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    Ubisoft fecha estúdio no Canadá semanas depois dos trabalhadores formarem sindicato

    A gigante francesa dos videojogos despede 71 pessoas em Halifax e garante que a decisão não tem nada a ver com a sindicalização recente. O sindicato não acredita na coincidência

    Assassin's Creed Rebellion main visual

    A Ubisoft anunciou o encerramento do seu estúdio em Halifax, no Canadá, numa decisão que afeta 71 trabalhadores. O timing levanta questões sérias, em dezembro, os funcionários formaram o primeiro sindicato norte-americano da empresa. Poucas semanas depois, a Ubisoft fecha as suas portas.

    Num email enviado aos trabalhadores na quarta-feira, 7 de janeiro, a empresa francesa justificou o fecho com medidas de reestruturação e corte de custos implementadas nos últimos dois anos. O estúdio, fundado em 2003 como Longtail Studios e adquirido pela Ubisoft em 2015, era conhecido pelo seu trabalho em Assassin’s Creed Rebellion, um jogo mobile de estratégia RPG lançado em 2018.

    A versão oficial da Ubisoft

    Um porta-voz da empresa afirmou à VGC que o fecho faz parte de um esforço mais amplo iniciado há 24 meses.

    “Ao longo dos últimos 24 meses, a Ubisoft empreendeu ações à escala da empresa para otimizar operações, melhorar eficiência e reduzir custos. Como parte disso, a Ubisoft tomou a difícil decisão de fechar o seu estúdio em Halifax”, lê-se no comunicado oficial.

    A empresa garantiu que a decisão foi tomada “bem antes” da sindicalização e afirmou que “respeita totalmente” o direito dos trabalhadores à organização sindical. Os 71 afetados receberão pacotes de indemnização e apoio na transição de carreira.

    O sindicato não acredita

    A reação do sindicato foi imediata e cética. Carmel Smyth, presidente da CWA Canada, organização que representa o sindicato dos trabalhadores, classificou a notícia como “devastadora” em declarações à Game Developer.

    “As notícias de hoje são devastadoras. Vamos prosseguir todos os recursos legais para garantir que os direitos destes trabalhadores são respeitados e não infringidos de forma alguma”, afirmou Smyth.

    A organização deixou claro que vai exigir informações à Ubisoft para perceber as razões por trás da súbita decisão. Em comunicado à mesma publicação, a CWA Canada sublinhou que o timing “levanta muitas questões para as quais ainda não temos respostas” e que será “exigida informação” à editora para compreender porque decidiu encerrar o estúdio tão abruptamente.

    É importante notar que, no Canadá, é ilegal encerrar uma empresa porque os trabalhadores decidiram sindicalizar-se. O sindicato não acusou diretamente a Ubisoft de práticas antissindicais, mas deixou claro que vai investigar.

    Em dezembro de 2025, cerca de 60 trabalhadores do estúdio Halifax juntaram-se à Game & Media Workers Guild of Canada, tornando-se o primeiro grupo de trabalhadores norte-americanos da Ubisoft a sindicalizar-se oficialmente. A certificação do sindicato foi concedida a 18 de dezembro pela Nova Scotia Labour Board.

    O jogo Assassin’s Creed Rebellion tem registado um declínio constante nas receitas desde o seu lançamento em 2018. Esta tendência terá levado à decisão recente de terminar as operações ao vivo do jogo e cessar a produção de novo conteúdo.

    O jogo mobile gratuito permitia aos jogadores construir a sua própria Irmandade de Assassinos e incluía personagens icónicas da série como Ezio, Aguilar e Shao Jun. Apesar do conceito promissor, não conseguiu manter-se competitivo no saturado mercado de jogos mobile.

    Assassin's Creed Rebellion visual

    Um ano turbulento para a Ubisoft

    O fecho de Halifax não é caso isolado. A Ubisoft tem estado num ciclo de reestruturações e despedimentos nos últimos anos. Em 2025, a empresa encerrou o estúdio de Leamington no Reino Unido e fez despedimentos em Dusseldorf, Estocolmo e Newcastle.

    Em dezembro de 2024, a empresa cancelou o shooter gratuito XDefiant e fechou estúdios em São Francisco e Osaka. Além disso, a editora tem pedido a funcionários que aceitem “transições voluntárias de carreira”, um eufemismo para despedimentos antecipados.

    No final de 2025, a Ubisoft criou uma nova subsidiária parcialmente detida pela Tencent, chamada Vantage Studios. Segundo o comunicado oficial divulgado em novembro de 2025, a gigante chinesa detém agora 26,32% da subsidiária após um investimento de 1,16 mil milhões de euros, com a Vantage Studios avaliada em 3,8 mil milhões de euros antes do investimento.

    Esta nova entidade, operacional desde 1 de outubro de 2025, gere as três maiores franquias da Ubisoft: Assassin’s Creed, Far Cry e Rainbow Six. A empresa afirma estar a mudar para um modelo operacional menos centralizado, numa tentativa de dar às equipas criativas mais autonomia sobre as marcas em que trabalham.

    Charlie Guillemot, filho do CEO da Ubisoft Yves Guillemot, e Christophe Derennes foram nomeados co-CEOs da Vantage Studios. A Tencent tem um papel consultivo, mas as decisões criativas e empresariais finais ficam com os co-CEOs.

    Ironicamente, apesar destes investimentos milionários e reestruturações corporativas, são os trabalhadores de estúdios mais pequenos como Halifax que pagam o preço.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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