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    Criador de Jujutsu Kaisen revela por que nunca entrará nas redes sociais

    Gege Akutami confessa que acabaria a discutir com adolescentes sobre o seu próprio mangá

    O enigmático autor de Jujutsu Kaisen finalmente quebrou o silêncio sobre a sua ausência total nas redes sociais. A razão pela qual Gege Akutami não tem Twitter, Instagram ou qualquer outra plataforma digital é tão honesta quanto inesperada, não conseguiria controlar-se.

    Numa reflexão recente partilhada com os fãs, o mangaká admitiu que a sua decisão de se manter afastado do mundo digital é, na verdade, uma medida de autopreservação. “É muito difícil para mim falar com muita gente online. Se fosse demasiado ativo, definitivamente acabaria a discutir com estudantes do ensino básico sobre o meu mangá”, confessou Akutami num tom humorístico mas sincero.

    A declaração surge num contexto particularmente relevante. Jujutsu Kaisen terminou oficialmente em setembro de 2024, após uma serialização de seis anos e meio que gerou um fenómeno global. Com mais de 100 milhões de cópias vendidas mundialmente e uma base de fãs apaixonada mas frequentemente crítica, Akutami reconheceu que ter uma conta oficial seria provavelmente catastrófico para a sua saúde mental.

    O autor explicou que, de ter presença nas redes sociais, perderia tempo precioso a debater escolhas narrativas e decisões criativas com adolescentes de 12 a 15 anos. Considerando a intensidade das discussões que o final de Jujutsu Kaisen gerou entre os fãs, a estratégia de Akutami parece cada vez mais sensata.

    Além de evitar conflitos virais, o mangaká revelou outro motivo igualmente importante, o elogio constante na internet deixa-o desconfortável. “Sentir-me-ia excessivamente envergonhado”, admitiu, explicando que esse tipo de feedback imediato interferiria com a sua concentração durante o processo criativo. Por esse motivo, Akutami valoriza muito mais as cartas físicas enviadas pelos fãs, um método tradicional que lhe permite conectar-se com a audiência sem o ruído tóxico da imediatez digital.

    A postura de Akutami contrasta com a de muitos criadores contemporâneos que mantêm presença ativa nas redes sociais. No entanto, não é incomum entre mangakás japoneses optar por uma abordagem mais reservada. A cultura japonesa frequentemente valoriza um grau de anonimato, especialmente entre artistas e criadores, e muitos preferem deixar que as suas obras falem por si.

    Durante a serialização de Jujutsu Kaisen, esta ausência digital tornou-se particularmente notória. Os fãs criaram inúmeras contas falsas em seu nome, e rumores sobre possíveis declarações do autor circulavam regularmente sem qualquer verificação. A editora Shueisha mantém controlo apertado sobre as comunicações oficiais relacionadas com as suas propriedades intelectuais, o que significa que qualquer informação genuína de Akutami passa por canais oficiais como a Weekly Shonen Jump.

    Akutami também lidou com problemas de saúde durante a serialização de Jujutsu Kaisen. A VIZ Media chegou a publicar uma mensagem do mangaká explicando que precisaria de fazer pausas para recuperar, embora tenha assegurado aos fãs que não se tratava de nada grave. A pressão de manter uma série semanal já é significativa sem adicionar o stress de gerir expectativas e críticas nas redes sociais.

    Ironicamente, a ausência de Akutami das plataformas digitais apenas aumentou o seu misticismo. O autor é conhecido por usar um pseudónimo e raramente aparecer em público, preferindo deixar que o seu trabalho seja o foco principal. Esta abordagem permitiu-lhe manter um nível de privacidade raro na era digital, onde se espera que os criadores estejam constantemente disponíveis e acessíveis aos seus fãs.

    A reflexão de Gege Akutami também destaca um problema crescente na cultura dos fãs de anime e mangá, a tendência para debates acalorados e por vezes tóxicos sobre decisões criativas. Plataformas como Twitter (agora X) tornaram-se campos de batalha onde cada capítulo é dissecado, criticado e debatido até à exaustão. Para um criador como Akutami, que passou anos a desenvolver uma narrativa complexa, a tentação de defender as suas escolhas seria provavelmente irresistível mas contraproducente.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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