The Last of Us foi lançado a 14 de junho de 2013 pela Naughty Dog e pela Sony em exclusivo para PlayStation 3 conquistando de imediato o coração dos jogadores e fechando com chave de ouro toda aquela geração e estendendo o tapete nesse mesmo ano à PlayStation 4.

Passados 7 anos a história volta a repetir-se, a geração PlayStation 4 prepara-se para dar lugar à PlayStation 5 no final do ano, e a Naughty Dog vai surgir dia 19 de junho com o muito aguardado e antecipado The Last of Us Part II, um dos últimos grandes exclusivos PlayStation 4. O entusiasmo dos jogadores é muito e a fasquia está mais alta do que nunca.

The Last of Us Part II é realizado por Neil Druckmann, escrito por Druckmann e Halley Gross e a música é novamente da responsabilidade do argentino Gustavo Santaolalla.

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Anunciado oficialmente no PlayStation Experience em dezembro de 2016, The Last of Us Part II vai continuar a narrativa do primeiro jogo, pelo que continuaremos assim a aventura de Ellie e Joel. Para contextualizar, a humanidade subitamente está a enfrentar um surto de uma mutação do fungo Cordyceps que transforma os seus hospedeiros humanos em monstros chamados de Infetados. Numa realidade pós-apocalíptica seguimos então Joel, agora um contrabandista, e Ellie, uma jovem que é muito especial e pode ser a chave para a erradicação do Cordyceps. Acompanhamos assim esta dupla no primeiro jogo numa viagem épica por uma América mergulhada no caos sendo que a história termia com uma enorme mentira!

Sem dar qualquer tipo de spoilers The Last of Us Part II pega assim neste contexto e projeta a narrativa 5 anos após os eventos do primeiro jogo e 25 anos após o início do surto, vamos ver uma América ainda mais destruída, segregada e lentamente a ser reclamada pela natureza.

A experiência narrativa sempre foi o grande destaque de The Last of Us e neste segundo jogo podem ter a certeza que não ficarão desiludidos, a mesma magia que capturou os jogadores no primeiro jogo está presente neste segundo e é de longe o grande destaque de The Last of Us Part II. Com um foco direcionado ainda mais para uma Ellie, agora com 19 anos de idade, serão abordados temas complexos desde política, orientação sexual, religião, passando ainda pela ténue barreira entre o bem e o mal.

Em The Last of Us Part II vemos o definhar dos Pirilampos e o surgimento dos Lobos (WLF ou Washington Liberation Front), uma frente revolucionária libertadora, mas até que ponto quem liberta se torna o opressor? Será que os fins justificam os meios? A história já nos ensinou muitas vezes que muito rapidamente um movimento se pode transformar naquilo que quer combater. Será a WLF diferente?

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Surge também uma terceira força, os cicatrizes, ou como eles se autointitulam, os Serafitas. Nascidos como muitas religiões, vemos a pior face de um movimento religioso movido pelo fanatismo. Tendo em mente o bem comum e desprovidos da sua própria identidade, serão um adversário formidável para Ellie e companhia.

Temos assim os dois grandes grupos do jogo com os quais o jogador se vai cruzar e que servirão de fundo a uma jornada de ódio e vingança por parte de uma Ellie adulta. A sua personalidade foi claramente moldada pelas circunstâncias do surto e pela luta pela sobrevivência, mas um acontecimento vai despertar nela o mais negro dos sentimentos, a procura cega de vingança sem olhar a meios ou consequências.

A narrativa de The Last of Us Part II é excelente neste aspecto, pois vai conseguir provocar no jogador uma grande flutuação de sentimentos… uma autêntica montanha russa de sentimentos. Num momento estamos lado a lado com a Ellie à procura de vingança, custe o que custar, doa a quem doer, e no seguinte somos confrontados com o reverso da história, a motivação do alvo do ódio de Ellie, tudo faz sentido, compreendemos ambos os lados, e em algumas situações vamos ter mesmo compaixão dos personagens.

Esta é assim uma história complexa e emotiva à volta da Ellie que fará questões difíceis ao jogador, desafiando as noções do certo e do errado, do bem e do mal, da justificação do ciclo de violência e quando chega o momento em que pura a simplesmente o fim não justifica os meios.

Montanha russa de sentimentos

A história de The Last of Us Part II vai assim obrigar o jogador a pensar e o que parece ser garantido à partida pode não o ser.

Sem pudor o jogo vai também explorar as personagens que vamos encontrando ao longo da história, desde a sexualidade de Ellie, triângulos amorosos, motivações dos personagens, utilização de drogas recreativas, o jogo acaba por traçar uma imagem credível das personagens que nos leva não só a ficar imersos naquele mundo como também a importarmo-nos com o seu bem estar criado algo bem credível e atual.

