundland não fazia parte do Canadá. Só em 1949 é que o Domínio de Newfoundland se tornou a décima e última província a aderir à Federação Canadiana. Era, à época, um território autónomo que enviou os seus filhos para uma guerra do outro lado do mundo sob a bandeira britânica. Essa especificidade, um regimento de um lugar remoto, de pessoas comuns, atiradas para uma das maiores catástrofes militares da história, é o coração do projeto.

    A investigação foi levada a sério. Membros da equipa visitaram museus em Newfoundland, incluindo The Rooms, que tem uma secção dedicada ao regimento na Primeira Guerra Mundial. Os mapas do jogo foram inspirados em esboços reais feitos por soldados em Gallipoli, e a navegação dentro das trincheiras, deliberadamente desorientante, tal como era na realidade, usa uma bússola e um mapa desenhado à mão que o próprio jogador vai completando à medida que explora.

    À noite, a linha entre o real e o imaginário esbate-se. The Caribou Trail integra elementos de horror psicológico e folclore, a forma como os soldados, privados de sono e rodeados de morte, faziam sentido de um mundo que tinha deixado de fazer sentido. As histórias de fantasmas à lareira não são apenas entretenimento, são um mecanismo de sobrevivência emocional. É esse detalhe, discreto mas constante, que transforma o jogo em algo mais do que uma reconstituição histórica.

    O estúdio confirma que o jogo não inclui violência gráfica nem conteúdo sexual, mas aborda temas maduros como perda, trauma e o impacto psicológico da guerra. As classificações etárias provisórias apontam para ESRB 17+ e PEGI 16+.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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