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    Dragon Quest: a incrível vida do criador agora em mangá

    capa Dragon Quest vida do criador em mangá (1)

    A Shogakukan prepara-se para lançar uma biografia em formato de mangá sobre Yuji Horii, o criador de Dragon Quest. Com lançamento marcado para 24 de fevereiro, a obra promete contar a história do designer de jogos de uma forma peculiar, como se fosse um RPG.

    A ideia não podia ser mais adequada ao protagonista. Horii, que nasceu na ilha de Awaji em 1954, passou décadas a moldar um dos géneros mais influentes dos videojogos. Dragon Quest, lançado originalmente em 1986, definiu muitos dos padrões que ainda hoje vemos nos RPG japoneses. Mas esta biografia não vai focar apenas na sua obra mais conhecida.

    A abordagem é claramente inspirada no universo que Horii ajudou a criar. A história será apresentada numa estrutura semelhante a um RPG: Horii recruta pessoas para o seu grupo, enfrenta escolhas em momentos críticos da vida e supera dificuldades várias.

    Esta formatação reflete uma filosofia que o próprio Horii já expressou várias vezes, a vida é um jogo de interpretação de papéis. Cada decisão tem consequências, cada pessoa que conhecemos pode tornar-se num aliado crucial, e o crescimento acontece através de desafios superados. É uma visão romântica da existência, mas que encaixa perfeitamente no tom dos jogos que ele criou.

    O mangá tem 160 páginas e é ilustrado por Iori Makoto. Horii supervisionou pessoalmente o projeto, garantindo que a história reflete com precisão a sua trajetória. No final, há ainda uma entrevista com o próprio designer.

    Mais do que Dragon Quest

    Embora Dragon Quest seja inevitavelmente o foco principal, a obra não ignora outros projetos importantes na carreira de Horii. O designer também trabalhou em Chrono Trigger, um dos RPG mais aclamados de sempre, onde foi responsável pela supervisão e pelo argumento. A trilogia Mysteries, que inclui The Portopia Serial Murder Case, também faz parte do seu currículo.

    The Portopia Serial Murder Case, lançado em 1983, foi um dos primeiros jogos de aventura visual e acabou por inspirar figuras como Hideo Kojima a entrar na indústria dos videojogos. É um legado que vai muito além de uma única série, por mais icónica que seja.

    Horii tornou-se em 2025 no primeiro criador de videojogos a receber a Ordem do Sol Nascente do governo japonês, um reconhecimento pelo seu contributo para as artes. Graduado em Literatura pela Universidade Waseda, começou como escritor freelancer antes de se dedicar completamente aos videojogos.

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    Este mangá biográfico não é um caso isolado. A Shogakukan tem desenvolvido uma série educativa sobre figuras importantes da indústria dos videojogos. Em 2025, foi lançado um mangá semelhante sobre Masahiro Sakurai, criador de Kirby e Super Smash Bros. Antes disso, em 2018, Satoshi Tajiri, fundador de Pokémon, também recebeu o mesmo tratamento.

    Estes mangás destinam-se tanto a crianças quanto a adultos, funcionando como uma porta de entrada para conhecer as pessoas por trás dos jogos que marcaram gerações. A abordagem em formato de mangá torna a informação mais acessível e atraente, especialmente para públicos mais jovens.

    O preço de pré-venda no Japão é de 1210 ienes, aproximadamente 6,60 euros. De momento, não há informação sobre uma tradução para inglês ou outras línguas, o que significa que os fãs ocidentais terão de esperar ou recorrer a importações.

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    Um legado que continua

    Aos 72 anos, Horii continua ativo na indústria. A série Dragon Quest mantém-se relevante, com novos jogos e remakes a serem regularmente lançados. O recente Dragon Quest III HD-2D Remake foi bem recebido pela crítica e pelo público, provando que o apelo destes jogos transcende gerações.

    O mangá biográfico chega num momento em que a indústria dos videojogos japonesa está a refletir sobre a sua história e os pioneiros que a construíram. Com figuras como Akira Toriyama, o ilustrador de Dragon Quest e criador de Dragon Ball, a terem falecido recentemente, há uma consciência crescente da importância de documentar e celebrar estas carreiras enquanto ainda é possível.

    A escolha de contar a história de Horii como se fosse um RPG é mais do que um truque criativo. É um reconhecimento de que a sua vida e obra estão intrinsecamente ligadas ao género que ajudou a definir. Cada capítulo da sua carreira pode ser visto como uma nova quest, cada colaborador como um membro valioso do grupo, cada projeto como um boss final a ser derrotado.

    Helder Archer
    Helder Archer
    Fundou o OtakuPT em 2007 e desde então já escreveu mais de 60 mil artigos sobre anime, mangá e videojogos.

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