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Para além da narrativa principal o mundo de The Last of Us Part II é muito rico e vai recompensar os jogadores que o queiram explorar a fundo. Vão encontrar pequenas notas que vão contar muitas outras histórias secundárias de como várias pessoas viveram aqueles acontecimentos, e vão até compreender melhor a história como um todo. Se passarem ao lado destes pequenos pormenores estarão a perder parte deste mundo. The Last of Us Part II foi feito para ser apreciado como um todo e não como um jogo de ação onde o jogador tenta ir o mais rapidamente do ponto A ao ponto B.

Belo, Intenso, Visceral

Claro está que uma boa história num jogo só o é se conseguir ser bem traduzida do papel para o gameplay, e definitivamente isso foi conseguido. The Last of Us Part II é Belo, Intenso, Visceral… O motor gráfico é competente, consegue traduzir muito bem os ambientes, desde uma floresta iluminada por raios de sol, a um pântano passando por uma tempestade. Existem algumas texturas que poderiam ser melhores, impacto da neve… estou a olhar para ti, mas a nível gráfico o jogo é mais que competente em criar uma sensação de imersão.

O que vão notar também em The Last of Us Part II é a sua violência, não há forma como escapar dela e faz parte da realidade daquele mundo. As mortes dos personagens são impactantes, vão por mais de uma vez encolher-se na cadeira quer pela surpresa como pela natureza gráfica da cena. Seja a Ellie a arrancar uma seta do braço, ou um NPC que abatemos a sufocar no seu próprio sangue, são cenas viscerais que ficam na memória.

O jogo vai assim basear-se muito em elementos de sobrevivência e horror, contra os infetados teremos mais o elemento da surpresa e tensão em ambientes fechados e claustrofóbicos e contra outros humanos teremos o elemento da estratégia e violência gratuita.

Em termos de gameplay The Last of Us Part II vai permitir abordagens diferentes à missão que têm pela frente, desde uma abordagem mais furtiva a um gameplay mais descontraído onde o jogador entra de arma em punho a matar tudo o que mexe. O jogo vai, no entanto, estimular o jogador à primeira opção com uma escassez de munições que obrigará o jogador a pensar de forma mais tática e gerir melhor os seus recursos.

Relativamente ao primeiro jogo The Last of Us Part II apresenta também um gameplay mais vertical, com a Ellie a poder tirar partido de edifícios, cordas e até nadar de baixo de água, aumentando assim a quantidade de abordagens disponíveis para lidar com os diversos problemas que vão surgindo. A furtividade é a palavra chave do gameplay, seja a percorrer um percurso alternativo por prédios destruídos ou refugiar-se em ervas altas, o jogador terá de ser inteligente e ler muito bem o que está a acontecer e o motor do jogo mostra todo o seu poderio nestas situações. Temos NPCs credíveis, que se movimento de acordo com a situação com que se deparam, seja a patrulhar, ou a reagir quando encontram um corpo alertando todos os outros NPCs. Em combate vamos ter também NPCs a tentar flanquear o jogador e os companheiros do jogador também não serão meros estorvos, vão participar ativamente no combate e até por vezes acabam por salvar o jogador de algumas situações mais complexas em que são agarrados por inimigos. Aliás, durante todo o nosso gameplay, nunca nenhum companheiro NPCs comprometeu a nossa posição numa abordagem furtiva, mostrando uma inteligência artificial muito bem desenvolvida.

Com a moda dos jogos de mundo aberto seria de esperar que The Last of Us Part II envereda-se completamente por esse caminho, e sim, embora existam grande áreas abertas para explorar, e o jogo transmita na perfeição a sensação de estarmos numa grande área, dada a forte componente narrativa do jogo e a necessidade de criar uma certa intensidade no gameplay o jogador será sempre incentivado a percorrer determinado caminho para manter o ritmo da história.

Vão ter igualmente várias árvores de skills que vão poder progredir, seja no upgrade de armas, fabrico de utensílios e habilidades da personagem. Algumas destas árvores de skills serão desbloqueadas à medida que vão encontrando revistas espalhadas pelo mapa e esta é mais uma forma de estimular o jogador a explorar o ambiente, não só por recursos e história, mas também como uma forma de melhoramento da personagem.

Em conclusão, The Last of Us Part II é absolutamente recomendado, não vão querer ficar de fora de uma experiência narrativa por excelência que tal como o seu primeiro jogo encerra toda uma geração.