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Trump pode obrigar a Tencent a vender participações na Epic Games e Riot Games

A administração Trump debate internamente se a gigante chinesa deve ser obrigada a desfazer-se das suas participações em empresas como a Epic Games e a Riot Games, e o caso já dura há mais de uma legislatura.

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A Tencent, o maior grupo de videojogos do mundo por receitas, pode estar prestes a perder uma parte significativa do seu império ocidental. Segundo o Financial Times, funcionários da administração Trump realizaram reuniões internas para avaliar se os investimentos da empresa chinesa em produtoras americanas representam uma ameaça à segurança nacional. Uma reunião ao nível de gabinete estava prevista para a semana passada, mas foi adiada por questões de agenda. Nenhuma decisão final foi tomada.

O alcance da Tencent na indústria é difícil de ignorar. A empresa tem investimentos em mais de 800 produtoras em todo o mundo, e as participações diretamente em causa no debate de Washington são consideráveis: 28% da Epic Games, criadora de Fortnite e do Unreal Engine, propriedade total da Riot Games, responsável por League of Legends e Valorant, e 81,4% da Supercell, o estúdio finlandês por trás de Clash of Clans. Para além disto, a Tencent tem participações em empresas como a Ubisoft, a Larian Studios, a Krafton, e muitas outras.

O núcleo do problema não é tanto quem a Tencent é, mas o que os seus ativos recolhem. As plataformas de jogo acumulam volumes massivos de dados sobre os utilizadores: registos financeiros, informações pessoais, históricos de conversação. A questão central em discussão é se os investimentos da Tencent representam riscos de segurança nacional, dado que as empresas de jogos detêm dados sensíveis, incluindo informações financeiras, dados pessoais e registos de chat de centenas de milhões de utilizadores. No caso específico da Epic Games, o Unreal Engine, usado em produção cinematográfica, mas também em simulações militares, alarga consideravelmente o escopo das preocupações.

Este não é um debate novo. O CFIUS, o Comité sobre Investimento Estrangeiro nos Estados Unidos, começou a rever os investimentos da Tencent durante o primeiro mandato de Trump, e o processo tornou-se numa das revisões mais longas da agência. Durante a administração Biden, as opiniões dividiram-se internamente, o Departamento de Justiça era favorável a medidas mais duras, incluindo a exigência de desinvestimento de algumas ou de todas as participações, enquanto o Departamento do Tesouro preferia permitir que os investimentos se mantivessem, sujeitos a medidas de mitigação como a segregação de dados. Como as agências não chegaram a consenso, a revisão ficou por resolver.

Em janeiro de 2025, o Pentágono classificou a Tencent como empresa ligada ao exército chinês, uma designação que a empresa contestou com veemência. O porta-voz Danny Marti declarou na altura: “Não somos uma empresa militar nem um fornecedor. Ao contrário de sanções ou controlos de exportação, esta classificação não tem impacto nos nossos negócios. Trabalharemos com o Departamento de Defesa para resolver qualquer mal-entendido”. No verão do mesmo ano, a Tencent chegou a estar a negociar medidas com o CFIUS para atenuar as preocupações de segurança de Washington.

O timing do debate atual não é aleatório. A abertura desta discussão poucas semanas antes de uma reunião prevista entre Donald Trump e Xi Jinping em abril posiciona o caso da Tencent como “um sinal mais amplo”, permitindo a Washington calibrar a pressão antes das negociações. O precedente do TikTok paira sobre tudo isto, nesse caso, a administração acabou por aceitar uma solução de desinvestimento parcial, com a transferência de 80,1% das operações norte-americanas para um consórcio de empresas americanas que inclui a Oracle. Uma fórmula semelhante poderia, em teoria, ser aplicada à Tencent, embora a dimensão e complexidade dos seus ativos torne qualquer solução estruturalmente mais complicada.

Por agora, o Departamento do Tesouro recusou comentar. A Tencent e as empresas envolvidas também não responderam publicamente às mais recentes notícias.

Helder Archer
Helder Archer
Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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