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    Bato.to encerra atividade e junta-se à vaga de sites de pirataria de mangá eliminados

    Um dos maiores agregadores de mangá do mundo deixou de funcionar após pressão legal

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    A indústria de mangá acabou de perder um dos seus maiores protagonistas da pirataria. Bato.to, que juntamente com os seus mirrors oficiais acumulava mais de 100 milhões de visitas mensais, encerrou operações esta semana devido a pressão legal. O servidor oficial de Discord também foi eliminado, marcando o fim definitivo de uma plataforma que servia milhões de leitores globalmente.

    O anúncio foi feito através do Discord, onde os moderadores revelaram que a decisão de encerrar o servidor foi tomada coletivamente devido a “problemas contínuos relacionados com o site e os desafios legais resultantes”. A mensagem completa deixada pela equipa reflete a pressão crescente sobre plataformas de distribuição não autorizada de mangá.

    O encerramento do Bato.to não surge isolado. O Comick.io foi eliminado a 16 de setembro de 2025, depois de ter registado 125 milhões de visitantes apenas em agosto desse ano. A plataforma tinha-se tornado num refúgio para muitos utilizadores depois da MangaDex sofrer uma purga massiva em maio de 2025, quando mais de 700 séries de mangá foram removidas após uma onda coordenada de notificações DMCA.

    No caso da MangaDex, as notificações vieram de múltiplas editoras simultaneamente, incluindo Kakao, Naver, Square Enix, Kodansha e Houbunsha, sugerindo uma estratégia coordenada da indústria. A plataforma continuou a operar, mas com restrições muito mais apertadas, exigindo agora que qualquer utilizador que faça upload de mangá possua todos os direitos de autor sobre o trabalho.

    Antes disso, o Mangajikan, que tinha uns impressionantes 185 milhões de visitantes mensais em maio de 2025, também desapareceu subitamente em junho. O site era tão popular que se tornou a 17ª página mais visitada do Japão, ultrapassando Facebook e ChatGPT.

    A nova táctica das editoras

    A estratégia das editoras de mangá mudou drasticamente nos últimos anos. Em vez de tentar eliminar sites individuais, as empresas adoptaram uma abordagem coordenada que visa simultaneamente múltiplas plataformas através de diferentes jurisdições legais.

    A Kakao Entertainment anunciou em agosto de 2025 que encerrou 11 sites de pirataria globalmente e eliminou mais de 160 milhões de obras distribuídas ilegalmente apenas no primeiro semestre de 2025. A empresa desenvolveu uma estratégia em três passos que combina identificação de sites ilegais, rastreamento de operadores e indução ao encerramento através de ação legal ou voluntária.

    Uma das táticas mais eficazes tem sido a apresentação de intimações à Cloudflare. Em janeiro de 2025, a Shueisha apresentou um pedido de intimação DMCA nos Estados Unidos procurando informações detalhadas sobre indivíduos e entidades por trás das plataformas de pirataria. Ao solicitar nomes, informações de contacto e registos de servidores, as editoras esperam expor os operadores e desmantelar as infraestruturas que sustentam estes sites.

    A Naver Webtoon utilizou táticas idênticas para reivindicar 150 encerramentos de sites que recebiam 2,5 mil milhões de visitas anuais. Em março de 2025, tornou-se a primeira empresa de webcomics a juntar-se ao ACE (Alliance for Creativity and Entertainment), trazendo editoras de mangá e webtoon para uma coalizão que agora representa mais de 50 empresas de entretenimento globalmente.

    Apesar dos sucessos recentes em encerrar plataformas de grande escala, a pirataria de mangá está a crescer a um ritmo acelerado. Um relatório de 2024 revelou que o mangá se tornou o meio pirata com crescimento mais rápido no mundo, com a taxa de crescimento do seu consumo a ultrapassar a da televisão.

    A pirataria de publicações, da qual o mangá representa uns massivos 70%, aumentou 56% ao longo de 2024. O relatório também identificou os Estados Unidos como o país líder nesta atividade, representando 8,2 mil milhões de visitas. As perdas estimadas para a indústria foram de 12,5 mil milhões de dólares apenas em 2023.

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    A mensagem de despedida do Bato.to

    A mensagem completa deixada pelos moderadores do Discord antes do encerramento do servidor reflete tanto gratidão como resignação:

    “Olá @everyone. Muito obrigado por todas as mensagens que têm enviado nos últimos dias, significam muito para nós. Após cuidadosa consideração, nós (o staff do Discord) decidimos coletivamente eliminar este servidor devido a problemas contínuos relacionados com o site e os desafios legais resultantes. Como sempre encorajámos, por favor continuem a apoiar o criador através da plataforma oficial se gostam do trabalho deles e podem pagar. Alguns dos nossos membros de staff decidiram criar uma nova comunidade focada em leitura, com a esperança de continuar as conexões e amizades que foram construídas ao longo dos últimos anos aqui. Quanto a mim, a minha jornada termina aqui. Peço sinceramente desculpa por qualquer inconveniente que a nossa equipa possa ter causado, e desejo a todos uma vida feliz e saudável. Obrigado por tudo, e cuidem-se!”.

    A mensagem incluía ainda uma nota: “Este servidor será eliminado em 3 dias. Os outros membros do staff vão informar-vos sobre a comunidade que têm em mente em breve. Fiquem atentos. E novamente, por favor parem de partilhar sites ilegais aqui se não desejam ser banidos”.

    Problemas técnicos precederam o encerramento

    Antes do anúncio oficial, utilizadores já reportavam problemas técnicos persistentes desde dezembro de 2025. Erros 404, 502 Bad Gateway e páginas que simplesmente não carregavam tornaram-se cada vez mais frequentes. Imagens falhavam em aparecer e os tempos de carregamento eram significativamente mais lentos que o habitual.

    Vários utilizadores reportaram problemas de acessibilidade que impactaram a experiência de leitura. A partir de janeiro de 2026, múltiplos serviços de monitorização de sites confirmaram que o Bato.to estava a experienciar problemas significativos, com o site frequentemente inacessível ou a apresentar erros.

    Alguns utilizadores tentaram aceder através de domínios mirror como bato.ing e bato.si, mas estes também apresentavam problemas intermitentes. A comunidade no Reddit e Discord manteve-se ativa durante este período, partilhando links atualizados e soluções temporárias, numa demonstração de solidariedade entre leitores que viam a sua plataforma favorita a desmoronar-se lentamente.

    Com o encerramento de três das maiores plataformas de pirataria de mangá num espaço de menos de um ano, os leitores estão a ser forçados a reconsiderar os seus hábitos. As editoras esperam que esta pressão crescente empurre mais pessoas para plataformas legais.

    No entanto, a questão fundamental permanece, até que alternativas legais consigam igualar a disponibilidade global e conveniência dos sites de pirataria, estas redes de milhares de milhões de visitas vão continuar a evoluir mais rapidamente do que os sistemas judiciais conseguem processar intimações.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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