A polêmica do papel de Kimetsu no Yaiba da Panini

O mercado brasileiro de mangas já passou por diversas crises no decorrer de sua história, mas um assunto sempre retorna com muita polêmica é tipo de papel utilizado em cada tipo de publicação feita pelas editoras. A polêmica mais recente que correu nas redes sociais envolve o recente anuncio da editora Panini ao mangá Kimetsu no Yaiba e o uso do papel offwhite na futura publicação da obra.

Para quem não sabe do que aconteceu, um grupo de pessoas utilizou as redes sociais para exigir das editoras brasileiras, principalmente da Panini, para que elas façam uso do papel offset em seus lançamentos após o vídeo de um influencer com diversas informações questionáveis. A ideia deste artigo é responder algumas duvidas que surgiram por causa deste ocorrido.

Qual a diferença entre o offwhite e o offset?

Se tratando de questões técnicas, o papel offwhite é uma versão do papel offset só que com tratamentos químicos que faz com que o papel fique com um tom mais amarelado, ou acinzentado, e, em alguns casos, com uma suavidade ao toque. O foco é que o offwhite tenha essas características para evitar reflexo de luz, causando cansaço nos olhos e ainda tornando a leitura a mais confortável possível. Este tipo de papel é muito utilizado atualmente em publicação de livros justamente por essas características.

A principal característica do papel offset é a sua alta resistência, este tipo de papel também possui uma alta absorção de tinta na hora da impressão, porém existe o risco desse tipo de papel acabar ficando com um aspecto sem vida dependendo da quantidade de cores utilizadas em sua impressão. O offset é um dos papeis mais utilizados em trabalhos gráficos por causa de suas características positivas, como a durabilidade, porem ele pode acabar refletindo a luz (seja ela natural ou artificial) e isso pode causar algum desconforto ou cansaço nos olhos durante a leitura. Outra caracteriza negativa do offset é que ele pode trazer transparência dependendo da gramatura e do fabricante no papel.

Papel offset é mais baratos que o offwhite?

Esta é uma questão para a qual não existe uma resposta certa, dentro da área gráfica, assim como em qualquer outra área de produção a nível industrial, existem diversas empresas que trabalham com qualidades diferentes e cobrando valores variados. No caso do papel offwhite existe a chance dele ter uma variação de valor por causa do processo químico para trazer o tom amarelado no papel, além é claro de depender da variação do valor do dólar.

No caso do papel offset existe um grande aumento no valor desse papel nos últimos anos por causa da alta demanda de uso dentro da indústria gráfica, valor do dólar, crise económica, entre outros motivos. Para uma editora, que realiza o lançamento mensal de muitas obras com este tipo de papel, ter o valor de seu principal componente de produção aumentando a todo momento acaba sendo algo extremamente prejudicial, principalmente que em algum momento a conta pode não fechar e isso pode acabar obrigando a editora a realizar reajustes no valor da obra.

Papel amarelado prejudica a visão?

Dentro do meio gráfico é um consenso que a cor amarelada ou acidentado do offwhite ajuda a evitar um cansaço nos olhos e ainda são recomendados especificamente para a área editorial. O uso da papel acinzentado também é utilizado dentro do meio digital em leitores de livros, como Kindle ou Kobo, e com a ideia é emular a mesma sensação do papel físico para se evitar o cansaço nos olhos durante a leitura.

Durante as pesquisas para este artigo não localizei nenhuma informação cientifica especifica falando que o papel amarelado pode prejudicar a visão do leitor, mas existem diversas pesquisas recentes que chegaram a conclusão de que o uso da cor amarelada é muito recomendada em alguns ambientes para trazer momentos de calma, relaxamento ou concentração.

A Panini pode trocar o papel de Kimetsu no Yaiba de offwhite para offset?

Creio que está é uma questão que talvez não ira acontecer, primeiramente que o projeto de publicação da obra já deve estar firmado em contrato entre a Panini e a editora japonesa Shueisha e qualquer mudança na estrutura do lançamento da obra tem que passar por toda a parte burocrática dos japoneses. Segundo que a editora deve ter uma programação de lançamento de 2020 já firmada e fazer uma mudança desse tipo pode comprometer ou atrapalhar toda a programação de lançamento do mangá no Brasil.